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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

SR2

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.09.2019
1959
A denominação deriva das iniciais “s” e “r”, repetidas no nome do designer, Sergio Roberto Santos Rodrigues. Apesar de ele ter foco criativo concentrado no desenho de móveis – com produção superior a 1.200 modelos diferentes –, conquista  destaque como arquiteto com o sistema SR2.

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SR2 é o sistema desenvolvido por Sergio Rodrigues (1927-2014) para a construção de casas com elementos pré-fabricados em madeira, como painéis em módulos, que permitem a expansão do projeto. A possibilidade de transporte e a individualização de cada projeto são características importantes desse sistema.

A denominação deriva das iniciais “s” e “r”, repetidas no nome do designer, Sergio Roberto Santos Rodrigues. Apesar de ele ter foco criativo concentrado no desenho de móveis – com produção superior a 1.200 modelos diferentes –, conquista  destaque como arquiteto com o sistema SR2.

A premissa que orienta seus projetos é de que a arquitetura começa no interior. Nesse sentido, até a fachada é considerada um desdobramento do espaço interno. Verifica-se, portanto, que o projeto deve levar em conta as necessidades de cada família e não ser imposto pelo gosto ou estilo do arquiteto. 

Em 1959, Sergio Rodrigues inicia os estudos sobre o SR2 ao projetar uma casa de campo para o sogro que pudesse ser transportada. O primeiro estudo considera a utilização de estruturas tubulares em ferro galvanizado, revestidas com madeira do tipo compensado. Em projetos posteriores, utiliza exclusivamente a madeira, que pode ser de jatobá, garapa, ipê ou maçaranduba. 

Um protótipo do sistema com projeto assinado por Rodrigues e pela equipe de Oca Arquitetura, é apresentado na exposição Casa Individual Pré-fabricada, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em março de 1960. Niomar Moniz Sodré Bittencourt (1916-2003), uma das fundadoras do museu, faz o convite a Rodrigues, que constrói o protótipo, em escala real e com 50 metros quadrados de área construída, em apenas 20 dias. A exposição acontece nos jardins do museu, junto ao Bloco Escola (o Bloco de Exposições, edifício principal do MAM é inaugurado três anos depois, em 1963). Os painéis com os desenhos do protótipo são desenvolvidos pelos arquitetos Goebel Weyne (1933-2012) – que faz também o projeto gráfico do catálogo –, Artur Lício Pontual (1935-1972) e Marcos Vasconcellos (1934-1989). 

O catálogo tem texto do jornalista e crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981), que destaca a importância cultural do projeto para o homem moderno. Também circunscreve a proposta na estética das vanguardas internacionais (como a da Bauhaus, escola alemã de design dos anos 1920) e destaca a função social do sistema, viável para a habitação popular. Explica que, apesar do nome, a casa ainda não é pré-fabricada, mas construída com componentes disponíveis no mercado.

Os elementos construtivos, por serem modulares, permitem a montagem de casas em diferentes tamanhos para diferentes propósitos. Rodrigues afirma que a adaptabilidade do sistema possibilita a construção desde casas para cachorro até mansões de quatro pavimentos. Uma das prerrogativas é incentivar o morador a contribuir com detalhes, ou seja, a customizar o projeto. Assim, apesar de o sistema ser modular – o que implica monotonia – o caráter personalizável, de acordo com o desejo do dono, é um diferencial. Rodrigues incentiva o uso de cores, e privilegia ventilação e iluminação naturais. As paredes impermeáveis são compostas por materiais isolantes (térmicos e acústicos). Rodrigues antecipa ideias consideradas relevantes décadas depois, pois o sistema incorpora caráter sustentável, com baixo impacto econômico e energético, uso de materiais naturais e o conceito de planta adaptável. 

O sistema SR2 é continuamente aperfeiçoado. Entre 1960 e 1968, são montadas mais de 200 unidades, entre casas, clubes, hotéis e escritórios de campo, em todo Brasil. Destacam-se o Iate Clube Brasília, dois pavilhões para hospedagem e o restaurante da Universidade de Brasília e residências e um clube em Goiânia. No Amazonas, 70 unidades são transportadas para serem instaladas no Centro Humboldt de pesquisas.

Durante os anos 1970, Rodrigues desenvolve uma variante do SR2 específica para exportação, a Modu-lar, que adapta o sistema para as condições extremas de temperatura dos países do norte da Europa. O sistema é apresentado em exposições como O Design Brasileiro no Brasil: História e Realidade (1982), realizada no Sesc Pompeia, em São Paulo, e Saudades do Brasil: a Era JK (1992), mostra que viaja por cidades brasileiras. A 3a Bienal de Arquitetura (1997), no Pavilhão do Ibirapuera, em São Paulo, apresenta projetos residenciais realizados com o SR2 em regiões do Estado do Rio de Janeiro. Entre eles, destacam-se a Casa Xiklin, em Petrópolis, e o Projeto Aldeia de Benedita, construído para a atriz e apresentadora Regina Casé (1954), em Mangaratiba, na década de 1990.

O livro Fortuna Crítica de Sergio Rodrigues, organizado pelo Instituto Sergio Rodrigues, é publicado em 2018 com textos críticos sobre a recepção do SR2 e a reprodução integral do catálogo da exposição do MAM/RJ de 1960.  

Com o SR2, Sergio Rodrigues marca sua atividade como arquiteto, eclipsada pela carreira em design de móveis. O caráter inovador do sistema, que pressupõe área e custos escalonáveis, é verificado no tratamento de questões como sustentabilidade, adaptabilidade e mobilidade. A importância conceitual e cultural é percebida na presença do SR2 em exposições diversas, evidenciando a referência do sistema para novas gerações.

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