Artigo da seção obras Revista Popular

Revista Popular

Artigo da seção obras
Literatura  
Data de criaçãoRevista Popular: 1859 | Data de término da criação 1862

A Revista Popular: Noticiosa, Scientifica, Industrial, Histórica, Litteraria, Artística, Biographica, Anecdotica, Musical, etc, etc. – Jornal Illustrado é tida como uma das publicações mais conceituadas do período romântico, situado na segunda metade do século XIX. Isso porque, ao optar pela neutralidade política, se afirma como veículo privilegiado na disseminação dos princípios nacionalistas e civilizatórios que estimularam o engajamento jornalístico de políticos e intelectuais interessados em promover a prosperidade nacional com base no desenvolvimento das artes e das ciências. 

Ela se distingue de outros periódicos editados na segunda metade do século XIX por reunir muitos colaboradores representativos da primeira geração romântica e também expoentes da jovem intelectualidade nacional. Sob a direção do editor francês Baptiste-Louis Garnier (1823-1893), é publicada entre 1859 e 1862 e tem periodicidade quinzenal. 

As atividades artísticas são abordadas em artigos dispersos e na sessão Crônica da Quinzena, que apresenta um balanço crítico de exposições, espetáculos teatrais e lançamentos literários ocorridos na corte. Assinado, até 1862, com o pseudônimo Carlos, o espaço é formado por uma série de notas que, escritas com certo humor, detalham o panorama artístico fluminense, enfatizando o cenário teatral, agitado pelo confronto entre defensores da tradição romântica e partidários das inovações propostas pelo realismo. Em relação às artes plásticas, além das notas referentes às exposições anuais da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba) publicadas na sessão já mencionada, destaca-se a série de textos referentes à estátua equestre de dom Pedro I, apontada como o primeiro monumento público brasileiro.

A importância do artigo intitulado A Estátua Equestre do Sr. D. Pedro I, publicado em 1859 por Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), se revela ao ser comparado com outro texto de sua autoria, publicado cinco anos antes na extinta Revista Guanabara, sob o título de A Estátua Equestre do Fundador do Império. Continuando as reflexões apresentadas no primeiro texto, o autor, como espectador privilegiado dos entraves que tumultuaram a realização desse projeto, descreve as reviravoltas políticas e burocráticas que, iniciadas durante o período da Regência, se prolongaram até 1856 e são solucionadas com a aprovação do conjunto estatuário proposto pelo escultor francês Louis Rochet (1813-1878).

Além de revelarem os referenciais estéticos do autor, os dois artigos possuem grande valor documental para os estudiosos da arte brasileira por trazerem a transcrição integral das atas de reunião das comissões de 1838, publicadas na Revista Guanabara, e a compilação, já nas páginas da Revista Popular, de trechos dos contratos celebrados em 1856 pelo governo brasileiro com o já mencionado escultor francês.

O mesmo tema é retomado em 1861, numa extensa nota publicada anonimamente na sessão de crônicas da revista que, rebatendo uma crítica irônica e pejorativa publicada na revista francesa La Presse, pelo escritor Paul de Saint-Victor (1827-1881), se manifesta em favor do conjunto estatuário de Rochet e celebra os trabalhos de outros artistas nacionais.

No campo da literatura, destaca-se a publicação de capítulos esparsos da História da Literatura Brasileira, de Joaquim Norberto de Sousa e Silva (1820-1891), e o artigo Da Crítica Brasileira, de Antonio Joaquim Macedo Soares (1838-1905). Publicado em 1860, este último texto faz uma análise geral da atividade crítica desenvolvida nos periódicos fluminenses e estabelece as diferentes considerações políticas que, segundo o autor, determinam a crítica literária exercida no Brasil. Ilustrando as características dessa atividade – designadas como crítica contemplativa, crítica admirativa, crítica noticiosa e crítica satírica –, o autor lista suas distinções, apontando o caráter pernicioso de cada uma delas para o desenvolvimento da literatura nacional.

Ao longo dos 16 números publicados entre 1859 e 1862, percebe-se uma paulatina valorização das atividades ligadas à literatura e ao teatro em lugar do espaço anteriormente destinado às ciências. Distinguindo-se de outras publicações do período, a Revista Popular passa a dedicar sessões exclusivas à economia doméstica e a um catálogo de modas ilustrado com estampas impressas na França.

Consolidando esta nova opção editorial, Garnier funda, em 1863, outra publicação importante para a história da imprensa brasileira, o Jornal das Famílias, que, inteiramente editado em Paris, destaca-se pela qualidade das ilustrações e pela colaboração assídua do escritor Machado de Assis (1839-1908) e de outros autores que haviam contribuído para o sucesso da Revista Popular.

Ficha Técnica da obra Revista Popular:

  • Datas de criação da obra:
    • data de início: 1859  |  data de fim: 1862

Fontes de pesquisa (3)

  • PINHEIRO, Alexandra Santos. Revista Popular (1859-1862) e Jornal das Famílias (1863-1878): dois empreendimentos de Garnier. 2002. Dissertação (mestrado em letras), Faculdade de Ciências e Letras, Unesp, Assis, 2002.
  • REVISTA POPULAR. Noticiosa, scientifica, industrial, histórica, litteraria, artística, biographica, anedoctica, musical, etc., etc. Jornal Ilustrado. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1859-1862.
  • SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. - 4ª edição [atualizada]. Rio de Janeiro: Mauad, 1999. 

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • REVISTA Popular. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra71008/revista-popular>. Acesso em: 04 de Dez. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7