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Artes visuais

Edifício do Sesc 24 de Maio

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.01.2020
2001
O edifício Sesc 24 de maio é de autoria do arquiteto brasileiro Paulo Archias Mendes da Rocha (1928), em parceria com o escritório paulista MMBB Arquitetos. Localizado na esquina da rua 24 de maio com a Dom José de Barros, no centro da cidade de São Paulo, é um projeto de reforma do edifício em desuso da Mesbla, loja de departamentos fechada em ...

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O edifício Sesc 24 de maio é de autoria do arquiteto brasileiro Paulo Archias Mendes da Rocha (1928), em parceria com o escritório paulista MMBB Arquitetos. Localizado na esquina da rua 24 de maio com a Dom José de Barros, no centro da cidade de São Paulo, é um projeto de reforma do edifício em desuso da Mesbla, loja de departamentos fechada em 1998. Após cinco anos em obras, é inaugurado em agosto de 2017, fruto de um projeto iniciado em 2001.

Como descrito no memorial da obra, trata-se de um projeto de transformação do patrimônio construído no qual convivem diferentes materialidades, antigas e recentes1. A mescla entre elementos de períodos distintos é característica de outros projetos de revitalização de Paulo Mendes da Rocha, como o da Pinacoteca de São Paulo (Pina_). Além disso, no conjunto de sua obra destaca-se a valorização da estrutura por meio de seu uso aparente. Essa qualidade é atribuída à denominada Escola Paulista Brutalista, da qual Mendes da Rocha é um dos expoentes.

O desafio inicial da equipe de arquitetos é a limitação do prédio antigo em termos de volume, considerando-se as solicitações de inserção feitas pelo contratante do projeto. Segundo Paulo Mendes da Rocha, a decisão de não demolir o prédio antigo é viabilizada graças à compra do pequeno edifício ao lado, de 7 m x 20 m. Com isso, é possível abrigar depósitos, instalações para funcionários e sanitários públicos, áreas necessárias ao funcionamento do edifício central2.

Quatro pilares de concreto compõem a nova sustentação independente. Ela está disposta nos vértices de um quadrado perfeito que delimita o vazio interno central do edifício antigo. Tal vazio (de 14 m x 14 m) tinha a função de poço de ventilação. Já a estrutura mais antiga é composta por uma malha regular típica de edifícios de escritório de sua época, com pilares a cada 4,5 m.

No caso do Sesc 24 de maio, a ênfase na técnica construtiva é representada pelo uso do concreto aparente. Além dela, outras qualidades estéticas utilizadas pelos arquitetos modernistas paulistas são os espaços amplos de convivência, o protagonismo das rampas espacialmente contínuas e o piso térreo aberto para a rua.

Sob outra perspectiva, chama a atenção o emprego do vidro em toda a extensão da fachada. Sua aplicação condiz com a vontade do arquiteto de fazer com que o edifício se confunda com a cidade. De dentro, é possível contemplar a movimentação do centro paulista, e, por fora, o edifício reflete o contexto urbano em que se localiza. Outra característica que se destaca é o empilhamento dos pavimentos.

A verticalização de complexos culturais na cidade de São Paulo é algo recorrente. Entre 2017 e 2018, três edifícios deste porte foram inaugurados: o Sesc 24 de maio, o Sesc Paulista e o Instituto Moreira Salles. Segundo o arquiteto Felipe Rodrigues, este fato seria mais uma condição da densidade construtiva paulista do que uma opção3. Rodrigues também identifica semelhanças entre esses edifícios e defende que certas opções, como o aproveitamento máximo da área de cada pavimento, são heranças da Escola Paulista Brutalista. 

Na cobertura do edifício, encontra-se a piscina descoberta, de 25 m x 25 m, que representa a máxima da premissa da permeabilidade entre dentro e fora, proposta pelo arquiteto. Com vista panorâmica da cidade, proporciona um espaço de lazer dedicado ao desfrute público. 

O 12º piso é destinado ao jardim da piscina e à cafeteria. Nesse andar, o pé direito baixo e a abertura na fachada de vidro contrastam-se e estimulam o olhar para a cidade. Espelhos d'água triangulares perimetrais são desenhados para receber a água que cai pelo movimento das pessoas na piscina do piso acima. Neles, é comum deparar-se com crianças brincando. O uso imprevisível feito pelos frequentadores do edifício é uma característica que remete ao Sesc Pompeia, da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992). Outro paralelo é a linha de mobiliário desenhada especificamente para o Sesc 24 de maio: uma linha de chapa metálica que permite o uso abundante da cor e possibilita combinações entre os móveis, compondo o ambiente de maneira lúdica.

A inauguração do Sesc 24 de maio ocorre quando o tema da revitalização do centro de São Paulo é mais recorrente e debatido. Por um lado, existe a especulação imobiliária da região, com edifícios destinados às classes média e média alta. Por outro, a defesa dos espaços públicos por parte da sociedade civil, desde praças e parques a edifícios considerados patrimônio histórico.

Mendes da Rocha afirma que a arquitetura não se faz sem o contexto urbano4. A repercussão social da obra e a relação com o ambiente em que está inserida são essenciais na abordagem arquitetônica. José Tavares Lira, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), chama a atenção para a urbanidade do Sesc 24 de maio, que "opera precisamente no sentido da densificação e diversificação social e funcional do velho centro"5.

O reconhecimento do edifício tanto por arquitetos quanto pelos usuários que se apropriam de seus espaços reflete a importância desta obra no atual cenário arquitetônico paulista. Por meio do desenho dos espaços e da combinação de materialidades, Paulo Mendes proporciona ao centro de São Paulo um edifício singular.

Notas

1. SESC 24 de maio. In: MMBB. Site Oficial do Escritório de Arquitetura. São Paulo, 2018. Disponível em: < http://www.mmbb.com.br/projects/details/45/4 > Acesso em: 18 set. 2018.

2.  ROCHA, Paulo Archias Mendes da. Paulo Mendes da Rocha + MMBB Arquitetos. Galeria da Arquitetura, São Paulo, fev. 2018. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=VfkeBvKc_iI >. Acesso em: 18 set.2018.

3.  RODRIGUES, Felipe SS. Trilogia do corte paulista e o corte livre. Sesc Paulista, Sesc 24 de maio, Instituto Moreira Salles e o contraponto de Angelo Bucci. Vitruvius, São Paulo, ano 19, n. 131.08, 2018. Projeto. Disponível em: < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.131/7092 >. Acesso em: 5 out. 2018.

4. PIRAZZOLI, Giacomo. Paulo Mendes da Rocha: Sobre o edifício Sesc 24 de Maio. Entrevista a Giacomo Pirazzoli. Vitruvius, São Paulo, ano 18, n. 075.01, set. 2018. Entrevista. Disponível em: < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/18.075/7107 >. Acesso em: 7 out. 2018.

5.  LIRA, José Tavares Correia de. O projeto mais fortemente urbano de Paulo Mendes da Rocha. Vitruvius, São Paulo, ano 17, n. 200.02, 2017. Crítica. Disponível em: < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/17.200/6654 >. Acesso em: 7 out. 2018.

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