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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Instituto Brincante

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.01.2017
1992 Brasil / São Paulo / São Paulo
Análise

Texto

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Análise
O projeto, criado em 1992, é, inicialmente, denominado Teatro Escola Brincante[1]. Tudo começa quando Rosane Almeida (1964), natural de Curitiba, Paraná, e Antonio Nóbrega (1952), natural de Recife, Pernambuco, chegam a São Paulo, vindos do Nordeste, com a expectativa apresentar o espetáculo Brincante. O trabalho artístico, com fortes referências ao que se denomina “cultura popular brasileira”, não é suficiente para garantir presença nos teatros paulistanos. Não conformados com a falta de espaço para manifestações populares, os dois artistas avaliam caminhos para mudar a situação. Encontram uma antiga casa de lustres na rua Purpurina, na Vila Madalena, São Paulo, e constroem um espaço teatral, inaugurado como sede do espetáculo Brincante (1992). Nos anos seguites, outros trabalhos de Nóbrega são apresentados nos palcos do Brincante: Figural (1993), Segundas Histórias (1994) e Na Pancada do Ganzá (1996). A proposta consiste em aliar o processo artístico ao pedagógico. Prova disso é que, já em 1993, o espaço recebe o seu primeiro curso de formação: “A arte do Brincante”[2], ministrado por Nóbrega e Rosane. Em 1995, expande a proposta com o curso “A arte do Brincante para educadores”. Em 1998, realiza o 1o Encontro com a Música e a Dança Brasileiras, evento que marca a ponte entre a escola e os artistas da cultura popular do país. Em fevereiro de 2001, por conta de questões burocráticas de orçamento e de patrocínios, o Teatro Escola Brincante passa a ser chamado Instituto Brincante. A formação e o pensamento artístico ali desenvolvidos não têm o objetivo de reproduzir as tradições da cultura popular brasileira. Propõem um novo olhar sobre essas manifestações e, assim, repensam outros aspectos culturais, sociais e políticos. A cultura popular é vista como ponto de partida para o desenvolvimento de outras ações nos campos educacional, artístico e empresarial. A trajetória do Brincante caracteriza-se pela diversidade de ações promovidas pela instituição como espaço cultural. Suas atividades variam entre shows, espetáculos, palestras e encontros com artistas, promovendo as áreas de arte-educação e de cultura brasileira. Os últimos anos são marcados por projetos diversificados: a realização de oficinas, dentre elas danças brasileiras, percussão brasileira, música, dança e brincadeiras, dança afro-brasileira, poesia popular, contos tradicionais, confecção de máscaras/ figuras/ adereços, dança e percussão para educadores e musicalização para adultos por meio da percussão brasileira. Há, ainda, o projeto Brincantinho para crianças de 3 a 7 anos. Ocorrem também as Sambadas, evento mensal em que os alunos dos cursos e oficinas reúnem-se para apresentar ao público números de canto, dança, teatro, música ou circo. Outra iniciativa mensal são os encontros de estudos, abertos ao público e convidados. Há, ainda, o já citado curso “A arte do Brincante para educadores”, voltado a professores da rede pública estadual e municipal e desenvolvido por meio da pesquisa e da reinterpretação da cultura brasileira. Consiste no projeto previsto pelo Ponto de Cultura do Programa Cultura Viva (edital do Ministério da Cultura). O Brincante também promove o Festival de Artes, com programação de dança, música, teatro, circo, dança-teatro, percussão-corporal, circo-teatro, aula-espetáculo, festa e cozinha. O Instituto atende uma média de seis mil pessoas por ano, de diversas faixas etárias, entre alunos, professores, familiares e público em geral. Alguns nomes são sublinhados por Rosane e Nóbrega como cocriadores do Instituto: o artista Romero de Andrade Lima (1957), a pedagoga Maria Amélia Pereira “Péo” (1942) e os colaboradores e artistas Lydia Hortélio (1932), Maria Eugênia Nóbrega (1986), Marina Abib Candusso (1988) e Luciano Fagundes (1983). O Instituto conta com diversas parcerias, públicas e privadas, durante a sua trajetória: C&A, Philips do Brasil, Fundação Vitae, Itaú Cultural, Instituto Alana, Ministério da Cultura, Instituto Votorantim e Instituto Minidi Pedroso de Arte e Educação Social (Impaes). Em 2013, o projeto é aprovado no ProAC ICMS, lei de incentivo fiscal via isenção de impostos, e agora tem a tarefa de captar recursos. Nos últimos três anos, o Instituto modifica sua estrutura conceitual e administrativa, com o objetivo de expandir suas ações. Rosane e Nóbrega denominam essa fase “maioridade do Brincante”. O suporte financeiro do instituto está na formação de uma rede de profissionais capazes de dar continuidade ao trabalho. A trajetória do Brincante não se dissociada carreira artística de Antonio Nóbrega e Rosane, pois é nela que o trabalho encontra um frescor que permite sua revisão contínua.

O Brincante é referência que reúne jovens e adultos interessados em compor e reelaborar a cultura popular brasileira. Um contexto diferente daquele onde as manifestações populares são praticadas como hábito e tradição. O pressuposto é a reelaboração, e não a reprodução, dos materiais da cultura popular, por não ser possível uma abordagem “pura” ou “original”.  

Sobre o Instituto, a crítica e pesquisadora de dança Helena Katz (1950) afima: “E o laboratório foi criado com sua parceira, Rosane Almeida: o Instituto Brincante, no qual suas hipóteses podem ser testadas[3]”. Compreender um espaço pedagógico como um laboratório, um local de experimentação, onde toda proposição é vista como testes de um saber que ainda está para ser elaborado, talvez possa, de fato, ser uma atitude que, quando constante, qualifica-o como uma trajetória de pesquisadores.

Notas
[1] “O termo Brincante nasceu no Nordeste do Brasil, e designa o modo como os artistas populares se autodenominam”. In: CANDUSSO, Marina Abib. Com quantas interrogações se faz um Brincante. Monografia (Tese de Conclusão de Curso de Ciências Sociais) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em: < http://www.institutobrincante.org.br/cedoc/14 >.  Acesso em: 29 out. 2013.
[2] Nome criado por Rosane e Antonio para sinalizar o que seria ensinado no curso.
[3] KATZ, Helena. Corpo, jogo e teoria. Pesquisa Fapesp, São Paulo, n. 191, p. 94-95, jan 2012. Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/094-095_Artes_191.pdf > Acesso em: 29 nov. 2013.

Espetáculos 1

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