Artigo da seção obras Edifício do Hospital Albert Einstein

Edifício do Hospital Albert Einstein

Artigo da seção obras
Artes visuais  
| Data de término da criação 1958 Rino Levi
Edíficio
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Reprodução fotográfica André Seiti/Itaú Cultural

O projeto para a sede do Hospital Albert Einstein (1958)1 destaca-se por sua contribuição para o desenvolvimento da arquitetura moderna brasileira no segmento hospitalar e por integrar a ampla e variada produção do arquiteto Rino Levi (1901-1965).

Em abril de 1958, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (SBIABE) realiza um concurso para seleção do projeto que dará origem ao hospital. Um representante da SBIABE e os arquitetos Vilanova Artigas (1915-1985) e Oswaldo Bratke (1907-1997), do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo (IAB-SP), avaliam as propostas e selecionam a de Rino Levi, Roberto Cerqueira César (1917-2003) e Luiz Roberto Carvalho Franco (1926-2001), sócios no escritório Rino Levi Arquitetos Associados.

A empresa recebia demandas variadas nesse período: além de ter participado do concurso urbanístico para o plano piloto de Brasília, desenvolvia e realizava projetos para cinemas, fábricas, conjuntos residenciais, laboratórios, hangares, colégios e casas. No segmento hospitalar e médico, desenvolvia trabalhos desde 1927.

O projeto para o hospital Albert Einstein é criado no contexto em que a consolidação do desenvolvimento industrial e o expressivo crescimento da população e das cidades exigem a implementação de uma nova estrutura urbanística, influenciada pelas premissas estéticas e funcionais da arquitetura moderna. O programa prevê uma construção dividida em dois blocos perpendiculares que, formando um T, seriam conectados por elevadores. Os blocos organizariam o fluxo de pessoas e os usos da instituição: hospitalizações e internações ocorreriam no edifício mais alto (vertical), e os demais serviços, no edifício mais baixo, de sentido transversal.

Para assegurar o bem-estar dos usuários (funcionários, pacientes e visitantes), preservando o conforto visual e psicológico, os arquitetos preveem uma área ajardinada no lote: mais de três quartos do terreno seriam destinados à área verde. Com a mesma intenção, projetam um solário no último andar do volume vertical e, no quarto pavimento, uma laje-jardim no nível da residência médica, do refeitório e da biblioteca.

A preocupação com o conforto térmico faz os arquitetos projetarem corta-sóis fixos nas aberturas das circulações internas entre os blocos. Assim, o edifício se beneficiaria de uma iluminação difusa e de ventilação natural para os cômodos. O agrupamento de usos e atividades diferentes é desenvolvido pelo escritório com estudos de fluxograma de circulação. Esse tipo de distribuição evita conflitos decorrentes de trajetórias distintas dos usuários, gerando uma organização do espaço que proporciona aos visitantes do edifício um rápido entendimento de suas áreas.

Com uma planta flexível, implementações, modificações e adaptações futuras seriam possíveis e descomplicadas. O projeto propõe três estratégias para garantir a flexibilidade: a modulação, a construção de câmaras entre as lajes do piso e do forro e o uso de tetos sem nervuras aparentes. Esse planejamento prevê futuras instalações e o remanejamento do espaço sem prejudicar a estrutura e a estética dos edifícios.

O projeto do hospital Albert Einstein deixa uma importante contribuição para a arquitetura nacional, por seu valor técnico e sua expressão na trajetória de Rino Levi. O trabalho interdisciplinar e de alta complexidade, exigido pelo programa hospitalar, é conduzido para atender às demandas técnicas, ao conforto dos usuários e à necessidade de inserção na paisagem.

Notas

1. O Hospital Albert Einstein, inaugurado em 1971, no bairro do Morumbi, em São Paulo, foi construído na década de 1960 com muitas modificações em relação ao projeto inicial. Durante a construção, o escritório Rino Levi foi acionado para readequar a obra, mas alterações irreversíveis, realizadas pela empresa construtora, não permitiram a implementação da ideia original.

Ficha Técnica da obra Edifício do Hospital Albert Einstein:

  • Outros Títulos
    • Edifício Manoel Tabacow Hidal
  • Data de término da criação
    • 1958
  • Autores

Fontes de pesquisa (5)

  • ANELLI, Renato Luiz Sobral. Arquitetura e a Cidade na Obra de Rino Levi. Tese de doutorado, FAU-USP, 1990.
  • ARANHA, Maria Beatriz de Camargo. A obra de Rino Levi e a trajetória da arquitetura moderna no Brasil. 2008. Tese (Doutorado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. 
  • BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1981.
  • MACHADO, Lucio Gomes. Rino Levi e a renovação da arquitetura brasileira. Tese de doutorado. São Paulo, FAUUSP, 1992.
  • MELENDRES, Carolina Nunes. O homem e o espaço hospitalar: o Edifício Manoel Tabacow Hidal Hospital Albert Einstein (1958). 2011. 177 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2011.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • EDIFÍCIO do Hospital Albert Einstein. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra70948/edificio-do-hospital-albert-einstein>. Acesso em: 30 de Mar. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7