Artigo da seção obras A Marmota

A Marmota

Artigo da seção obras
Literatura  
Data de criaçãoA Marmota: 1849 Local de criação: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de término da criação 1861 Local de término da criação: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Francisco de Paula Brito

Histórico

A Marmota na Corte é um periódico que publica conteúdos voltados para o desenvolvimento moral e intelectual dos leitores por meio da sátira sobre o cotidiano. Além disso, apresenta atividades de entretenimento para o público feminino. Com circulação regular entre 1849 e 1861, no Rio de Janeiro, publica três fases com títulos diferentes: A Marmota na Corte, A Marmota Fluminense: Jornal de Modas e Variedades e A Marmota. É criado por Francisco de Paula Brito (1809-1861), editor e responsável por sua direção, e pelo baiano Próspero Ribeiro Diniz (1820-1852). Jornalista polêmico, Diniz atua como redator-chefe e responsabiliza-se por grande parte dos artigos publicados. 

Em sua primeira fase, de 1849 a 1852, trata pouco de artes plásticas, porém sua 29ª edição traz um artigo anônimo que comenta a 10ª Exposição Geral de Belas Artes (Egba). São analisados trabalhos de diversos pintores, como do tcheco Ferdinand Krumholz (1810-1878), o francês Jules Le Chevrel (ca.1810-1872), o suíço Louis Buvelot (1814-1888) e os brasileiros José dos Reis Carvalho (ca.1800-ca.1893) e José Correia de Lima (1814-1857). O texto aborda a importância da pintura para o crescimento do país, além de apontá-la como elemento significativo para o desenvolvimento da indústria nacional. Também critica a atuação da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), afirmando que a mostra apresenta poucos trabalhos de “real merecimento”.

Para justificar essa afirmação, o artigo exalta a qualidade das telas apresentadas pelos três artistas estrangeiros e elogia Reis Carvalho, apontando-o como especialista na representação de flores e frutos nacionais. Entretanto, salienta a falta de compromisso com o real no retrato de Dom Pedro II (1825-1891), apresentado por Correia de Lima, pintor consagrado e professor da cadeira de pintura histórica da Aiba.

Na fase seguinte, de 1852 a 1857, o periódico muda seu nome para Marmota Fluminense: Jornal de Modas e Variedades. Passa a ser dirigido por Paula Brito, que segue o projeto original e assume as funções do ex-sócio. São publicadas traduções de poemas e romances franceses e textos escritos por Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa (1812-1861) e Domingos José Gonçalves de Magalhães (1811-1882). Destaca-se a publicação, em 1854, de um texto não assinado descrevendo a sessão da Câmara Legislativa que aprova o concurso para a escolha do projeto da Estátua Equestre de D. Pedro I. O primeiro monumento público nacional, inaugurado apenas em 1862, é tema de intenso debate entre os principais críticos de arte brasileiros, que divergem sobre sua elaboração.

Em 1857, Paula Brito altera novamente o título da publicação, que passa a se chamar A Marmota: Folha Popular. No mesmo ano, um artigo assinado pelo pseudônimo Z descreve a cerimônia de inauguração da Sociedade Propagadora das Belas Artes (SPBA). Depois de elogiar  sua fundação, critica a falta de consistência do discurso de Bethencourt Silva (1831-1911) que, no cargo de secretário da SPBA, não sabe especificar a origem do dinheiro que viabiliza a agremiação.

Sobre teatro, é relevante a série de textos publicados por Machado de Assis (1839-1908), colaborador da Marmota entre 1855 e 1861. O escritor assina, aproximadamente, 50 crônicas e poesias. Destaca-se como crítico com a publicação dos textos “Idéias Vagas” (1856) [1], “O Passado, o Presente e Futuro na Literatura” (1858) e “O Conservatório Dramático” (1860). Esses artigos são apontados como referência para a compreensão das críticas feitas por intelectuais que, em meados do século, questionam os exageros dos dramas românticos e das tragédias neoclássicas e defendem as inovações estéticas propostas pelo “moderno” teatro realista francês.

A Marmota é suspensa em 1861 devido à morte do editor, mas volta a circular entre os meses de janeiro e abril de 1864 sob a direção da viúva e do genro de Paula Brito. Durante este período, são publicados 15 números, que encerram o periódico.

 

Nota

1. Artigo composto de três textos publicados entre os meses de junho e setembro de 1856. São eles: “Idéias Vagas – A Poesia” (nº 231); “Idéias Vagas – A Comédia Moderna” (nº 253) e “Idéias Vagas – Os Contemporâneos: Mont’Alverne” (nº 768 e 769).

Ficha Técnica da obra A Marmota:

Fontes de pesquisa (5)

  • A MARMOTA Fluminense: jornal de modas e variedades. Rio de Janeiro: Tipografia de Francisco Paula Brito, 1852-1857.
  • A MARMOTA na Corte. Rio de Janeiro: Tipografia de Francisco Paula Brito, 1849 - 1851.
  • A MARMOTA. Rio de Janeiro: Tipografia de Francisco de Paula Brito, 1857-1864.
  • SANTOS, Rinaldo Cavalcante dos. A Marmota na Corte: recreação e vereda literária no cenário cultural do século XIX (1849-1852). Dissertação (Mestrado em  Literatura e Vida Social) - Faculdade de Ciências e Letras de Assis da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Assis, São Paulo, 2009.
  • SIMIONATO, Juliana Siani. A Marmota e seu perfil editorial: Contribuição para edição e estudos dos textos machadianos publicados neste periódico (1855-1861). Dissertação (Mestrado em Teoria e Pesquisa em Comunicação) – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • A Marmota. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra4192/a-marmota>. Acesso em: 17 de Mai. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7