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Artes visuais

Escolinha de Arte do Recife (EAR)

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.04.2016
06.03.1953 Brasil / Pernambuco / Recife
A Escolinha de Arte do Recife (EAR) surge no Movimento Escolinhas de Arte (MEA), iniciado nos anos 1940. O movimento tem por objetivo a pesquisa de novos parâmetros para a arte-educação, fundamentados na liberdade de expressão.

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Histórico
A Escolinha de Arte do Recife (EAR) surge no Movimento Escolinhas de Arte (MEA), iniciado nos anos 1940. O movimento tem por objetivo a pesquisa de novos parâmetros para a arte-educação, fundamentados na liberdade de expressão.

Desde a década de 1930, o Movimento Escola Nova começa a deslocar o ensino-aprendizagem centrado no intelecto para as emoções e outros aspectos psicológicos. O Estado Novo defendia práticas pedagógicas que restringiam o espaço de liberdade dos estudantes, como a ênfase no desenho geométrico. Ao término do Estado Novo, ganha força a ideia de valorizar a arte como livre expressão.

O MEA recebe influência direta do Movimento Escola Nova, das ideias sobre arte-educação desenvolvidas pelo artista austríaco Franz Cizek (1865-1946) e das teorias do crítico de arte britânico Herbert Read (1893-1968), presentes no livro Education through Art (1943).

A EAR é fundada em 1953 pela arte-educadora pernambucana Noemia Varela e pelo artista e poeta também pernambucano Augusto Rodrigues (1913-1993). Sua história cruza-se com a criação da primeira escola do movimento, a Escolinha de Arte do Brasil (EAB), fundada em 1948, no Rio de Janeiro, e com outras experiências educacionais que afloram em Pernambuco.

Na época, em Recife, há iniciativas inovadoras: o artista Lula Cardoso Ayres (1910-1987) oferece um espaço para o contato com materiais expressivos numa experiência não dirigida de criação; o educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997) trabalha com a formação de professores; o médico psiquiatra Ulisses Pernambucano (1892-1943) influencia educadores, incentivando práticas inovadoras no tratamento de doenças mentais. Das pesquisas do psiquiatra, surge o tratamento de pacientes por meio das artes. Ulisses cria, em 1925, aquela que viria a se chamar Escola Especial Ulisses Pernambucano, dedicada à educação especial, na qual Noemia Varela inaugura um ateliê de arte.

Augusto Rodrigues entra em contato com o trabalho de Ulisses, que o incentiva a seguir a carreira artística. Passa a residir no Rio de Janeiro em 1935. No Rio, em 1941, visita a exposição inglesa de arte infantil, trazida pelo Conselho Britânico, produzida nas escolas regulares e apresentada por Herbert Read. A mostra estimula o surgimento de um grupo de discussões sobre arte e educação. Desse debate resulta a EAB. Em 1949, Noemia Varela vai para o Rio conhecer esse trabalho. Volta ao Recife e mantém contato com os integrantes da EAB. Torna-se diretora da Escola de Educação Especial Ulisses Pernambucano e professora de Didática na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em 1953, Noemia Varela realiza na Escola Especial um curso para 43 professores da rede pública de Recife. Augusto Rodrigues, que trabalha na extensão da experiência da EAB para outros estados, ministra aulas sobre o fazer artístico. O curso conta, ainda, com uma equipe interdisciplinar formada por médicos, psiquiatras, antropólogos e psicólogos, entre eles, a professora Olívia Pereira, representando a Sociedade Pestalozzi. Desse encontro nasce a Escolinha de Arte do Recife, em 6 de março de 1953. A escola é instalada na Rua do Cupim, nº 124, onde permanece até os dias atuais. Tem o apoio da Secretaria de Educação e Cultura e a colaboração dos artistas Aloísio Magalhães (1927-1982), Francisco Brennand (1927) e Lula Cardoso Ayres.

A Escola de Belas Artes da UFPE passa a oferecer um programa de estágio para os estudantes de licenciatura, ministrado na EAR, sob supervisão de Noemia Varela. A arte-educadora Ana Mae Barbosa (1942) entra em contato com a EAR ao participar de um curso preparatório para professores da rede pública no Instituto Capibaribe. O curso é organizado pelo educador Paulo Freire e sua esposa, D. Elza Freire (1916- s.d.), com aulas de Noemia Varela sobre arte-educação. Ana Mae Barbosa estagia na EAR e passa a coordenar o programa de estágio dessa escola após a transferência de Varela para a direção da Escolinha de Arte do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1959. A educadora Maria Luiza Rocha assume a direção da EAR. Com o Golpe Militar em 1964, muitos intelectuais deixam o Recife. Entre eles, Paulo Freire e Ana Mae Barbosa, que funda as Escolinhas de Arte de Brasília e de São Paulo.

Por se tratar de um sistema de ensino paralelo ao sistema oficial, as Escolinhas de Arte atendem crianças de famílias abastadas e de classe média intelectual. Mas há no Movimento a prática de concessão de bolsas de estudos e a preocupação com a disseminação de suas metodologias entre outros estratos sociais, numa tentativa de suprir lacunas do sistema educacional brasileiro. Por meio dos cursos de formação de professores, o MEA influencia a reflexão sobre o ensino regular.

A trajetória da EAR é permeada pela discussão entre a concepção moderna de arte-educação, defendida por Noemia Varela, que tem como prioridade a livre expressão, e a proposta por Ana Mae Barbosa. Esta pesquisadora considera a arte um campo do saber que, como outras disciplinas, pode ser ensinada por meio das proposições de Herbert Read: a autoexpressão, observação e a apreciação da arte. Ambas as visões compõem as práticas da EAR. A Escolinha enfatiza a livre expressão por meio do desenho e da pintura, e explora outras linguagens artísticas e manifestações da cultura popular. A Escolinha de Arte do Recife atua, desde 1950, como um dos principais centros irradiadores de novas ideias sobre arte-educação no país.

Exposições 1

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Fontes de pesquisa 7

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  • AZEVEDO, Fernando Antonio G. Movimento Escolinhas de Arte: em cena Noêmia Varela e Ana Mae Barbosa. 2001. 166 f. Dissertação (Mestrado em Artes Plásticas) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
  • BARBOSA, Ana Mae (Org.). Ensino da arte: memória e história. São Paulo: Perspectiva, 2008.
  • BARBOSA, Ana Mae. Abordagem triangular no ensino das artes e culturas visuais. São Paulo: Cortez, 2010.
  • GHIRALDELLI. Paulo. História da educação Brasileira. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2009.
  • READ, Herbert. A educação pela arte. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
  • RODRIGUES, Augusto (Org.). Escolinha de Arte do Brasil. Brasília: Inep, 1980. (Estudos e pesquisas, 6).
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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