Artigo da seção obras O Brazil Artístico: revista da Sociedade Propagadora das Belas Artes

O Brazil Artístico: revista da Sociedade Propagadora das Belas Artes

Artigo da seção obras
Literatura  
Data de criaçãoO Brazil Artístico: revista da Sociedade Propagadora das Belas Artes: 1856 Local de criação: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Local de término da criação: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Editada pela Sociedade Propagadora das Belas Artes (SPBA), no Rio de Janeiro, a revista O Brazil Artístico assinala os esforços de artistas, literatos, profissionais liberais e políticos que, reunidos nessa agremiação, contribuem de maneira importante para a renovação do cenário artístico e educacional do país. A SPBA, fundada em 1856 com o apoio da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, surge com o intuito de estimular, através do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (LAO/RJ), a educação popular gratuita, voltada às necessidades da iniciante indústria nacional.

Apropriando-se do discurso civilizatório e nacionalista que, com ajuda do romantismo, se consolida ao longo do século XIX, tanto a SPBA quanto a LAO elegem o progresso material e o liberalismo como pilares do desenvolvimento da nação. Ao estabelecer o apuro estético e a especialização técnica como bases de sua ação pedagógica, a grade de cursos do liceu propõe a valorização das ciências exatas e das práticas artísticas relacionadas ao desenho e à escultura, tendo em vista o aperfeiçoamento e também o aumento da mão de obra empregada em ofícios relacionados às artes liberais e à atividade industrial do país.

Resultado das atividades da SPBA e do LAO, esse periódico possui uma trajetória singular. Publicado pela primeira vez em 1857, como veículo impresso da SPBA, O Brazil Artístico – revista dirigida por Francisco Joaquim Bethencourt da Silva (1831-1911), arquiteto das Obras Públicas do Rio de Janeiro, professor da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba) e idealizador da SPBA e do LAO –  tem em sua primeira fase apenas seis edições publicadas e circula com regularidade até ser suspensa por motivos financeiros em março de 1858. Ressurge no início do século XX, com a publicação de um volume comemorativo que traz a edição fac-similar dos antigos exemplares e apresenta reflexões contemporâneas sobre as contribuições da SPBA e do LAO para o desenvolvimento das atividades artísticas e industriais no Brasil.

Apesar dos poucos números editados no período, eles constituem uma fonte importante de informações para estudiosos da história da arte e da educação devido à publicação integral dos discursos proferidos pelos principais incentivadores do LAO e da SPBA, revelando, sob diversos pontos de vista, as ideias que permeiam o processo de implantação do ensino técnico no país.

Assinados por Bethencourt Silva, pelo médico e membro do Conservatório Dramático Domingos Jacy Monteiro (1831-1896) e pelo político Eusébio de Queirós (1812-1868), aclamado presidente da SPBA e autor, em 1850, da lei de extinção do tráfico negreiro, esses discursos trazem à tona aspectos relevantes do ideário que, desde então, incentiva o lento processo de assimilação do trabalho livre como força motriz do desenvolvimento cultural e econômico da nação.

Além desses documentos, destacam-se os textos publicados nas sessões Crônica Artística e Theatros, em que, por meio de notas relativamente curtas, diferentes autores apresentam um balanço crítico de alguns acontecimentos artísticos da corte. Em relação às artes visuais, os textos assinados por Bethencourt Silva ganham relevância por expressarem, através da análise dos trabalhos realizados por artistas vinculados a SPBA – como Agostinho José da Motta (1824-1878), François René Moreaux (1807-1860) e Joaquim Lopes de Barros Cabral Teive (1816-1863) – a defesa intransigente da pintura histórica e de paisagem como gêneros propícios à consolidação de uma escola estética tipicamente brasileira.

Nesses textos, chama atenção o tom ácido das críticas direcionadas a Manoel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), então diretor da Aiba que, opondo-se à nomeação de Cabral Teive para ocupar a cadeira de pintura histórica na instituição, acaba pedindo sua exoneração da direção da academia.

Em relação ao exemplar comemorativo, lançado em 1911, ainda sob a direção de Bethencourt Silva, e contando com a ampliação significativa do quadro de colaboradores, destacam-se os textos que rememoram a história da SPBA e do LAO e revelam aspectos do funcionamento das duas instituições, ressaltando a sua importância para o desenvolvimento da arte e da indústria nacional. Nesse volume, merece atenção o texto intitulado “O Ensino de Desenho no Liceu de Artes e Ofícios”, assinado por F. da Silva, que apresenta vários aspectos da relação de competitividade e dependência que com o passar dos anos se estabelece entre o LAO e a Aiba. Essa relação pode ser compreendida na medida em que o progresso do liceu depende do sucesso da Academia de Belas Artes, mesmo com atuações em campos diferentes – o liceu no aperfeiçoamento e formação em ofícios próprios das indústrias de manufatura e a academia na formação de artistas, como pintores e  escultores – ambos têm como objetivo fornecer uma formação artística para seus alunos. Citando diversas vezes o crítico Félix Ferreira (1848-1898), o autor descreve os embates travados por partidários das duas instituições e estabelece as particularidades metodológicas e as finalidades estéticas e pedagógicas que determinam o funcionamento de cada uma delas. Posteriormente, F. da Silva aponta o liceu como a escola preparatória ideal para os postulantes a uma vaga na Aiba.

Ficha Técnica da obra O Brazil Artístico: revista da Sociedade Propagadora das Belas Artes:

  • Data de publicação
    • 1856
  • Autores
  • Local de publicação
    • Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
  • Idioma dessa tradução da obra:
    • português

Fontes de pesquisa (3)

  • FERREIRA, Félix. Do ensino profissional. Lyceu de Artes e Ofícios: seguindo dos estatutos da Sociedade Propagadora das Bellas Artes e dos regulamentos e regimentos do mesmo Lyceu. Rio de Janeiro: Imprensa Industrial, 1876.
  • O BRAZIL ARTÍSTICO: revista da sociedade propagadora das bellas artes do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Typographia Imparcial, Rio de Janeiro, 1911. (Contém a edição fac-similar dos exemplares publicados em 1857 e 1858.)
  • SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. - 4ª edição [atualizada]. Rio de Janeiro: Mauad, 1999. 

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • O Brazil Artístico: revista da Sociedade Propagadora das Belas Artes. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra71004/o-brazil-artistico-revista-da-sociedade-propagadora-das-belas-artes>. Acesso em: 29 de Nov. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7