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Artes visuais

Escola de Belas Artes de Araraquara

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.10.2017
1930 Brasil / São Paulo / Araraquara
1969 Brasil / São Paulo / Araraquara
A Escola de Belas Artes de Araraquara é fundada por Bento de Abreu Vidal por volta de 19301. Vidal entra em contato com Lucílio de Albuquerque (1877-1939), professor de desenho da Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, à procura de uma indicação para a diretoria da escola. Por volta de 1935, Quirino Campofiorito (1902-1993), p...

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Histórico

A Escola de Belas Artes de Araraquara é fundada por Bento de Abreu Vidal por volta de 19301. Vidal entra em contato com Lucílio de Albuquerque (1877-1939), professor de desenho da Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, à procura de uma indicação para a diretoria da escola. Por volta de 1935, Quirino Campofiorito (1902-1993), pintor e crítico de arte, é indicado e vai à Araraquara, interior de São Paulo, para dirigi-la e ministrar o curso de pintura, acompanhado da esposa, também pintora, Hilda Campofiorito (1901-1997). Ele permanece no cargo por cerca de dois anos. 

Após a saída de Campofiorito, Mario Ybarra de Almeida (1893-1952), filho do pintor Almeida Júnior (1850-1899), formado pela Enba e ex-aluno da Académie Julien, em Paris, torna-se responsável pelas aulas de pintura. Os alunos fundam uma organização chamada Núcleo de Belas Artes de Araraquara que passa a dirigir a escola, contando com Ybarra como diretor-técnico. Ele se esforça para conseguir o reconhecimento de nível superior para a escola, sem obtê-lo.

O primeiro Salão de Belas Artes de Araraquara, promovido pela instituição de ensino, é realizado em 1936. Em 1941, após o 6o Salão, a escola fecha e, sete anos depois, reinicia suas atividades, desta vez com o apoio do comendador Hélio Morganti. Nesse período, o curso regular de três anos é dirigido a artistas e professores. A primeira turma forma-se em 1950 com 12 alunos, entre eles Judith Lauand (1922) e Francisco Amêndola (1924-2007), que participa do Salão de 1951, ao lado de Alfredo Volpi (1896-1988), Tarsila do Amaral (1886-1973), Flávio de Carvalho (1899-1973), Aldemir Martins (1922-2006), entre outros. O evento ganha repercussão na mídia, chamando a atenção de críticos como Ivo Zanini (1929) e Sérgio Milliet (1898-1966). Nos anos seguintes, Amêndola passa a ministrar aulas na escola.

Em 1951, Ybarra afasta-se da instituição e o artista italiano Domenico Lazzarini (1920-1987) assume as aulas de pintura, por indicação de Morganti. Segundo Amêndola, o papel de Lazzarini é fundamental para atualizar as referências artísticas e a didática do ensino da pintura na instituição. O pintor italiano incentiva a expressão individual dos alunos, acreditando que a experiência leva ao aprimoramento técnico. Lazzarini também é um dos fundadores da Escola de Belas Artes de Ribeirão Preto, por volta de 1954, onde Amêndola também leciona.

De acordo com Amêndola, a presença de Campofiorito e de Lafayete Carvalho Toledo, ex-aluno de Campofiorito e, mais tarde, diretor da escola, ajuda a incentivar um movimento interno com “tendências modernistas”2. Segundo ele, o curso de Ybarra, na contramão do posicionamento dos outros dois professores, dedica-se à produção artística apenas “até os impressionistas franceses”. Em 1956, a escola inaugura novas instalações contando com uma exposição do acervo do Núcleo de Belas Artes e com uma pequena retrospectiva da obra de Anita Malfatti (1889-1964). A instituição funciona normalmente por volta de 1951 a 1963, quando realiza o último salão. Encerra seus cursos em 1969.

Seu acervo, após o fechamento, passa a integrar a Pinacoteca Municipal Mario Ybarra de Almeida, que conta com cerca de 600 obras – pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e fotografias – entre doações e resultados de prêmios dos salões de arte da cidade. O museu é inaugurado em 2000, junto à Casa da Cultura Luiz Antonio Martinez Corrêa. Entre os artistas que integram a coleção, estão Amêndola e Lauand, ex-alunos, Quirino e Hilda Campofiorito, Volpi, Lívio Abramo (1903-1992), Antonio Bandeira (1922-1967), João Dutra (1893-1983), Emilio Vedova (1919-2006) e Manoel Santiago (1897-1987).

Notas

1 PINACOTECA Municipal Mario Ybarra de Almeida: catálogo. fotografia Luiz Rocateli. Araraquara: Prefeitura, 2000. p. 16.

2 AMÊNDOLA, Francisco. Exposição retrospectiva. Texto de Ignácio de Loyola Brandão. São Paulo: Galeria Sesc Paulista, 1987. (s.p.).

Fontes de pesquisa 7

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  • AMÊNDOLA, Francisco. Amêndola. Araraquara/SP: Itaugaleria, 1983. 1 folha dobrada.
  • AMÊNDOLA, Francisco. Exposição retrospectiva . Texto Ignácio de Loyola Brandão. São Paulo: Galeria SESC Paulista, 1987. [16] p., il. p&b color.
  • BATISTA, Marta Rossetti. Anita Malfatti no tempo e no espaço. São Paulo: Editora 34: Edusp, 2006.
  • CASA de Cultura Luiz Antônio Martinez Corrêa. Prefeitura Municipal de Araraquara. Disponível em: < http://www.araraquara.sp.gov.br/Pagina/Default.aspx?IDPagina=1337 >. Acesso em: 15 out. 2010
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • PINACOTECA Municipal Mario Ybarra de Almeida. Araraquara: Prefeitura de Araraquara, 2000.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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