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Artes visuais

Cine Universo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.11.2021
1939
Acervo da biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP)

Cine Universo, 1939
Rino Levi

O Cine Universo é um edifício de cinema projetado em 1936 pelo arquiteto modernista Rino Levi (1901-1965) e inaugurado na cidade de São Paulo em 1939. Por sua qualidade técnica, acústica e visual, torna-se uma referência em desenho para outras salas de cinema criadas na época.

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O Cine Universo é um edifício de cinema projetado em 1936 pelo arquiteto modernista Rino Levi (1901-1965) e inaugurado na cidade de São Paulo em 1939. Por sua qualidade técnica, acústica e visual, torna-se uma referência em desenho para outras salas de cinema criadas na época.

A obra surge no período em que diversos cinemas de rua são planejados para a cidade de São Paulo, entre 1930 e 1950. Nesse contexto, destacam-se duas regiões: a Cinelândia Paulistana, no centro da cidade, que envolve as avenidas Ipiranga, São João e São Luís, e o bairro do Brás, na zona leste da capital. O Cine Universo é construído nesta última região, na rua Celso Garcia, segunda área mais importante do território cinematográfico e uma das mais populosas na época.

Em uma região habitada pela classe operária, o cinema teria um público diferente do da Cinelândia, frequentada pela elite da capital. Ciente dessa distinção, o arquiteto evita excessos estilísticos na obra e prioriza uma construção de baixo custo, capaz de abrigar um número maior de pessoas (5.500 espectadores). A capacidade máxima de ocupantes é, no entanto, reduzida, devido a um código de obras lançado na época. Para adaptar a circulação aos novos parâmetros, a quantidade de lugares diminui para 4.324, divididos entre plateia e dois balcões. Mesmo com a mudança, o Cine Universo chega a ser conhecido como o maior cinema da América Latina.

O projeto é desenvolvido simultaneamente ao Cine Ufa-Palácio, também do arquiteto Rino Levi, inaugurado em 1936. Os dois cinemas chamam a atenção pela qualidade acústica, obtida por meio da aplicação de estudos do som, sobretudo os do físico estadunidense Wallace Sabine (1968-1919). O procedimento resulta numa quebra de paradigma na concepção de salas de cinema, antes projetadas como espaços teatrais. A forma paraboloide, presente nas paredes laterais, forro e piso do Cine Universo, passa a predominar, por sua qualidade de reverberação. Destaca-se ainda a qualidade acústica do palco, cujo forro possui planos refletores e laterais de superfícies côncavas, para repercutir o som para o fundo da sala.

Rino Levi inclui um forro móvel no centro da sala de projeções do cinema, que permite a visão parcial do céu durante as sessões. A estrutura do prédio, com exceção das colunas estruturais, é ocultada e exige soluções rebuscadas, devido à altura do pé-direito e do vão central. Disso resulta um reforço estrutural nas paredes laterais e a aplicação de materiais como ferro, madeira e concreto para a cobertura. O alto padrão técnico permite que a construção seja concluída em cinco meses.

A inserção no contexto urbano, característica da arquitetura de Rino Levi, também se destaca no trabalho: há uma preocupação em integrar exterior e interior, revelada pela continuidade da marquise, que se assemelha à “língua de uma boca que engole o espectador”, como descreve o arquiteto Renato Anelli1. Essa característica é a mais livre da regra forma-função aplicada ao projeto. Outra particularidade urbanística é o volume do edifício: afastado para o fundo do lote e com o conjunto marquise-entrada predominantemente horizontal, aproxima-se da escala do pedestre.

Em meados de 1950, com o advento da televisão, há uma redução de 620% de público nos cinemas. Nesse momento, muitas salas se tornam deficitárias, inclusive o Cine Universo, que encerra suas atividades e passa a integrar uma rede de varejo de roupas.

Apesar de extinta como cinema, a construção representa um marco na cultura nacional por enquadrar-se no conjunto de obras de eficiência técnica e estilística de Rino Levi. Também representa um ícone da cultura paulistana das décadas de 1940 e 1950.

Notas

1. ANELLI, Renato Luiz Sobral. Arquitetura de cinemas na cidade de São Paulo. 1990. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, 1990.

Fontes de pesquisa 7

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  • ANELLI, Renato Luiz Sobral. Arquitetura de cinemas na cidade de São Paulo. 1990. 3v. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP.
  • ARANHA, Maria Beatriz de Camargo. A obra de Rino Levi e a trajetória da arquitetura moderna no Brasil. 2008. Tese (Doutorado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.
  • SANTORO, Paula. A relação das salas de cinema com o urbanismo moderno na construção de uma centralidade metropolitana: a cinelândia paulistana. Anais do III Seminário Docomomo. Mackenzie. São Paulo, 2005.
  • SERAPIÃO, Fernando. Rino Levi: o racionalista dos trópicos. In: Projeto Design. ed. 262. Disponível em: https://www.arcoweb.com.br/projetodesign/artigos/artigo-rino-levi-o-racionalista-dos-tropicos-01-12-2001. Acesso em: 27 nov. 2019
  • SIMÕES, Inimá Ferreira. Salas de cinema de São Paulo. Pesquisa realizada pela Equipe Técnica de Cinema, da Divisão de Pesquisa do Centro Cultural São Paulo. Pesquisador: Inimá Ferreira Simões. Colaboradores: João Abdalla Saad Neto, Ricardo Mendes e Joel La Laina Sene. São Paulo, PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
  • SIMÕES, Inimá. Sala de cinema em São Paulo. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1990.
  • TAMANINI, Carlos Augusto de Melo. Reconstrução acústica das salas de cinema projetadas pelo arquiteto Rino Levi. 2011. Tese (Doutorado em Tecnologia da Arquitetura) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

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