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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Hochschule für Gestaltung Ulm (HfG)

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.11.2018
1952 Alemanha / Baden-Württemberg / Ulm
05.12.1968 Alemanha / Baden-Württemberg / Ulm
Conhecida como Escola Superior da Forma, a Escola de Ulm, na Alemanha, é um centro de ensino e pesquisa de design e criação industrial, concebida em 1947 e fundada em 1952, por Inge Aicher-Scholl (1917-1998) e Otl Aicher (1922-1991), professores da já existente Escola Popular Superior da Forma de Ulm, e por Max Bill (1908-1994), antigo aluno da ...

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Histórico

Conhecida como Escola Superior da Forma, a Escola de Ulm, na Alemanha, é um centro de ensino e pesquisa de design e criação industrial, concebida em 1947 e fundada em 1952, por Inge Aicher-Scholl (1917-1998) e Otl Aicher (1922-1991), professores da já existente Escola Popular Superior da Forma de Ulm, e por Max Bill (1908-1994), antigo aluno da Bauhaus. Trata-se de um empreendimento privado de caráter interdisciplinar, que reúne arquitetos, designers, cineastas, pintores, músicos, cientistas e outros. A idéia da escola é formar profissionais com sólida base artística e técnica para atuarem na concepção de ampla gama de objetos produzidos em escala industrial, de uso cotidiano ou científico, relacionados à construção e aos suportes modernos de informação, às mídias e à publicidade. O modelo de Ulm retoma as relações entre arte e ofícios, arte e indústria, arte e vida cotidiana presentes nas experiências anteriores do arts and crafts, do art nouveau e do art déco, todos esses movimentos comprometidos com a superação das distâncias entre belas-artes e artes aplicadas. De modo mais direto, o centro de Ulm inspira-se na experiência da Bauhaus, sobretudo na fase da escola em Dessau, Alemanha em1925, quando a articulação entre arte e indústria se torna mais nítida. As relações de proximidade e distância com o projeto da Bauhaus marcam as diversas fases da Escola de Ulm, sendo responsáveis por discordâncias entre seus integrantes mais afeitos às artes e ao design, sob a inspiração de Walter Gropius (1883-1969), e os que enfatizam a primazia da ciência e da técnica. As palavras de Aicher são emblemáticas: "Quando Walter Gropius nos propôs chamar "Bauhaus Ulm" a Escola Superior da Forma [Hochschule für Gestaltung], nós recusamos".

O caráter internacional da instituição é flagrante. O corpo docente é recrutado em diversos países da Europa - França, Holanda, Inglaterra, Suíça, Áustria e da América do Sul e do Norte e é alta a porcentagem de estudantes estrangeiros: entre 40% e 50%. O corpo de conferencistas convidados é diversificado, o que realça a vocação cosmopolita do projeto e sua dimensão experimental, com a abertura permanente a idéias e teorias novas. Passam pela escola, entre outros, Rodolfo Bonetto (1929-1991), Josef Albers (1888-1976), Frei Otto (1925), Karl Gerstner (1930), Etienne Grandjean, Ralf Dahrendorf (1929), Hans Magnus Enzensberger (1929), Walter Gropius e Mies van der Rohe (1886-1969). O trabalho é organizado em cursos, seminários e atividades práticas sobre um projeto, definido também em função das encomendas recebidas de diversas indústrias e organizações. Quatro grandes seções definem a estrutura do trabalho: design de produtos, comunicação visual, construção e informação.

Os cursos dividem-se entre os comuns a todas as seções e os específicos, um de ensino fundamental e três especializados, em função da seção escolhida quatro anos de duração. A escola tem ainda um setor de criação cinematográfica. A filosofia mais geral que ampara sua concepção pedagógica é do desenvolvimento do espírito crítico, amparado na convicção de seus fundadores - todos eles antifascistas, é bom lembrar -, nas possibilidades de criação de um homem novo e de um novo estilo de vida. A independência econômica do centro em seus primeiros anos - sustentado pela Fundação Holl, criada quando ocorre a execução dos irmãos Hans e Sophia pelos nazistas - garante sua independência em relação à burocracia cultural de cunho conservador, convertendo-se em elemento fundamental a sustentar a liberdade de experimentação e de crítica.

Os estudiosos tendem a dividir a história da escola em algumas grandes fases. A primeira delas corresponde aos anos de criação, de 1947 a 1953, e ao grupo fundador, que imagina de início uma "Escola Superior Social e Política" que contribuísse para uma nova educação democrática. A idéia de Bill de criar uma Escola Superior de Projeto, definida em função do trabalho prático e coletivo em pequenos grupos, acaba se impondo e uma dotação do governo norte-americano, obtida por Aicher-Scholl, viabiliza o começo das atividades da Escola de Ulm. Os anos de 1953 a 1956 coincidem com o período em que  Bill dirige a escola, imprimindo amplo ideal universalista, definido na máxima: "Da colher à cidade [...] colaborar para a construção de uma nova civilização". Nesse período também é concluído o prédio, com base no desenho do próprio Bill. A atuação intensa de ex-alunos da Bauhaus nessa fase - além de Bill, Josef Albers, Johannes Itten (1888-1967) e Helene Nonné-Schmidt - define um projeto estético, social e político afinado com o modelo de Gropius.

