Artigo da seção obras O Mequetrefe

O Mequetrefe

Artigo da seção obras
Literatura  
Data de criaçãoO Mequetrefe: 1875 Local de criação: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de término da criação 1893 Local de término da criação: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Histórico

Editado entre 1875 e 1893 no Rio de Janeiro, O Mequetrefe se distingue em relação a outros periódicos ilustrados devido à qualidade artística de suas estampas e às criticas contra a monarquia e a exploração da mão de obra escrava no país. Progressivamente, se coloca em defesa das ideias republicanas e do liberalismo, tornando-se um marco importante da história editorial brasileira. Traz a colaboração de Olavo Bilac (1865-1918), Arthur de Azevedo (1855-1908), Raimundo Correia (1859-1911) e Francisco Filinto de Almeida (1857-1945). Além de contribuírem com poemas e textos literários assinados, se responsabilizam também, protegidos por pseudônimos, pela publicação de diversos artigos políticos e textos sobre o universo artístico fluminense.

O periódico tem colaboração de caricaturistas como Antonio Bernardes Pereira Netto (1800-1907), seu principal ilustrador até 1888; Cândido Aragonês de Faria (1849-1911); Antonio Alves Vale de Souza Pinto (1846-1921); Aluísio de Azevedo (1857-1913), que se destacará como autor do romance O Mulato (1880); e de Bambino, pseudônimo de Artur Lucas (?-1929). O Mequetrefe se apropria do modelo editorial consagrado por Henrique Fleiuss (1823-1882) com a Semana Ilustrada (1860-1876), mas se aproxima aos poucos das ideias republicanas. Intensifica, assim, o tom crítico dos seus textos e, ao utilizar ilustrações, amplia o seu potencial de comunicação. Contribui, também, para o desenvolvimento das atividades gráficas no país com a utilização da xilografia, que, devido às necessidades tipográficas da revista, possibilita a impressão de textos e imagens numa mesma página.

O periódico concentra nas ilustrações os conteúdos relacionados à crítica política e apresenta uma série de estampas que, de forma extremamente irônica, sintetizam os debates entre liberais e conservadores durante a campanha abolicionista; a Questão Religiosa; e o acirramento das disputas entre republicanos e monarquistas. Mesmo após a instauração da República, em 1889, são abordados os excessos cometidos pelos presidentes Deodoro da Fonseca (1827-1892) e Floriano Peixoto (1839-1895).

A coleção de 481 números traz também artigos importantes para a compreensão do cenário cultural fluminense e revela alguns pontos relevantes do discurso assumido pela nova geração de críticos. Começando a atuar por volta de 1875, eles propõem diferentes caminhos para o desenvolvimento das atividades artísticas no país, manifestando-se em favor da renovação do neoclassicismo e do romantismo.

Nas artes visuais, é importante ressaltar os artigos relacionados à 25ª Exposição Geral da Academia. Os textos, ao comentar a exposição de 1879, sinalizam a posição dos colaboradores da revista em relação à polarização estética e ideológica que ocorre no momento. Os comentaristas conservadores são partidários da Batalha dos Guararapes, exposta por Victor Meirelles (1832-1903). Já os liberais identificam na tela A Batalha do Avahy, de Pedro Américo (1843-1905), algumas inovações, já que ela traz o caos e a instabilidade próprios das batalhas, aproximando a arte brasileira dos debates estéticos associados à “moderna” arte europeia. Os colaboradores do Mequetrefe reconhecem inicialmente os méritos artísticos dos dois pintores. Retomam, porém, o argumento desenvolvido no jornal Gazeta de Notícias, por Alfredo Camarate (1840-1904) que, sob o pseudônimo Julio Huelva, defende a estética realista. Os comentadores do periódico identificam a filiação de Meirelles à escola idealista e o associam à estética da academia. Criticam essa instituição e demonstram maior entusiasmo pelo naturalismo da composição de Pedro Américo.

A década de 1880 é marcada pela crescente polarização entre republicanos e monarquistas e O Mequetrefe enfatiza as críticas direcionadas à academia, associando-a aos desmandos, à ineficiência e ao corporativismo que caracterizam o regime monárquico. Um exemplo de sua posição favorável aos republicanos é a valorização de novas estratégias para o desenvolvimento das artes no país. Nas notas publicadas nas sessões Quadros e Artistas e Belas Artes, são descritas exposições realizadas em estabelecimentos particulares, como as casas Moncada, Glacê Elegante, De Wilde, Vieitas e Notre Dame, e comentados os trabalhos apresentados nas Exposições da Aiba de 1884 e 1888. Os articulistas fazem duras críticas à academia e ao governo imperial. Elogiam, paralelamente, a atuação de artistas como Henrique Bernardelli (1858-1936), Rodolfo Amoedo (1857-1941), França Junior (1838-1890) e Facchinetti (1824-1900) que, atuando às margens da instituição, participam dos debates que culminam na reforma dos estatutos acadêmicos e na inauguração, em 1890, da Escola Nacional de Belas Artes (Enba).

Ficha Técnica da obra O Mequetrefe:

  • Datas de criação da obra:
    • data de início: 1875  |  data de fim: 1893
  • Local de publicação
    • Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro

Fontes de pesquisa (5)

  • COSTA, Carlos Roberto da. A revista no Brasil: o século XIX. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.
  • LIMA, Herman. História da caricatura no Brasil. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963. 4v.
  • LOPES, Aristeu Elisandro Machado. A República e seus símbolos: a imprensa ilustrada e o ideário republicano. Rio de Janeiro, 1868-1903. Tese (doutorado em História) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.
  • O MEQUETREFE. Rio de Janeiro: Nova Typ. de J.P. Hildebrandt, jan. 1875 à jan. 1893.
  • SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • O Mequetrefe. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra60574/o-mequetrefe>. Acesso em: 27 de Fev. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7