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Companhia Cinematográfica Maristela

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.01.2021
1950 Brasil / São Paulo / São Paulo
1958 Brasil / São Paulo / São Paulo
A Companhia Cinematográfica Maristela é uma produtora brasileira de cinema, ativa na cidade de São Paulo entre 1950 e 1958. Produz, no total, 14 filmes de longa-metragem, entre comédias, filmes de ação e melodramas. Também cede estúdio e equipamentos para outros filmes relevantes do período. 

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A Companhia Cinematográfica Maristela é uma produtora brasileira de cinema, ativa na cidade de São Paulo entre 1950 e 1958. Produz, no total, 14 filmes de longa-metragem, entre comédias, filmes de ação e melodramas. Também cede estúdio e equipamentos para outros filmes relevantes do período. 

O contexto de criação da Cinematográfica Maristela é o do otimismo do empresariado industrial paulista que, com os bons resultados financeiros obtidos no pós-Segunda Guerra Mundial, passa a investir em iniciativas culturais, em sintonia com as práticas de mecenato norte-americanas e europeias. A família do empresário Mário Boeris Audrá (1890-1965), cujos negócios se concentram na área têxtil e em serviços de transportes, vive esse momento em condições extremamente favoráveis, e o filho caçula, o produtor de cinema Mário Audrá Junior (1921-2004), também conhecido como Marinho, decide investir em cinema.

O pesquisador Afrânio Mendes Catani (1953) divide em quatro fases a trajetória da Maristela. A primeira, do final de 1950 a meados de 1951, começa com a formação da sociedade Cinematográfica Maristela Ltda., registrada em agosto de 1950, tendo como sócios Mário Audrá Junior, o cenógrafo italiano Ruggero Jacobbi (1920-1981), o produtor italiano Mario Civelli (1923-1993) e Carlos Alberto Porto. Marinho tem como referência o neorrealismo italiano, mas, sem familiaridade com o mundo da produção cinematográfica, propõe a Jacobbi a sociedade, por ver nele os atributos criativos necessários, imaginando que um homem do teatro é capaz de fazer cinema também. 

Por influência de Civelli, o grupo adquire um terreno em Jaçanã, na Zona Norte de São Paulo, em que são montados os estúdios da Cinematográfica Maristela, o que aumenta consideravelmente as proporções da produtora.

Presença de Anita (1951), obra inspirada no livro homônimo de Mário Donato (1915-1992) e dirigida por Jacobbi, é a primeira produção da Maristela. Ainda são lançados no período Suzana e o Presidente (1951), também de Jacobbi, O Comprador de Fazendas (1951), do diretor italiano Alberto Pieralisi (1911-2001), e Meu Destino é Pecar (1952), dirigido por Manuel Peluffo (1901-19??). O retorno comercial dos filmes fica aquém das expectativas. 

Uma situação técnica delicada é exposta em abril de 1951, com a divulgação do “Relatório sobre a Cinematográfica Maristela S.A.” O documento enumera problemas, como alimentação e jornada de trabalho dos técnicos, e diversas outras questões, sugerindo mudanças para melhorar o nível artístico e técnico das produções. A partir desse momento, com a repercussão das dificuldades da Maristela, Marinho perde força no comando da produtora. Na mesma época, é forte a influência da Companhia Cinematográfica Vera Cruz (1949-1954), com suas superproduções de inspiração hollywoodiana.

A segunda fase se estende do final de 1951, quando Marinho é substituído por Benjamin Finnenberg no cargo de diretor-superintendente, até o início de 1952. No período, é produzido apenas Simão, o Caolho (1952), do diretor de cinema Alberto Cavalcanti (1897-1982), filme que não causa prejuízo, mas tampouco consegue compensar os maus resultados da fase anterior.

Na terceira fase, que vai do fim de 1952 ao começo de 1954, a família Audrá vende a estrutura da produtora para a Kino Filmes. A empresa é comandada por Alberto Cavalcanti, que dirige O Canto do Mar (1953) e Mulher de Verdade (1954). Com o fracasso comercial dos dois filmes, a aquisição é desfeita.

De 1954 a 1958, Mário Audrá Junior volta a administrar a produtora, sem a interferência da família, e constitui-se a fase mais dinâmica da Maristela, com a produção ou coprodução de diversos longas-metragens como Mãos Sangrentas (1955), com direção do cineasta argentino Carlos Hugo Christensen (1914-1999), e Carnaval em Lá Maior (1955), de Adhemar Gonzaga (1901-1978). Durante essa fase final, há a coprodução de obras nacionais e internacionais, efetivando-se a participação da Maristela por meio do fornecimento de estúdio, equipamento e pessoal técnico para diversas produções, como Rio, Zona Norte (1957), do diretor de cinema Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) e O Grande Momento (1958), de Roberto Santos (1928-1987).

Com o encerramento das atividades da produtora, Marinho cria em 1958 a Gravasom, depois renomeada de Arte Industrial Cinematográfica (AIC), responsável pela sonorização e dublagem de filmes. Marinho segue preservando e divulgando as obras da Maristela, acompanhado, a partir de 1986, de seu filho Marco Audrá.

O acervo da Cinematográfica Maristela, gerenciado pela Maristela Filmes, de Marco Audrá, preserva mais de 20 de suas produções originais. A Maristela Filmes produz ainda Os Sonhos de um Sonhador (2016), com direção de Caco Milano, e Real – o Plano por Trás da História (2017), de Rodrigo Bittencourt.

Ao longo de sua trajetória, a Companhia Cinematográfica Maristela investe tanto no mercado nacional quanto no internacional, atuando em um breve período dos anos 1950 marcado por investimentos na indústria cinematográfica brasileira.

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