No fim de 1956, Max Bill deixa a escola por discordâncias com o grupo formado pelo pintor argentino Tomás Maldonado (1922), pelo arquiteto holandês Hans Gugelot (1920-1965) e pelo antigo membro do De Stijl, Friedrich Vordemberge-Gildewart (1897-1981), ao qual se liga Aicher, que insiste no rompimento com a tradição artesanal da Bauhaus. Trata-se, segundo eles, de imprimir uma nova orientação à escola, mais voltada para a ciência, tecnologia moderna e produção em série, em que a arte e o design não sejam o centro. Nessa fase, as novas concepções das relações entre design, ciência e tecnologia desenham um "modelo ulmiano", que inclui uma definição renovada do designer: não mais um artista com proeminência sobre os demais (como queria Bill), mas sim um membro entre outros em um grupo de cientistas, pesquisadores, comerciantes e técnicos. Nessa fase, com a direção de Maldonado, o ensino fundamental integra teoria da percepção e semiótica. A seção de arquitetura, com influência de Konrad Wachsmann (1901-1980) e Herbert Ohl (1926), converte-se em seção de "construção industrializada".

Os anos de 1958 a 1962 expressam a primazia da ciência sobre o design, com a forte presença do matemático e teórico da planificação Horst Rittel (1930-1990), do especialista em sociologia industrial Hanno Kesting e do engenheiro mecânico e professor inglês Leonard Bruce Archer (1922-2005). Nas palavras do crítico Herbert Lindinger (1933), "o positivismo científico se propaga em Ulm a partir de 1958". As resistências a esse formato excessivamente científico e planejador culminam no período seguinte, de 1962 a 1967, em que Aicher e Maldonado assumem a direção da escola na tentativa de imprimir novo equilíbrio entre teoria e prática, entre ciência e design. Nessa fase a formação teórica é enfatizada com a presença de filósofos da comunicação como Abraham Moles (1920-1992), e definidos métodos mais claros de análise de design. O período coincide com o agravamento dos problemas financeiros da escola. Os anos finais da escola, 1967 e 1968, se caracterizam pela penúria econômica e redução do número de cursos. O parlamento de Stuttgart, que se torna a principal fonte de financiamento da instituição, exige soluções práticas. Além disso, o movimento de 1968 no mundo inteiro reverbera em críticas ao modelo da escola, fechada oficialmente em 5 de dezembro de 1968.

A Escola de Ulm é responsável pela experiência mais significativa do movimento do design no período posterior à Segunda Guerra Mundial, 1939 -1945. Apesar de suas dimensões reduzidas em toda sua vida não abriga mais do que 640 estudantes, dos quais apenas 215 saem diplomados -, estabelece uma metodologia nova no campo da criação, cujas marcas ainda estão presentes. O design moderno na tradição do funcionalismo estabelecido pela Escola de Ulm pode ser visto nos produtos concebidos pela empresa Braun; no metrô de Hamburgo; no mobiliário M 125; no primeiro sistema hi-fi para a Braun; no carrossel para slides da Kodak; no logotipo da Lufhtansa; em cartazes de cinema e shows (no de Stan Getz em Paris, em 1959 e 1960, por exemplo) e de outros eventos. Marcas da escola se fazem presentes no mundo: Índia, Japão e América Latina. No Brasil a experiência da Bauhaus e de Ulm podem ser percebidos no projeto do Instituto de Arte Contemporânea (IAC) do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), em 1951, e na experiência da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), Rio de Janeiro, 1963. Lembremos ainda que Geraldo de Barros (1923-1998), Almir Mavignier (1925) e Alexandre Wollner (1928) passam, como alunos, pela Escola Superior da Forma e é grande a influência de Max Bill sobre as vertentes mais construtivas da arte brasileira na década de 1950.

Exposições 1

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Fontes de pesquisa 3

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  • L' ÉCOLE D'ULM: textes et manifestes. Introduction Herbert Lindinger. Textes François Burkhardt, Otl Aicher et autres. Paris: Centre Georges Pompidou, 1988. 79 p. Il p&b. color.
  • MAX BILL. Oeuvres 1928- 1969, Paris: Centre National d'Art Contemporain, 1969. 93 p. il p&b. color.
  • THOMAS, Angela. Max Bill. Studen: Fondation Saner, 1993. 133 p. il. p&b. color.

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