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Enciclopédia Itaú Cultural

Edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.01.2017
1969
O edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FAU no campus da Universidade de São Paulo - USP tem projeto encomendado a Vilanova Artigas (1915 - 1985), que o executa em 1961, com Carlos Cascaldi, seu colaborador em diversas obras realizadas no período. Professor da escola de arquitetura da USP, que funciona até então na antiga Vila Pente...

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Histórico
O edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FAU no campus da Universidade de São Paulo - USP tem projeto encomendado a Vilanova Artigas (1915 - 1985), que o executa em 1961, com Carlos Cascaldi, seu colaborador em diversas obras realizadas no período. Professor da escola de arquitetura da USP, que funciona até então na antiga Vila Penteado - casarão art nouveau localizado à rua Maranhão, no bairro paulistano de Higienópolis -, Artigas realiza um projeto para a faculdade, que evidencia as linhas mestras de sua concepção de arquitetura, bem como suas idéias a respeito da formação do arquiteto. No terreno plano da cidade universitária, testa e aprimora soluções já experimentadas, por exemplo, em dois colégios estaduais paulistas, o de Itanhaém (1960 - 1961) e o de Guarulhos (1961), realizados também em parceria com Cascaldi. O uso do concreto bruto, do vidro, a simplicidade de suas linhas, assim como a ênfase na integração dos espaços caracterizam esses edifícios, econômicos, funcionais e plasticamente originais.

O prédio da FAU, cuja construção é iniciada em 1966 e concluída em 1969, mostra-se externamente como um grande paralelepípedo em concreto, sustentado por pilares em forma de trapézios duplos, apoiados levemente sobre o solo. Ao contraste entre os leves pontos de apoio e o peso do volume que eles sustentam combina-se o jogo entre planos fechados (no alto) e superfícies envidraçadas ou abertas (na parte de baixo). O movimento que a frente propõe permite entrever os espaços internos do edifício, eles também pensados a partir da alternância de planos altos e baixos, cheios e vazios, linhas retas e curvas (empregadas no caracol destinado à direção do museu). A proposta central do projeto reside na idéia de continuidade espacial, que o grande vazio central explicita. Os seis pavimentos, ligados por rampas largas de inclinações suaves e variáveis, dão a sensação de um só plano. Todos os espaços do prédio encontram-se fisicamente interligados: as divisões utilizadas para separá-los não os seccionam de fato, apenas marcam diferenças de usos e funções. Os amplos espaços abertos e a comunicação entre os diferentes setores sublinham a necessidade de convivência e o ideal de um modo de vida comunitário que a arquitetura de Artigas defende. É pela relação estreita entre as pessoas e pelo aprendizado da vida em grupo, diz o arquiteto, que se torna possível combater o individualismo. "Pensei-o [o prédio da FAU] como a espacialização de democracia, em espaços dignos, sem portas de entrada, porque o queria como um templo, onde todas as atividades são lícitas".

A liberdade de experimentação e movimento que a estrutura arquitetônica propõe dialoga de perto com a concepção de ensino de arquitetura defendida por Artigas. A escola é concebida como um grande laboratório de ensaios, que articula arte, técnicas industriais e atividades artesanais, em um espírito de formação ampla para um profissional completo, de acordo com a filosofia da Bauhaus. As idéias de desenho e projeto estruturam o curso, que se desenvolve em torno do estúdio ou ateliê, pensados como espaços de aula e também de discussão. Na área interna do prédio encontram-se: oficinas de modelos, tipografia, laboratório fotográfico, estúdios, salas de aula, além de um auditório, biblioteca, café, secretarias, departamentos, um ateliê interdepartamental, o salão caramelo - amplo espaço de convívio social - e o museu "caracol".  Os espaços comunitários indicam a necessidade de aprendizado político; afinal, é nas assembléias que devem ser tomadas em conjunto - por professores, alunos e funcionários - as decisões pedagógicas.

Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat como patrimônio cultural do Estado, o prédio da FAU/USP é considerado uma das obras-mestras de Artigas, liderança que emerge na década de 1950 e que se torna uma das figuras mais importantes da arquitetura em São Paulo, na década seguinte. Professor engajado e militante de esquerda, Artigas desenvolve uma linguagem arquitetônica própria que procura uma síntese entre a arquitetura orgânica de Frank Lloyd Wright (1867 - 1959), sobretudo suas Prairies houses, com a linguagem da arquitetura racionalista de Le Corbusier (1887 - 1966), em voga na escola carioca de Lúcio Costa (1902 - 1998), Affonso Eduardo Reidy (1909 - 1964) e Oscar Niemeyer (1907-2012). Brutalismo, dizem alguns a respeito da "escola paulista" e do próprio Artigas, filiando-os ao movimento anglo-saxão de meados dos anos 1950. Artigas recusa veementemente todos esses rótulos e aproximações, numa série de artigos escritos ao longo de toda a sua vida profissional. De qualquer modo, localiza inspirações e aprendizados com linhagens variadas: Wright, Le Corbusier, a Bauhaus.

Fontes de pesquisa 5

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  • 100 ANOS DE ENSINO DE ARQUITETURA E URBANISMO EM SÃO PAULO. Catálogo da Exposição. Coordenação Nestor Goulart Reis. São Paulo: Museu da Casa Brasileira/Secretaria do Estado da Cultura, set. 1996, 97 pp. il. p&b.
  • ARTIGAS, Vilanova. Vilanova Artigas. Organização Marcelo Carvalho Ferraz; São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi : Fundação Vilanova Artigas, 1997. 215 p., il. color. (Arquitetos brasileiros).
  • BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. Tradução Ana M. Goldberger. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1999.
  • LES Libraries.FR. 1000 et un Brésils. Disponível em: https://www.leslibraires.fr/livre/1657548-1000-et-un-bresils-fernando-barata-jaildo-mar--christine-frerot-gerard-xuriguera-vincent-ros---espace-jean-legendre.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.

Como citar

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