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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Conservatório Musical Brooklin Paulista

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.10.2019
1959 Brasil / São Paulo / São Paulo
O Conservatório Musical Brooklin Paulista (CMBP) é criado em 1959, pelo professor e pianista Sígrido Levental (1941-2017). Em uma época na qual não existem cursos universitários dirigidos à formação de músicos, o conservatório surge com a proposta de oferecer aulas de instrumentos e outros cursos relacionados à prática musical e artística, como ...

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O Conservatório Musical Brooklin Paulista (CMBP) é criado em 1959, pelo professor e pianista Sígrido Levental (1941-2017). Em uma época na qual não existem cursos universitários dirigidos à formação de músicos, o conservatório surge com a proposta de oferecer aulas de instrumentos e outros cursos relacionados à prática musical e artística, como história da música e artes plásticas.

A metodologia do CMBP entende a atividade do instrumentista em diálogo com outras manifestações artísticas. Nesse sentido, além de músicos, a instituição é frequentada por poetas, filósofos e intelectuais, tornando-se ponto de encontro para discussões sobre a música na sociedade contemporânea. O conservatório realiza também concertos e recitais, além de debates sobre apresentações realizadas em outros palcos da cidade.

No conservatório, a escolha de instrumento é feita em conjunto com o aluno e não se concentra apenas nos cursos de maior procura, como os de piano e violino. O ensino não se limita à técnica. A educação musical deve estar acompanhada da reflexão sobre o fomento da música de câmara (considerada a base de uma vida musical sólida), do estudo da história da música  e do diálogo com outras artes, com realização de concertos e saraus em que a música une-se à poesia ou ao teatro.

O CMBP abre espaço também para a criação musical contemporânea e conta, em seu quadro de professores, com os compositores Aylton Escobar (1943), Mário Ficarelli (1935), Sérgio de Vasconcellos Corrêa (1934) e Hans-Joachim Koellreuter (1915-2005). A partir do início dos anos 1960, o musicólogo Arnaldo Contier (1941) incorpora em suas aulas, a produção de autores contemporâneos, como o francês Iannis Xenakis (1922-2001), o alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007) e o estadunidense John Cage (1912-1992). Para Escobar, “todo o método do conservatório nasceu de uma crença na contemporaneidade”1.

Essa preocupação estimula a criação da Editora Novas Metas. Sem patrulhas estéticas e contemplando criadores de diferentes correntes e orientações, a editora publica autores e compositores brasileiros e latino-americanos. Segundo Sígrido Levental, “a defesa da importância da música contemporânea ficaria incompleta se não houvesse material de apoio ou partituras que permitissem aos músicos explorar esse repertório”2.

Entre o material publicado pelo conservatório, estão partituras de Hans-Joachim Koellreutter, Osvaldo Lacerda (1927-2011), Sérgio de Vasconcellos Corrêa, Rodolfo Coelho de Souza (1952), Régis Duprat (1930) e Mário Ficarelli. Entre os estudos teóricos, são lançados Música e Ideologia no Brasil (1978), de Arnaldo Contier; O Som Pianístico de Claude Debussy (1982), do pianista e pesquisador José Eduardo Martins (1938); e À Procura de um Mundo sem vis-à-vis (1983), de Koellreutter. 

Ocasionalmente, os alunos do CMBP formam uma orquestra, que se apresenta com solistas, como o pianista José Eduardo Martins, e maestros, como Fábio Mechetti (1957) e Roberto Tibiriçá (1954), ex-alunos do conservatório que se tornam professores da instituição. De 1973 a 1979, o Grupo de Percussão do Conservatório Musical Brooklin Paulista, o primeiro do gênero em São Paulo, atua sob o comando do músico Cláudio Stephan. Nos anos 1980, as apresentações no auditório da sede paulistana, na rua Roque Petrella, representam um período áureo da instituição. A sala de concertos do conservatório torna-se espaço reconhecido da música na cidade, na qual acontecem, inclusive, apresentações internacionais.

A lista de alunos que passam pelo CMBP inclui artistas que desempenham papel importante na cena musical brasileira: os pianistas Aída Machado, Fernando Tomimura, Homero de Magalhães (1924-1997); o violonista Edelton Gloeden (1955); a soprano Adélia Issa; os maestros Abel Rocha (1961), Osvaldo Colarusso (1958), Cláudio Cruz (1967), João Maurício Galindo (1960) e Fábio Prado (1962); o flautista e jornalista Nelson Rubens Kunze; e o violoncelista Antonio Lauro del Claro (1950). Alguns exercem, também, a função de professores, como Edelton Gloeden e Homero Magalhães. O Conservatório mantém-se como referência no ensino de música, mesmo nos anos 1970 e 1980, quando se consolidam os cursos universitários da área.

Em 1993, o CMBP trabalha em parceria com a Sociedade Kodály do Brasil para implementar no país o Método Kodály3 de ensino musical. Além disso, o conservatório organiza Oficinas de Rítmica de Dalcroze, originárias do Instituto Dalcroze de Genebra, Suíça, que promove a relação direta entre corpo, ritmo, movimento e criatividade. Em 1997, Sígrido Levental deixa o CMBP, que passa a ser dirigido por Marli Batista Ávila.

Associado à Universidade Anhembi Morumbi, o Conservatório idealiza o curso de especialização Capacitação para Docente em Música Brasileira, ministrado por professores como o violeiro Ivan Vilela (1962) e a compositora e violonista Marlui Miranda (1949), formando novas gerações de educadores musicais.

Notas

1. SAMPAIO, João Luiz. Concerto homenageia o professor Sígrido Levental. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 12 dez. 2014. Caderno 2, p. C10.

2. LEVENTAL, Sígrido. Sígrido Levental. São Paulo, mar. 2015. Entrevista concedida ao jornalista João Luiz Sampaio.

3. O Método Kodály, criado pelo compositor húngaro Zoltán Kodály (1882-1967), baseia-se na alfabetização musical por meio de um repertório de melodias da música folclórica húngara, organizadas segundo o grau de dificuldade. O objetivo é que, pelo canto, a criança desenvolva “a capacidade auditiva com ênfase na leitura à primeira vista, no ditado e na leitura e escrita de música”. No Brasil, o método é difundido pela educadora Marli Batista, fundadora da Sociedade Kodály do Brasil (SKB), filial da International Kodály Society (IKS). A pesquisadora traduz para o português o livro Kodály’s Principles in Practice e sistematiza o material para educação infantil, além de oferecer curso de formação para educadores, no Conservatório Musical Brooklin Paulista. In.: BARREIRO, Aguida C. M.; BARREIRO, Daniel Luís. Compositor musical e professor: uma visão comparativa. Comunicação & Educação, São Paulo, n. 21, p. 43-53, ago. 2001. Disponível em: < http://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/36976/39698 >. Acesso em: 6 fev. 2017.

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