Artigo da seção obras Revista Brasileira

Revista Brasileira

Artigo da seção obras
Literatura  

Sendo uma das publicações de maior duração da história da imprensa nacional, a Revista Brasileira, em suas diversas fases, cobre o período que se estende da segunda metade do século XIX até os dias de hoje. Editada pela primeira vez em 1855 pelo médico, dramaturgo e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) Francisco de Paula Menezes (1811-1857), surge com o nome de Revista Brasileira: Jornal de Literatura, Teatros e Indústrias. O primeiro número traz uma série de artigos sobre a atuação do Conservatório Dramático, órgão responsável pela análise e eventual censura dos espetáculos teatrais encenados na corte. 

Apesar de poucos exemplares serem editados e do caráter descontínuo da publicação, os textos redigidos por Paula Menezes revelam os mecanismos de funcionamento da instituição e, num segundo momento, apresentam críticas severas aos critérios utilizados pelos censores no julgamento dos textos encaminhados. Em 1857, o Conselheiro Cândido Baptista de Oliveira (1801 - 1865), decide relançar o periódico e, inspirando-se no projeto editorial da extinta Revista Guanabara, associa-se a Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), Joaquim Manuel de Macedo (1820 - 1882) e Antônio Gonçalves Dias (1823 - 1864), antigos responsáveis por essa publicação literária. Começa a segunda fase da agora chamada Revista Brasileira: Jornal de Ciência, Letras e Artes, que circulou com algumas interrupções até 1861. 

A nova revista - inserida no projeto nacionalista e civilizatório que caracterizou a segunda metade do século XIX - amplia significativamente o número de colaboradores vinculados às ciências naturais e traz textos literários e críticos redigidos pelos três autores citados. Reunindo os expoentes do primeiro romantismo brasileiro e cientistas de diversas áreas, a publicação apresenta um espírito renovador que, na época, inspirava grande parte dos intelectuais. 

Anos depois, sem abandonar o compromisso com a divulgação dos temas científicos, inicia-se, sob a direção de Nicolau Midosi (1838-1889), a terceira fase do periódico. Com o título simplificado de Revista Brasileira, circula entre 1879 e 1881 e traz como principal inovação as seções Crônica TeatralCrônica Literária e Bellas Artes, assinadas por Visconty Coaracy (1839-1892), Carlos de Laet (1847-1927) e Bethencourt Silva (1831-1911), que, em longos artigos, propõem uma análise mais aprofundada do teatro, da literatura e das artes visuais, respectivamente. 

Em relação às artes visuais, os textos publicados em 1879 ganham destaque na medida em que, revelando o posicionamento assumido pelo crítico da revista diante da 25ª Exposição Geral de Belas Artes e da mostra Coleção de Quadros Nacionais, Formando a Escola Brasileira, inauguram o debate em torno da constituição de uma estética tipicamente nacional. Esse tema é tratado pelos principais jornais cariocas e mobiliza a opinião de críticos como Angelo Agostini (1843-1910), Mello de Moraes Filho (1844-1919) e João Severino Rangel de S. Paio (1838-1893). 

Midosi aposta também na publicação de textos autorais, lançando uma série de folhetins que, devido sua importância e a boa aceitação do público, seriam posteriormente editados em livro. Entre eles se destaca, no campo ficcional, Memórias Póstumas de Brás Cubas, romance de Machado de Assis (1839-1908), apontado como um dos principais textos do realismo literário brasileiro. Nas áreas de história e crítica literária são editados Introdução à História da Literatura Brasileira, de Silvio Romero (1851-1914); e José de Alencar: Perfil Literário, escrito por Araripe Júnior (1848-1911), ainda hoje tidos como referências fundamentais para o estudo da literatura brasileira. 

Entre 1895 e 1899, sob a direção do crítico José Veríssimo (1857-1916), a quarta fase da Revista Brasileira reafirma seu compromisso com o desenvolvimento da cultura nacional e, sem abrir mão das artes e das ciências, aposta nos conteúdos ligados à literatura. O editorial do primeiro número apresenta a nova revista como um veículo "profundamente liberal e pluralista", preocupado exclusivamente com a importância dos textos publicados. Essa postura está ligada aos novos rumos políticos do Brasil e ao compromisso de consolidar os ideais republicanos. Dessa forma, o novo periódico se propõe a editar artigos redigidos também por autores contrários ao regime, desde que o seu conteúdo esteja aberto ao diálogo, conforme a postura defendida pelos editores.  

Por isso, em sua fase republicana, a Revista Brasileira acabou reunindo os pontos de vista defendidos por antigos colaboradores monarquistas aos de jovens autores como Coelho Netto (1864-1934), Clóvis Beviláqua (1859-1944), Raul Pompéia (1863-1895) e Artur de Azevedo (1855-1908), que haviam militado fervorosamente em favor do novo regime. 

Refletindo o bom convívio destes intelectuais e o prestígio da publicação, a nova sede da revista, instalada na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, acabou servindo como palco para as reuniões que culminaram na fundação, em 1897, da Academia Brasileira de Letras (ABL). 

Encampada no início dos anos de 1940 pela ABL, a Revista Brasileira inicia seu último ciclo sob a direção exclusiva de autores acadêmicos. Desde então circula em tiragens de periodicidade irregular. É coordenada até a década de 1980 por Levi Carneiro (1882-1971) e Josué Montello (1917-2006). Retomando o projeto no início da década seguinte, João de Scatimburgo (1915) consegue estabelecer definitivamente a regularidade da publicação.

Fontes de pesquisa (6)

  • ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS/Revista Brasileira - Disponível em: http://www2.academia.org.br/. Acesso: 30 set. 2010
  • REVISTA BRAZILEIRA: jornal de sciencias, letras e artes. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1895-1899. (18 números). 
  • REVISTA BRAZILEIRA: jornal de sciencias, letras e artes. Rio de Janeiro: Typ. J. D de Oliveira, 1879-1881. (10 números). 
  • REVISTA BRAZILEIRA: jornal de sciencias, letras e artes. Rio de Janeiro: Typographia Universal de Laemert, Rio de Janeiro, 1857-1861 (4 números). 
  • SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. - 4ª edição [atualizada]. Rio de Janeiro: Mauad, 1999. 
  • VERGARA, Moema Rezende. A Revista Brasileira: vulgarização científica e construção da identidade nacional na passagem da Monarquia para a República. Orientador: Marco Antonio Villela Pamplona. - Rio de Janeiro : PUC, Departamento de História, 2003. Tese (doutorado), 234 f.   

Como citar?

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  • REVISTA Brasileira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra71007/revista-brasileira>. Acesso em: 04 de Dez. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7