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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Revista GAM

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.12.2020
12.1966
A revista GAM é uma das publicações sobre arte que surgem nos anos 1960 e 1970, paralelamente ao aumento do número de galerias de arte e de mostras importantes no Rio de Janeiro e em São Paulo. De fato, em seu primeiro editorial, seu objetivo declarado é servir de ponte entre os artistas e o público para diminuir a distância entre a informação d...

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Histórico

A revista GAM é uma das publicações sobre arte que surgem nos anos 1960 e 1970, paralelamente ao aumento do número de galerias de arte e de mostras importantes no Rio de Janeiro e em São Paulo. De fato, em seu primeiro editorial, seu objetivo declarado é servir de ponte entre os artistas e o público para diminuir a distância entre a informação disponível e o desenvolvimento artístico do país e responder ao crescimento do mercado. A GAM é, junto com o Mirante das Artes, de Pietro Maria Bardi (1900-1999), uma das primeiras iniciativas editoriais sobre as artes no período.

Editada no Rio de Janeiro, pela Editora Galeria de Arte Moderna, é lançada em dezembro de 1966 e sofre diversas alterações durante sua publicação. Inicialmente, a GAM tem periodicidade mensal e seu expediente mantém-se mais ou menos constante. O editor-chefe é Claudir Chaves e o diretor de arte é Juarez Machado (1941). A periodicidade da revista é relativamente respeitada até 1969, quando são publicados apenas dois números. A partir de 1970, ou o nº 22, a revista passa a ser publicada pelo Grupo de Planejamento Gráfico Editores. Alexandre Sávio torna-se editor-geral e Carlos Alberto Ribeiro assume a editoria de arte. A GAM passa a ter periodicidade bimestral.

Inicialmente impressa apenas em preto e branco, com uma cor a mais na capa a partir do nº 7, a GAM é impressa em off-set e, a partir do nº 11, traz reproduções coloridas. Também no nº 7 o bisão é escolhido como símbolo da revista. O formato é de 35 x 27,5 cm e o número de páginas fica entre 30 e 40, dependendo do período. A primeira fase da revista corresponde a um momento de particular efervescência na arte brasileira. Convém lembrar que o primeiro número da GAM sai pouco mais de um ano depois da exposição Opinião 65, que marca um momento fundamental da discussão pela volta da figuração nas artes plásticas. Essa discussão, por sua vez, se insere em um debate político no Brasil e a mostra é identificada por críticos como Frederico Morais (1936), Mário Pedrosa (1900-1981) e Ferreira Gullar (1930-2016), embora não abertamente nas páginas da GAM, como a primeira resposta efetiva das artes ao golpe militar de 1964. [1]

Mesmo que a reflexão não tenha saído abertamente nas páginas da GAM, Mário Pedrosa e Frederico Morais são colaboradores frequentes dessa fase. O primeiro publica, por exemplo, textos como “A Obra de Lígia Clark” (nº 1) e “A Função do Museu Dentro do Core Universitário” (nº 3). E o segundo, “Como Apalpar, Vestir, Cheirar e Devorar Obras de Arte. E Também Ver” (nº 3) e “Como É a Vanguarda Paulista” (nº 5). O artista Hélio Oiticica (1937-1980) também escreve na revista, publicando, por exemplo, “Parangolé: da Antiarte às Apropriações Ambientais” (nº 6) e “A Obra, Seu Caráter Objetal, o Comportamento” (nº 18). Portanto, pode-se dizer que a revista apoia a arte de vanguarda, a qual se opõe à ditadura. Os autores, no entanto, nunca se posicionam politicamente de maneira explícita e tampouco mencionam os acontecimentos políticos contemporâneos, como as intervenções do Estado nas manifestações artísticas, tais como o fechamento da 2ª Bienal da Bahia (dezembro de 1968) ou a oposição ao poder militar manifesta na exposição Do Corpo à Terra (Belo Horizonte, abril de 1970). Isso provavelmente é necessário para permitir a publicação da revista, e talvez esse fato explique a irregularidade da publicação no ano de 1969.

Ainda nessa fase, outros colaboradores frequentes são Clarival do Prado Valladares (1918-1983), Mário Barata (1915-1983), José Roberto Teixeira Leite (1930), Marc Berkowitz e Antônio Bento (1902-1988). Seus textos abordam a produção de artistas como Franz Krajcberg (1921-2017), Djanira (1914-1979), Rubens Gerchman (1942-2008) e Ivan Serpa (1923-1973). Também tratam de questões ligadas às grandes mostras, isto é, à Bienal de São Paulo (nº 9 e 10), Bienal de Veneza (nº 3) e também à Bienal Nacional de Artes Plásticas, mais conhecida como Bienal da Bahia (nº 2, 3 e 17). Colaboradores ocasionais escrevem artigos também sobre arquitetura, urbanismo e propaganda, mas o assunto predominante está voltado às artes plásticas. Nos nº 17 (1968) e nº 20 (1969), a revista se apresenta como catálogo oficial da 2ª Bienal da Bahia e do Salão dos Transportes.

A GAM tem a clara preocupação de incentivar o mercado da arte, apresentando não apenas notícias sobre galerias, preços de obras e anúncios, como também perfis de marchands. São apresentados, por exemplo, Jean Boghici (1928-2015), Giovana Bonino e Franco Terranova (1923). Além disso, percebe-se uma intenção didática, como nos textos de Mário Barata sobre o happening e de Teixeira Leite sobre o colecionismo.

A partir do nº 22, de 1970, a revista muda de proprietário e de expediente. O tamanho continua o mesmo e a diagramação é um pouco alterada, mas a principal mudança é o enfoque. Ela é agora apresentada como uma revista de cultura e artes visuais e trata de assuntos como cenografia, desenho industrial, televisão e cinema. Traz matérias sobre os museus de arte, como o Museu da Imagem e do Som (MIS-RJ), o Museu de Arte Sacra (MAS) e o Museu Lasar Segall, ambos em São Paulo. Os artigos sobre design, marcas e publicidade são frequentes (nº 22, 23 e 25). Frederico Morais continua a colaborar, mas aumentam as matérias não assinadas e surgem novos autores.

Em sua Cronologia das Artes Plásticas no Rio de Janeiro, Frederico Morais identifica uma terceira fase da revista, iniciada em 1976, que dura dois anos ao longo de 13 números, com o subtítulo de Jornal Mensal de Artes Plásticas. Nessa fase, ele aponta colaboradores novos como Baeta Neves, Jorge Mautner (1941) e Antônio Risério (1953) e avalia que a GAM abre-se mais ostensivamente para a produção de vanguarda.

 

Notas

1. A ditadura militar se instaura em 1º de abril de 1964 e permanece até 15 de março de 1985. Os direitos políticos dos cidadãos são cassados e os dissidentes perseguidos. Ver, também: REIS, Paulo R. O. Arte de vanguarda no Brasil: os anos 60. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.  p. 31, p. 58-65.

Fontes de pesquisa 4

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  • ARCO das rosas: o marchand como curador. Apresentação José Roberto Aguilar; texto Celso Fioravante; trad. Camila Henman Belchior. São Paulo: Casa das Rosas, 2001.
  • MORAIS, Frederico. Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: da Missão Artística Francesa à Geração 90: 1816-1994. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.
  • REIS, Paulo. Arte de vanguarda no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v. 2.

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