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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Teatro de Dança Galpão

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.11.2022
05.12.1974 Brasil / São Paulo / São Paulo
1981 Brasil / São Paulo / São Paulo
Espaço que abriga movimento de renovação da dança paulistana, entre os anos de 1974 e 1981, caracterizado pelo caráter experimental, vanguardista e multidisciplinar na formação e criação artística. Considerado um marco inaugural da dança contemporânea de São Paulo, o Teatro de Dança Galpão engloba um projeto pedagógico de formação gratuita em ex...

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Espaço que abriga movimento de renovação da dança paulistana, entre os anos de 1974 e 1981, caracterizado pelo caráter experimental, vanguardista e multidisciplinar na formação e criação artística. Considerado um marco inaugural da dança contemporânea de São Paulo, o Teatro de Dança Galpão engloba um projeto pedagógico de formação gratuita em expressão corporal e múltiplas modalidades de dança, atraindo artistas de várias áreas, assim como apresentações experimentais, marcadas pelo hibridismo de linguagens e engajamento político.

Após organizar um abaixo-assinado junto a outras artistas da cena independente de dança demandando a criação de algum espaço voltado para esse público especificamente, a atriz e coreógrafa Marilena Ansaldi (1934-2021) é convidada a fazer parte da a Comissão de Dança da Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo do Estado de São Paulo, que tem como objetivo desenvolver um plano de ação para a dança no estado. A partir disso, encabeça a criação de um espaço novo no centro da cidade de São Paulo e, em março de 1974, é inaugurada a Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar, localizado no bairro do Bixiga.

O espaço, financiado pelo Governo do Estado, é criado com a finalidade de acolher e fomentar a dança independente paulistana, através da disponibilização de aulas gratuitas diárias e do espaço para apresentações de artistas que não se enquadram nos circuitos já estabelecidos de dança clássica ou moderna. Suas atividades têm início em dezembro do mesmo ano, com uma estreia extraoficial marcada pela apresentação de Caminhada (1974), espetáculo solo da bailarina Célia Gouvêa (1949) com direção do encenador belga Maurice Vaneau (1926-2007).

O trabalho da dupla Célia e Maurice é voltado para a experimentação do cruzamento entre dança e o teatro, buscando lidar com as múltiplas dimensões do corpo e inspirados nas propostas do Teatro da Crueldade de Antonin Artaud (1896-1948). Ambos atuam como professores durante o primeiro ano de funcionamento do Galpão, sendo Maurice considerado um “coordenador não oficial” do espaço, o que marca o perfil do ensino e das criações desenvolvidas no espaço com um caráter vanguardista e de hibridismo com outras linguagens artísticas. Além de ballet clássico e dança moderna, a grade curricular inclui aulas de expressão corporal e de interpretação para a dança, acrescentando a possibilidade de utilizar vocalização, sonorização, pantomimas e críticas políticas e sociais nas criações que pavimentam o que viria a ser conhecido como dança contemporânea.

Outro espetáculo marcante desse momento é Isso ou Aquilo? (1975), de Marilena Ansaldi com direção Iacov Hillel (1949-2020), em que a bailarina busca, tomando a improvisação como ponto de partida, libertar-se do que entendia como uma formatação limitante do corpo pela técnica clássica, assim como pelo contexto político da Ditadura Militar e a falta de engajamento dos artistas da dança. O trabalho que marca o retorno de Marilena aos palcos, após um período em que enfrenta a falta de inspiração e crise diante do momento social e político do país e da cena artística, estreia no Teatro de Dança Galpão, sendo considerado o início de uma nova fase da sua carreira.

No mesmo ano, Célia Gouveia dirige o espetáculo Pulsações (1975), um desdobramento das aulas que ministrou com a primeira turma de estudantes do Galpão, onde se propõe uma forma de dançar inventiva que se afasta de padrões normativos dos corpos e técnicas. Também considerado emblemático, o espetáculo Escuta, Zé! (1977), dirigido por Marilena com um grupo de bailarinos e atores, faz temporada no Galpão e repercute por debruçar-se sobre a libertação do corpo e da sexualidade, inspirado no livro Escute, Zé-Ninguém! (1945) do psicanalista e sexólogo Wilhelm Reich (1897-1957). 

Além da gratuidade e do perfil das aulas, que diferenciam radicalmente a proposta do espaço das tradicionais academias de dança, o Galpão promove o encontro entre artistas de diversas técnicas, experiências e origens, gerando intercâmbio profícuo e formação que ultrapassa o aprimoramento técnico. Segundo Célia Gouvêa, uma das principais marcas desse empreendimento é a criação de vínculo entre dança e sociedade, através de uma convivência que fomenta uma reflexão crítica coletiva e espontânea inspirada também pela intensa mobilização da classe teatral da época.

A influência e contribuição desse projeto para cena da dança contemporânea é definitiva e confirma-se pela passagem de outros importantes nomes da cena como alunos, como Ismael Ivo (1955-2021) e Clarisse Abujamra (1948), e de grupos experimentais que ensaiavam e se apresentavam no local como o Teatro do Movimento, da dupla de coreógrafos Klauss Vianna (1928-1992) e Angel Vianna (1928); e o Teatro de Dança de São Paulo, de Célia e Maurice. Passaram pela formação do Galpão também atores e atrizes como Antônio Pitanga (1939), Denise Stoklos (1950) e Rosi Campos (1954), garantindo certa influência também no campo teatral.

Nesse sentido, verifica-se a relevância do Teatro de Dança Galpão como uma experiência que marca uma geração de artistas e aponta outros horizontes possíveis para a criação em artes do corpo e do movimento. Sua contribuição para o advento da dança contemporânea revela uma integração maior entre linguagens, propondo rupturas com uma tradição de técnica e padronização de corpos. Sua influência marca não só os processos criativos e obras nas próximas décadas, mas também o próprio ensino e formação de bailarinos e coreógrafos.

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