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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Loja Forma

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.05.2019
Registro fotográfico Nelson Kon

Loja Forma, 1987
Paulo Mendes da Rocha
,

A loja Forma é um estabelecimento comercial de venda de mobiliário moderno, constituído e mantido com a participação de designers imigrantes e brasileiros. Sua fundação, na cidade de São Paulo, data da década de 1950, e seu funcionamento prossegue ao longo da segunda metade do século XX.

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A loja Forma é um estabelecimento comercial de venda de mobiliário moderno, constituído e mantido com a participação de designers imigrantes e brasileiros. Sua fundação, na cidade de São Paulo, data da década de 1950, e seu funcionamento prossegue ao longo da segunda metade do século XX.

A Forma nasce da empresa Móveis Artesanal Ltda., que funciona na capital paulista entre 1950 e 1955. Opera nas instalações fabris que pertenciam ao Studio de Arte Palma e à Fábrica de Móveis Pau Brasil, do curador italiano Pietro Maria Bardi (1900-1999), da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) e do arquiteto italiano Giancarlo Palanti (1906-1977).

O trio repassa suas oficinas e seu quadro de funcionários especializados – na maioria, imigrantes vindos da Itália – para os designers italianos Carlo Hauner (1927-1996) e Ernesto Hauner (1931-2002). A pesquisadora Mina Warchavchik Hugerth descreve a empresa como a “pioneira no país em aliar com sucesso um escritório de projetos com linguagem moderna, um sistema de fabricação com seriação e espaços comerciais inovadores”1.

Após a fundação da Móveis Artesanal, entram na sociedade o colecionador alemão Ernesto Wolf (1918-2003) e o arquiteto austro-argentino Martin Eisler (1913-1977) – ambos moram na Argentina desde o entreguerras. Wolf muda-se para São Paulo na década de 1940, envolve-se na organização da I Bienal de Arte em 1951 e convida o cunhado, Eisler, para fazer o projeto de interiores de seu apartamento em 1953. A execução do mobiliário desenhado por Martin Eisler é encomendada à Móveis Artesanal. Carlo Hauner gosta dos desenhos e convida-o para ser parceiro na empresa.

Ao longo dos anos, surgem diversos estabelecimentos vinculados a essa sociedade. Um deles é a Galeria Artesanal, loja de três andares para exposições de arte e venda de móveis, inaugurada no final de 1953, na Rua Barão de Itapetininga, centro de São Paulo.

Entre os proeminentes colaboradores da Móveis Artesanal está o designer carioca Sergio Rodrigues (1927-2014), que conhece Hauner em Curitiba no período em que é um dos responsáveis pelo projeto do Centro Cívico. Fazem amizade e abrem uma filial na cidade em 1953, a Móveis Artesanal Paranaense, que tem longevidade de seis meses, com muitos visitantes e poucos compradores. Em 1954, Rodrigues muda-se para São Paulo e passa a chefiar o setor de criação de arquitetura de interiores da empresa. Sua permanência na capital paulista é de apenas um ano, no qual tem contato direto com a produção fabril.

Outra profissional que se agrega à equipe é a designer e cenógrafa croata Georgia Hauner (1931). Contratada como desenhista da Móveis Artesanal em 1954, torna-se responsável pelas vitrines e pela ambientação interna da loja.

Ainda em 1954, os quatro sócios abrem outra loja na rua Augusta para venda de peças de cerâmica e objetos de decoração: esse estabelecimento é batizado de Forma. Há matérias sobre a Galeria Artesanal e a Móveis Artesanal até abril de 1955, entretanto, Sergio Rodrigues e Georgia Hauner atestam que as lojas e a assinatura dos móveis passam a empregar o nome Forma ainda em 1954. Juridicamente, a empresa Forma S.A. Móveis e Objetos de Arte é registrada em 24 de janeiro de 19562.

Carlo Hauner permanece no Brasil por curto período após a renomeação da empresa: ele retorna à Itália, vende suas ações ao irmão e funda uma loja também chamada Forma na cidade de Brescia, com móveis projetados e fabricados por ele. Em 1957, Ernesto e Georgia Hauner saem da empresa, permanecem um ano na Itália e, de volta ao Brasil, fundam uma companhia de estantes modulares em madeira maciça intitulada Mobilinea.

