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Artes visuais

Escola Brasil

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.01.2021
1970 Brasil / São Paulo / São Paulo
1974 Brasil / São Paulo / São Paulo
Um "centro de experimentação artística dedicado a desenvolver a capacidade criativa do indivíduo", anuncia o catálogo da Escola Brasil: no ano de sua criação, 1970. O projeto, concebido em 1968 por um grupo de artistas paulistas - José Resende (1945), Carlos Fajardo (1941), Luiz Paulo Baravelli (1942) e Frederico Nasser (1945), - está ancorado n...

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Histórico

Um "centro de experimentação artística dedicado a desenvolver a capacidade criativa do indivíduo", anuncia o catálogo da Escola Brasil: no ano de sua criação, 1970. O projeto, concebido em 1968 por um grupo de artistas paulistas - José Resende (1945), Carlos Fajardo (1941), Luiz Paulo Baravelli (1942) e Frederico Nasser (1945), - está ancorado na ideia de que o aprendizado da arte passa sobretudo pela experiência no interior de ateliês, e não pelo ensino formalizado de história, técnicas e métodos, como prescrito pelas escolas de arte tradicionais. Um espírito antiacadêmico alimenta a proposta de ensino e pesquisa, traduzido tanto no espaço físico quanto na rotina do trabalho. "Abolimos as cadeiras, as matérias, as divisões estanques e a fragmentação do conhecimento artístico", afirma o texto do catálogo. Os dois pontos no final do nome indicam a abertura da proposta - algo indefinível e segundo muitos uma ironia diante do nacionalismo dos governos militares. Sobre o clima político do momento, indica Baravelli: "Em 1968, quando a escola começou a ser pensada, a barra pesou de vez com o AI-5 e estávamos então naquela idade em que se tem comichão de viagem, emigrar etc. A tentação era grande e as condições favoráveis, mas resolvemos fincar pé aqui e assumir a condição de brasileiros, com AI-5 e tudo o mais".

Funcionando no prédio de um antigo laboratório farmacêutico, em Santo Amaro, a Escola valoriza os grandes espaços, pela flexibilidade de uso que eles permitem. Sem disciplinas definidas, nem orientação unívoca, a formação do aluno constitui-se de etapas, mais ou menos longas, em função do aproveitamento individual. O eixo central são quatro ateliês, cada um deles dirigido por cada um dos artistas, organizados com base em diferentes enfoques e concepções, mas cujo funcionamento independente pressupõe a possibilidade de diálogo entre visões distintas. O primeiro momento do ensino estrutura-se por meio de propostas de exercícios coletivos. O estágio seguinte é constituído pelos ateliês, em que o aluno escolhe um professor para acompanhar diariamente o seu trabalho. "Uma pessoa poderia se inscrever para cursar de manhã, à tarde ou à noite", explica Baravelli. "O curso ocupava cinco dias, três horas por dia, um dia para cada um de nós e um dia de trabalho livre. As matrículas estavam permanentemente abertas. O aluno entrava num desses exercícios coletivos e continuava o curso a partir daí". Ao lado dessa estrutura formal mínima, são oferecidas oficinas opcionais, fora dos horários regulares: de gravura - orientadas por Babinski (1931) e depois por Dudi Maia Rosa (1946) -; de madeira e metal - a cargo de Baravelli -; e de fotografia - sob responsabilidade de Claudia Andujar (1931) e George Love (1937-1995).

A origem do projeto remete ao encontro dos quatro artistas nos cursos de Wesley Duke Lee (1931-2010), no início da década de 1960. Em 1966, são eles os responsáveis - com Geraldo de Barros (1923-1998), Nelson Leirner (1932) e Wesley Duke Lee - pela criação do Grupo Rex, pelo jornal-boletim Rex Time e pela abertura da Rex Gallery and Sons. Nos termos de José Resende, "a escola dava continuidade à atuação profissional de cada um, e esteve pautada pela independência e inconformismo frente ao meio de arte". Tudo isso, continua ele, "impulsionado pelo Wesley Duke Lee, pelo humor corrosivo e crítico de seus trabalhos". Entre 1968 e 1970, Fajardo, Resende, Baravelli e Nasser expõem juntos na Petite Galerie (Rio de Janeiro), na Art Art (São Paulo), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP). A colaboração entre os quatro artistas, antes e durante o funcionamento da Escola Brasil:, esteve baseada na articulação de visões artísticas diferentes. Se isso é verdade, alguns ex-alunos arriscam localizar um "estilo Brasil:". Nos termos do crítico Ivo Mesquita (1951), podem ser vistos como traços particulares daqueles que passaram pela escola "o desenho, as cores acrílica-liquitex, os pincéis largos e marcados, as muitas telas feitas à mão, um gosto pelo artesanal e uma preocupação com o acabamento". Frequentaram a Escola Brasil: entre 1970 e 1974: Boi (1944), Dudi Maia Rosa, Sérgio Fingermann (1953), Flávia Ribeiro (1954), e as galeristas Luisa Strina (1943) e Regina Boni, entre outros. O que revela a importância da escola para a formação de pessoas que vão ajudar a revitalizar o meio artístico de São Paulo. Os depoimentos dos fundadores mencionam um total aproximado de 400 alunos. Apesar de sua breve duração, de 1970 a 1974, a Escola Brasil: entra para a história das artes visuais no país como uma experiência inovadora e única. Se não inaugura movimentos ou correntes, forma artistas de feitios muito variados. Quando de seu fechamento, os quatro artistas responsáveis pelo projeto encerram também a sua colaboração profissional.

Fontes de pesquisa 4

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  • ESCOLA Brasil. Arte em São Paulo, São Paulo, n. 26, out. 1984. Edição especial.
  • MATTOS, Cláudia Valladão de. Entre quadros e esculturas: Wesley e os fundadores da escola Brasil. organização Yanet Aguilera; tradução Douglas V. Smith, Silvio Rosa Filho; ilustração Fábio Miguez, Marcia Pastore; fotografia Eduardo Giannini Ortega. São Paulo, SP: Discurso Editorial, 1997.
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.

Como citar

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