Artigo da seção instituições Companhia Cinematográfica Maristela

Companhia Cinematográfica Maristela

Artigo da seção instituições
Cinema  
Data de aberturaCompanhia Cinematográfica Maristela : 1950 Local de abertura: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de fechamento 1958 Local de fechamento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

A Companhia Cinematográfica Maristela é uma produtora brasileira de cinema, ativa na cidade de São Paulo entre 1950 e 1958. Produz, no total, 14 filmes de longa-metragem, entre comédias, filmes de ação e melodramas. Também cede estúdio e equipamentos para outros filmes relevantes do período. 

O contexto de criação da Cinematográfica Maristela é o do otimismo do empresariado industrial paulista que, com os bons resultados financeiros obtidos no pós-Segunda Guerra Mundial, passa a investir em iniciativas culturais, em sintonia com as práticas de mecenato norte-americanas e europeias. A família do empresário Mário Boeris Audrá (1890-1965), cujos negócios se concentram na área têxtil e em serviços de transportes, vive esse momento em condições extremamente favoráveis, e o filho caçula, o produtor de cinema Mário Audrá Junior (1921-2004), também conhecido como Marinho, decide investir em cinema.

O pesquisador Afrânio Mendes Catani (1953) divide em quatro fases a trajetória da Maristela. A primeira, do final de 1950 a meados de 1951, começa com a formação da sociedade Cinematográfica Maristela Ltda., registrada em agosto de 1950, tendo como sócios Mário Audrá Junior, o cenógrafo italiano Ruggero Jacobbi (1920-1981), o produtor italiano Mario Civelli (1923-1993) e Carlos Alberto Porto. Marinho tem como referência o neorrealismo italiano, mas, sem familiaridade com o mundo da produção cinematográfica, propõe a Jacobbi a sociedade, por ver nele os atributos criativos necessários, imaginando que um homem do teatro é capaz de fazer cinema também. 

Por influência de Civelli, o grupo adquire um terreno em Jaçanã, na Zona Norte de São Paulo, em que são montados os estúdios da Cinematográfica Maristela, o que aumenta consideravelmente as proporções da produtora.

Presença de Anita (1951), obra inspirada no livro homônimo de Mário Donato (1915-1992) e dirigida por Jacobbi, é a primeira produção da Maristela. Ainda são lançados no período Suzana e o Presidente (1951), também de Jacobbi, O Comprador de Fazendas (1951), do diretor italiano Alberto Pieralisi (1911-2001), e Meu Destino é Pecar (1952), dirigido por Manuel Peluffo (1901-19??). O retorno comercial dos filmes fica aquém das expectativas. 

Uma situação técnica delicada é exposta em abril de 1951, com a divulgação do “Relatório sobre a Cinematográfica Maristela S.A.” O documento enumera problemas, como alimentação e jornada de trabalho dos técnicos, e diversas outras questões, sugerindo mudanças para melhorar o nível artístico e técnico das produções. A partir desse momento, com a repercussão das dificuldades da Maristela, Marinho perde força no comando da produtora. Na mesma época, é forte a influência da Companhia Cinematográfica Vera Cruz (1949-1954), com suas superproduções de inspiração hollywoodiana.

A segunda fase se estende do final de 1951, quando Marinho é substituído por Benjamin Finnenberg no cargo de diretor-superintendente, até o início de 1952. No período, é produzido apenas Simão, o Caolho (1952), do diretor de cinema Alberto Cavalcanti (1897-1982), filme que não causa prejuízo, mas tampouco consegue compensar os maus resultados da fase anterior.

Na terceira fase, que vai do fim de 1952 ao começo de 1954, a família Audrá vende a estrutura da produtora para a Kino Filmes. A empresa é comandada por Alberto Cavalcanti, que dirige O Canto do Mar (1953) e Mulher de Verdade (1954). Com o fracasso comercial dos dois filmes, a aquisição é desfeita.