Ernesto Wolf e Martin Eisler permanecem com a Forma. Nesse período, Eisler desenha a icônica poltrona Costela, com uma estrutura metálica de finos perfis tubulares pretos que sustentam oito peças curvas de madeira – em conjunto, tem formato semelhante a uma caixa torácica. Sobre a estrutura, amarra-se uma almofada que serve de assento e encosto.

Em 1959, a Forma passa a ter a licença da firma Knoll Internacional para fabricar, com exclusividade no Brasil, móveis icônicos, desenhados por importantes nomes do design estrangeiro. Entre eles, o arquiteto húngaro-americano Marcel Breuer (1902-1981), como a cadeira Wassily; arquiteto alemão Mies van der Rohe (1886-1969), como a cadeira Barcelona; o arquiteto finlandês Eero Saarinen (1910-1961), como a mesa Saarinen, e o designer ítalo-americano Harry Bertoia (1915-1978), como a cadeira Bertoia.

Nas décadas de 1960 e 1970, a Forma estabelece um departamento nacional para desenho de mobiliário modular, com ênfase em ambientes de trabalho, liderado pela designer húngara-brasileira Adriana Adam (1946)3 .Os projetos recebem várias premiações no Brasil, como ocorre com a linha de móveis infantis na Bienal Internacional de Desenho Industrial do Rio de Janeiro, em 1970.

A última sede da loja Forma é um projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1928), localizado na avenida Cidade Jardim, zona sul de São Paulo. Há uma relação direta entre o projeto arquitetônico e o detalhamento do mobiliário internacional ali apresentado, como se percebe na descrição do professor Edson Mahfuz: “A precisão está presente em todos os recantos da loja Forma, tanto no modo em que os elementos são projetados, na coordenação entre eles, assim como nas suas junções e terminações4”.

Desde seu período como Móveis Artesanal, a loja Forma é pioneira no mobiliário moderno no Brasil, sendo berço de proeminentes designers imigrantes e brasileiros. Desde 1959, é a principal vitrine de difusão do mobiliário internacional moderno no país.

Notas

1. WARCHAVCHIK HUGERTH, Mina. Móveis Artesanal: prelúdio à Forma, Oca e Mobilinea. In.: BRAGA, Marcos da Costa; DIAS, Dora Souza (Orgs.). Histórias do design no Brasil II. São Paulo: Annablume, 2014.

2. WARCHAVCHIK HUGERTH, Mina, op. cit.

3. LOSCHIAVO DOS SANTOS, Maria Cecília. Móvel Moderno no Brasil. São Paulo: Senac: Olhares, 2017. p. 205-206.

4. MAHFUZ, Edson. Loja Forma, Paulo Mendes da Rocha. Vitruvius. São Paulo, n. 123.04, mar. 2011. Disponível em: < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.123/3818 >. Acesso em: 10 jul. 2018

Obras 2

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Fontes de pesquisa 8

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  • BORGES, Adélia. Móvel brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro: Aeroplano: FGV Projetos, 2013.
  • BRAGA, Marcos da Costa; DIAS, Dora Souza (Orgs.). Histórias do design no Brasil II. São Paulo: Annablume, 2014.
  • CHEN, Aric. Brazil Modern: the rediscovery of twentieth-century brazilian furniture. Nova York: The Monacelli Press, 2016.
  • HUGERTH, Mina Warchavchik. Mobilinea design de um estilo de vida (1959-1975). 2015. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo - FAU/USP, São Paulo, 2015.
  • MAHFUZ, Edson. Loja Forma, Paulo Mendes da Rocha. Vitruvius. São Paulo, n. 123.04, mar. 2011. Disponível em: < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.123/3818 >. Acesso em: 10 jul. 2018
  • SANCHES, Aline Coelho. O Studio de Arte Palma e a fábrica de móveis Pau Brasil: povo, clima, materiais nacionais e o desenho de mobiliário moderno no Brasil. Risco: Revista De Pesquisa Em Arquitetura E Urbanismo. São Carlos, n. 1, p. 22-43, 1 jul. 2003.
  • SANTOS, Maria Cecília Loschiavo dos. Móvel Moderno no Brasil. São Paulo: Senac: Olhares, 2017.
  • VICENTE, Alberto; VASCONCELLOS, Marcelo (Orgs.). Tatiana. Móvel moderno brasileiro. São Paulo: Olhares, 2018.

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