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Artes visuais

Cauduro Martino Arquitetos Associados

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.02.2017
1964 Brasil / São Paulo / São Paulo
Fundado em 1964, o escritório Cauduro Martino Associados surge em momento oportuno para a atuação de designers e arquitetos no espaço público nacional. Pioneiro no Brasil no que é denominado design total, o escritório atua durante 48 anos, sendo responsável por projetos que integram arquitetura, design gráfico e design de interiores, entre outros.

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Histórico

Fundado em 1964, o escritório Cauduro Martino Associados surge em momento oportuno para a atuação de designers e arquitetos no espaço público nacional. Pioneiro no Brasil no que é denominado design total, o escritório atua durante 48 anos, sendo responsável por projetos que integram arquitetura, design gráfico e design de interiores, entre outros.

Formados pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e, desde 1960, professores da mesma instituição, Ludovico Martino (1933-2011) e João Carlos Cauduro (1935) têm trabalhos anteriores à sociedade firmada em 1964. Em 1951, Martino trabalha no escritório dos arquitetos de Plinio Croce (1921-1984) e Roberto Aflalo (1926-1992). No mesmo ano, cursa dois semestres de desenho industrial no Instituto de Arte Contemporânea do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (IAC/Masp).

Ainda na década de 1950, Cauduro ingressa na faculdade e é contratado pelos arquitetos Joaquim Guedes (1932-2008) e Carlos Millan (1927-1964). Ao fim da sua graduação, ganha bolsa para estudar desenho industrial em Florença. Na sua viagem, divulga a exposição portátil sobre Brasília em vários países da Europa e conhece Le Corbusier (1887-1965) e Tomas Maldonado (1922), expoentes importantes da arquitetura moderna e do design. De volta ao Brasil em 1962, Cauduro abre seu próprio escritório. Em 1963, passa a trabalhar com o designer Karl Heinz Bergmiller (1928-1994), com quem projeta parte do mobiliário da Cidade Universitária (USP) e os elementos de desenho industrial da exposição sobre a hidrelétrica de Urubupungá, trabalho cuja parte gráfica é realizada por Martino e João Xavier. Com a ida de Bergmiller ao Rio de Janeiro, é firmada a sociedade entre Cauduro e Martino, em 1964. Em 1970, Marco Antonio Amaral Rezende passa a ser sócio do escritório.

Os primeiros trabalhos da sociedade estão inseridos em projeto maior, de modernização e desenvolvimento do país nas décadas de 1960 e 1970. Diante da recente inauguração da cidade de Brasília em 1960, as gerações que se formam em desenho industrial e arquitetura têm como referência a arquitetura moderna. Herdeiros de Le Corbusier, defendem o arquiteto como protagonista na organização do espaço urbano. Racionalismo, pragmatismo e simplicidade são valores que norteiam seu trabalho.

Já os trabalhos realizados por Cauduro e Martino de meados de 1960 até a década de 1980 partilham da ideia do design total: “somatória de habilidades projetuais”, que pensa a intervenção e a criação da identidade do espaço – seja ele uma avenida ou empresa – de maneira sistêmica. O termo tem influência da Bauhaus e de sua compreensão da “obra de arte total”, na qual a arquitetura é a maior de todas as artes. No design, o primeiro a trabalhar com essa ideia de projeto totalizante é Peter Behrens (1868-1940), na empresa alemã de Eletricidade AEG (Allgemeine Elektricitäts-Gesellschaft), em 1907.

Nesse sentido, após a reformulação da identidade visual da empresa Villares, em 1967, Cauduro e Martino realizam quantidade significativa de trabalhos na cidade de São Paulo, como a comunicação visual do metrô da cidade (1967), do zoológico (1972), da Avenida Paulista (1973) e da rede de transportes públicos da capital paulista (1974). Também são responsáveis pela identidade visual do Banespa (1975) e da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em 1977. Em nível nacional, destaca-se o símbolo da TV Cultura, criado em 1968 e, fora do Brasil, o escritório faz o sistema de sinalização do metrô de Buenos Aires junto com o arquiteto Guillermo Gonzalez Ruiz (1937), em 1981.