De 1954 a 1958, Mário Audrá Junior volta a administrar a produtora, sem a interferência da família, e constitui-se a fase mais dinâmica da Maristela, com a produção ou coprodução de diversos longas-metragens como Mãos Sangrentas (1955), com direção do cineasta argentino Carlos Hugo Christensen (1914-1999), e Carnaval em Lá Maior (1955), de Adhemar Gonzaga (1901-1978). Durante essa fase final, há a coprodução de obras nacionais e internacionais, efetivando-se a participação da Maristela por meio do fornecimento de estúdio, equipamento e pessoal técnico para diversas produções, como Rio, Zona Norte (1957), do diretor de cinema Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) e O Grande Momento (1958), de Roberto Santos (1928-1987).

Com o encerramento das atividades da produtora, Marinho cria em 1958 a Gravasom, depois renomeada de Arte Industrial Cinematográfica (AIC), responsável pela sonorização e dublagem de filmes. Marinho segue preservando e divulgando as obras da Maristela, acompanhado, a partir de 1986, de seu filho Marco Audrá.

O acervo da Cinematográfica Maristela, gerenciado pela Maristela Filmes, de Marco Audrá, preserva mais de 20 de suas produções originais. A Maristela Filmes produz ainda Os Sonhos de um Sonhador (2016), com direção de Caco Milano, e Real – o Plano por Trás da História (2017), de Rodrigo Bittencourt.

Ao longo de sua trajetória, a Companhia Cinematográfica Maristela investe tanto no mercado nacional quanto no internacional, atuando em um breve período dos anos 1950 marcado por investimentos na indústria cinematográfica brasileira.

Outras informações da instituição Companhia Cinematográfica Maristela :

Fontes de pesquisa (10)

  • AUDRÁ JR., Mário. Cinematográfica Maristela: memórias de um produtor. São Paulo: Silver Hawk, 1997.
  • CATANI, Afrânio Mendes. A Sombra da Outra: a Cinematográfica Maristela e o cinema industrial. São Paulo: Panorama, 2002.
  • CATANI, Afrânio Mendes; GILIOLO, Renato Porto. Relações de trabalho na indústria cinematográfica nos anos 1950 em São Paulo: O caso da companhia Maristela. Revista da Abet, v. 3, n. 2, 2003. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/abet/article/view/15504. Acesso em: 10 jul. 2020.
  • CINEMATECA BRASILEIRA. Filmografia Brasileira. São Paulo: Cinemateca Brasileira. Disponível em: http://bases.cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=p. Acesso em: 15 jul .2020.
  • CINEMATECA BRASILEIRA. Magia Verde. Filmografia Brasileira. São Paulo: Cinemateca Brasileira. Disponível em: http://bases.cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=ID=013927&format=detailed.pft. Acesso em: 18 jul. 2020
  • CINEMATECA BRASILEIRA. Rio, Zona Norte. Filmografia Brasileira. São Paulo: Cinemateca Brasileira. Disponível em: http://bases.cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=ID=003368&format=detailed.pft. Acesso em: 20 jul. 2020.
  • FREIRE, Rafael de Luna. Retrospectiva Cinematográfica Maristela. Centro Cultural Banco do Brasil, 2011. Disponível em: https://www.bb.com.br/docs/pub/inst/dwn/catalogoMaristela.pdf. Acesso em: 14 jul. 2020.
  • GALVÃO, Maria Rita; SOUZA, Carlos Roberto de. “Cinema Brasileiro: 1930-1964”. In: FAUSTO, Boris (org.). História Geral da Civilização Brasileira – O Brasil Republicano, v. III, tomo 4. São Paulo: Difel, 1986.
  • MARISTELA FILMES. Portal da Maristela Filmes. Disponível em: http://www.maristelafilmes.com.br/acervo.html. Acesso em: 15 jul. 2020.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; SCHVARZMAN, Sheila (Orgs.). Nova história do cinema brasileiro. São Paulo: Edições Sesc, 2018. v. 2 (edição ampliada).

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  • COMPANHIA Cinematográfica Maristela. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao637288/companhia-cinematografica-maristela>. Acesso em: 16 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7