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Artes visuais

Botti Rubin Arquitetos Associados

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.07.2017
1955 Brasil / São Paulo / São Paulo
Os arquitetos Alberto Botti (1931) e Marc Rubin (1931) fundam o escritório Botti Rubin Arquitetos Associados em 1955 e mantêm a sociedade até hoje. Formam-se na faculdade de arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie em meados da década de 1950, na primeira geração de arquitetos das recém-criadas escolas de arquitetura de São Paulo. Dur...

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Histórico

Os arquitetos Alberto Botti (1931) e Marc Rubin (1931) fundam o escritório Botti Rubin Arquitetos Associados em 1955 e mantêm a sociedade até hoje. Formam-se na faculdade de arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie em meados da década de 1950, na primeira geração de arquitetos das recém-criadas escolas de arquitetura de São Paulo. Durante a graduação, estagiam com ícones da primeira geração de arquitetos modernos paulistas: Alberto Botti é estagiário do arquiteto Oswaldo Bratke (1907-1997), e Marc Rubin, do arquiteto Rino Levi (1901-1965). Antes de formar a sociedade, o primeiro projeto com autoria dos dois arquitetos recebe o prêmio de 2º lugar em um concurso público para o projeto do Hospital da cidade de Registro, São Paulo, em parceria com o arquiteto Pedro Paulo de Melo Saraiva (1933-2016) e o engenheiro civil e político Rubens Paiva (1929-1971).

A influência dos primeiros arquitetos-construtores de São Paulo como Vilanova Artigas (1915-1985) e Ícaro de Castro Mello (1913-1986) é determinante na formação de Botti e Rubin. É percebida em aspectos como a pesquisa das características próprias aos materiais para o aprimoramento das técnicas construtivas, a valorização plástica desses materiais – em especial, do concreto –, e a racionalização dos espaços e da modulação estrutural que orientam seus primeiros projetos.

O portfólio de Botti Rubin é marcado pela variedade de programas: casas, torres elevadas de residências e escritórios, centros comerciais, educacionais e esportivos e projetos urbanos. Responsável por várias construções em São Paulo durante as mais de cinco décadas de existência do escritório, os locais de implantação dos edifícios refletem o deslocamento do centro econômico da cidade  para o sudoeste do município. Seus primeiros edifícios localizam-se em bairros centrais como Higienópolis e região da Avenida Paulista. Os mais atuais, próximos às avenidas Faria Lima e Berrini, além de bairros como Vila Nova Conceição e Morumbi.

Segundo a historiadora de arquitetura Mônica Junqueira de Camargo:

A vasta produção de edifícios do Botti Rubin, para efeito de análise, pode ser dividida em dois grupos. Um que reúne os projetos com características modernas [...]: a estrutura como forte determinante do partido arquitetônico, pilotis, concreto aparente, quebra-sóis e elementos vazados. Outro explora recursos mais diversificados, de materiais, técnicas e de composições formais, constituído na maior parte de obras produzidas a partir dos anos 80.1

Seguindo esta organização, a primeira fase é marcada pelos prédios do Banco Brasul (nas cidades de São Paulo e Campinas); a sede da Nestlé (1965), São Paulo; e diversos edifícios habitacionais como o Hildebrando de Almeida Prado (1965), Albina (1966), São Felix (1969) e Antônio Augusto Correia Galvão (1970), todos em São Paulo. Dentro da modulação das estruturas em concreto aparente, o que as une são os quebra-sóis móveis: painéis compostos por treliças de madeira que remetem aos muxarabis, recorrentes em construções coloniais brasileiras. Esses painéis contêm um sistema de dobras e encaixes que lhes dá flexibilidade capaz de liberar o vão de abertura das janelas, o que confere dinamismo a essas fachadas.

Os projetos do Sesc Rio Bonito (atual Sesc Interlagos, São Paulo, 1974) e Sesc Santos (Santos, 1985) potencializam a estrutura em concreto com elementos de grandes dimensões e variação de soluções plásticas. Ambos remetem ao brutalismo da última fase do arquiteto francês Le Corbusier (1887-1965), em sua busca pela monumentalidade.

Os prédios residenciais posteriores afastam-se da contenção formal própria aos primeiros arquitetos modernos paulistas. A estrutura aparente de concreto dá forma a varandas e jardineiras, predominando os fechamentos de tijolo aparente ou de alvenaria pintada.

A segunda fase do escritório, a partir da década de 1980, é norteada pelo desejo de explicitar a tecnologia da época na imagem da construção. A estrutura deixa de ser aparente, dando lugar à utilização dos revestimentos disponíveis no mercado, oferecidos pelas empresas de construção no Brasil naquela época.

O arquiteto norte-americano Michael J. Crosbie nota a “ampla gama de linguagens arquitetônicas”2 de Botti Rubin, em especial nos projetos corporativos – torres de escritórios e shopping centers – nos quais se incorporam os estilos internacionais vigentes. A concepção desses projetos é fundamentada na composição da volumetria geral, cuja forma é pouco vinculada às escolhas estruturais ou às espacialidades internas. A expressão da ossatura estrutural da primeira fase é substituída pela aparência da pele, com uso do vidro e do alumínio. Figurando certa inovação tecnológica, estes materiais revestem edifícios para simbolizar poder econômico e dar impacto monumental a paisagem da cidade, como no Edifício River Park (1991), nos Centros Empresariais do Aço (1993) e Nações Unidas (1996-1999) e no Pátio Vitor Malzoni (2013), todos em São Paulo. Além destas torres, também fazem centros comerciais de grande porte, como os Shoppings Market Place (1995) e Higienópolis (1999), na capital paulista. Vários projetos desenvolvidos no Botti Rubin são feitos em parcerias com escritórios internacionais, o que revela a globalização transformando o modo de operação interno da arquitetura.

A longeva parceria de Alberto Botti e Marc Rubin  representa bem as transformações da arquitetura urbana de São Paulo, em toda segunda metade do século XX até os dias atuais: do modernismo, com particularidades do contexto paulistano, ao internacionalismo de apoio às grandes corporações.

Notas

1. JUNQUEIRA DE CAMARGO, Monica. 45 Anos de Arquitetura Paulista. In: BOTTI, Alberto. RUBIN, Marc. Botti Rubin Arquitetos: selected and current works. Mulgrave: Images Publishing Group, 2002. p. 29. (The Master Architect Series V.)
2. CROSBIE, Michael J. A  Arquitetura de Botti Rubin. In: BOTTI, Alberto. RUBIN, Marc. Botti Rubin Arquitetos: selected and current works. Mulgrave: Images Publishing Group, 2002. p. 9. (The Master Architect Series V.)

Fontes de pesquisa 4

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