Exemplo notável de planejamento sistêmico é a Avenida Paulista. Enquanto a arquiteta e paisagista Rosa Grena Kliass (1932) cuida do projeto paisagístico, Cauduro e Martino pensam a comunicação visual e o mobiliário urbano da avenida. O objetivo é aliar soluções para problemas como o excesso de trânsito e de placas na avenida à resignificação do locus que é símbolo da cidade de São Paulo. O trabalho passa por modificação do local das paradas de ônibus, confecção de mobiliário em série e padronização de postes e placas. Destaca-se no projeto o poste de uso múltiplo, reproduzido posteriormente em diversos centros urbanos brasileiros. Feito pela primeira vez em 1933 por Massimo Vignelli (1931) no metrô de Washington, o poste surge como solução econômica para o excesso de placas na avenida. Valendo-se da escrita vertical, o escritório usa o próprio suporte como meio das mensagens. Ainda, o mesmo objeto concentra semáforos, lixeira, nomes de ruas e informações sobre logradouros.  

As mudanças de gestões da prefeitura e a dificuldade de obtenção de verba pública faz com que parte do que fora desenhado para a cidade deixe de ser implementado. Se na Avenida Paulista restam hoje apenas alguns dos postes sucateados, no caso dos transportes e do zoológico parte do projeto é abandonada ou substituída por projetos de outros escritórios. No lugar das cores branco e ocre, pensadas pelo escritório para móveis e veículos, há frequentemente cores fortes e propagandas de empresas privadas.

Caso paradigmático no qual há total implementação do projeto é o Banespa. Sua reformulação passa por todos os níveis: talões de cheque, formulários, nome da empresa, logotipo, uniformes dos funcionários, arquitetura das agências, mobiliário, comunicação interna e, finalmente, o Manual de Identidade Visual do banco. O logotipo do banco, grafado em caixa baixa com letra Univers, destaca as letras “sp”. Exibido na área externa das agências, o totem de fibra de vidro produzindo industrialmente é branco e tem as letras destacadas em relevo. A escolha da cor e da não utilização de luminosos prima pela leveza visual e pela não poluição do ambiente, respeitando a arquitetura e o entorno de cada agência.

Se até meados da década de 1970 há participação de peso na construção da cidade, a partir de 1980 o escritório volta-se para grandes empresas privadas como a Kibon, o Playcenter e a Natura. Distanciado da arquitetura, continua fiel ao léxico construtivista, primando pela geometria e precisão dos símbolos e logotipos. Permanece válida também a noção de identidade visual corporativa moderna, que tem como precursora a empresa italiana Olivetti, cuja chegada no Brasil data de 1952. Opondo-se à divisão feita pela escola de Ulm entre gráfica, produto e pré-fabricados, o escritório entende que não é possível pensar a marca de maneira segmentada.

Para o poeta Décio Pignatari (1917-2012), Cauduro e Martino Associados tem papel central na consolidação do design gráfico brasileiro. O autor insiste na diferença entre o designer e o publicitário: “A publicidade é a poética do consumo e o design é a poética da produção”.

Notas

PIGNATARI, Décio. Marca do tempo, tempo da marca. In: CAUDURO, João Carlos; LUDOVICO, Martino. Marcas trade marks CM Cauduro Martino Arquitetos Associados. São Paulo: Imprensa Oficial, 2005.

Fontes de pesquisa 4

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  • CAUDURO, João Carlos; LUDOVICO, Martino. Marcas trade marks CM Cauduro Martino Arquitetos Associados. São Paulo: Imprensa Oficial, 2005.
  • LEON, Ethel. Os arquitetos do design total. In: LEON, Ethel. Memórias do design brasileiro. São Paulo: Editora Senac, 2009.
  • LONGO, Celso. Design total. Cauduro Martino 1967-1977. [Dissertação de mestrado], Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. 2009. 162 f.
  • PIGNATARI, Décio. Marca do tempo, tempo da marca. In: CAUDURO, João Carlos; LUDOVICO, Martino. Marcas trade marks CM Cauduro Martino Arquitetos Associados. São Paulo: Imprensa Oficial, 2005.

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