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Enciclopédia Itaú Cultural

Palácio Gustavo Capanema

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.01.2018
1945 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Luiz Hossaka

Garimpo, 1938
Candido Portinari
Afresco
298,00 cm x 280,00 cm

Marco da arquitetura moderna no Brasil, o edifício do Ministério da Educação e Saúde (atual Palácio Gustavo Capanema), no Rio de Janeiro, é o resultado do trabalho de um grupo arquitetos liderados por Lucio Costa (1902 - 1998), e do qual participam Affonso Eduardo Reidy (1909 - 1964), Carlos Leão (1906 - 1983), Jorge Moreira (1904 - 1992) , Erna...

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Histórico

Marco da arquitetura moderna no Brasil, o edifício do Ministério da Educação e Saúde (atual Palácio Gustavo Capanema), no Rio de Janeiro, é o resultado do trabalho de um grupo arquitetos liderados por Lucio Costa (1902 - 1998), e do qual participam Affonso Eduardo Reidy (1909 - 1964), Carlos Leão (1906 - 1983), Jorge Moreira (1904 - 1992) , Ernani Vasconcellos (1909 - 1988) e Oscar Niemeyer (1907 - 2012), todos afinados com as linhas mestras do racionalismo arquitetônico e conhecedores da obra de Le Corbusier (1887 - 1965). Pintor e escultor, além de arquiteto e urbanista, Le Corbusier está entre os expoentes da arquitetura moderna que se dissemina nas primeiras décadas do século XX por todo o mundo. O artista tem intensa participação nos debates sobre as artes visuais, sobretudo em função da revista L'esprit Nouveau (1920 - 1925) e o purismo, defendido no manifesto Après le Cubisme (1918). Mas são os ensaios reunidos em Vers Une Architecture (1923) que lhe conferem reconhecimento na cena internacional, entre 1920 e 1960, como formulador dos princípios da nova arquitetura ancorada no plano racional e na funcionalidade. Os cinco elementos que definem o programa arquitetônico corbusiano são: os pilotis, a planta livre, o terraço-jardim, a fachada livre e as janelas horizontais. Os princípios centrais do seu método de trabalho e de sua filosofia urbanística - o uso racional dos materiais, métodos econômicos de construção, linguagem formal sem ornamentos e diálogo sistemático com a tecnologia industrial - terão influência na arquitetura moderna brasileira.

A origem do edifício remonta ao concurso para anteprojetos da nova sede do ministério, em 1935, cujos vencedores são Archimedes Memória (1893 - 1960) e Francisque Cuchet, com um projeto marcado pela ornamentação marajoara. O ministro Gustavo Capanema (1901-1985) premia o projeto, mas não o executa, chamando Lucio Costa para formular outro plano. Sejam quais tenham sido as razões para a atitude de Capanema, o certo é que o ministro, cercado pelos mais importantes nomes das artes e da intelectualidade do país, sabe que o projeto vitorioso não se coaduna com as preocupações modernizadoras de seus assessores, nem corresponde às suas próprias aspirações de estar à frente de uma obra que deveria ter impacto internacional. Lucio Costa, por sua vez, é uma das figuras de maior destaque entre os adeptos da arquitetura moderna, como demonstram suas posições teóricas e práticas, entre elas sua tentativa de reforma da Escola Nacional de Belas Artes - Enba, em 1930/1931. Costa aceita o convite e forma uma equipe de ex-alunos da Enba, todos admiradores das teorias de Le Corbusier. A decisão de convidar o próprio Le Corbusier para trabalhar como consultor do projeto é parte de um acordo entre Lucio Costa e Capanema. O arquiteto franco-suíço chega então ao país, em 1936, para assessorar diretamente o plano do ministério e para elaborar o primeiro esboço da Cidade Universitária que se pretendia construir na Quinta da Boa Vista, mas que nunca saiu do papel.

O projeto realizado para o edifício do Ministério da Educação e Saúde reflete a tentativa do grupo brasileiro de incorporar os preceitos racionais da arquitetura corbusiana: a adoção de formas simples e geométricas, o térreo com pilotis, os terraços-jardim, a fachada envidraçada, as aberturas horizontais, a integração dos espaços interno e externo, o aproveitamento da ventilação e luz naturais por meio do uso de lâminas móveis e o trabalho com volumes puros, a partir do cruzamento de um corpo horizontal e de um vertical. As modificações feitas pelo grupo de Lucio Costa dão origem a um resultado novo, fruto da combinação entre o léxico do racionalismo arquitetônico internacional e as experiências até então realizadas pela escola carioca. Dentre as soluções novas formuladas pelo grupo local, lembra o historiador Yves Bruand, estão o dinamismo e a leveza do conjunto, e a forte integração entre arquitetura, paisagismo e artes plásticas. O projeto tem destaque ainda por ser a primeira realização mundial da curtain wall (fachada envidraçada orientada para a face menos exposta ao sol) e a primeira utilização do brise-soleil em larga escala, inventado três anos antes por Le Corbusier (no Brasil, o brise-soleil já havia sido utilizado no prédio da Associação Brasileira de Imprensa - ABI, 1936, e na Obra do Berço, 1937, pequena escola maternal em Botafogo, de autoria de Niemeyer).

Situando o edifício no centro do terreno, e separando-o do entorno, o projeto realizado pela equipe de Lucio Costa segue o modelo de implantação de arranhas-céus isolados, o que subverte as normas de ocupação tradicional da cidade do Rio de Janeiro. A construção se desenvolve em sentido vertical, contrariando a horizontalidade pretendida por Le Corbusier no esboço primeiro. Ele havia projetado também um edifício estreito, com todas as salas de um mesmo lado, o que não se adequava a um prédio com maior altura, segundo a equipe brasileira. Assim, as salas são dispostas de ambos os lados do corredor central, tendo sido as paredes substituídas por divisórias de meia altura, que facilitam a ventilação e conferem maior flexibilidade ao espaço. Visando a um melhor aproveitamento da luz, são utilizados caixilhos de vidro na fachada sudeste - para maior iluminação e vista da baía de Guanabara - e, na fachada oposta, mais iluminada, os brise-soleils, com lâminas horizontais móveis. Por sua vez, os três volumes distintos sobre pilotis, projetados por Le Corbusier, se transformam em um bloco principal também sobre pilotis - mais altos do que o previsto - e em dois outros blocos baixos localizados num mesmo eixo, de modo a sugerir continuidade. No térreo, uma esplanada aberta, ajardinada, com espaços livres distribuídos por todos os lados, valoriza a construção, que ganha um novo efeito de monumentalidade, sugerido pelos contrastes entre volumes e vazios.

A sede do Ministério da Educação e Cultura é complementada por obras de arte de autoria de Candido Portinari (1903 - 1962) - murais no gabinete do ministro e desenhos de todos os azulejos -, esculturas de Celso Antônio (1896 - 1984), Bruno Giorgi (1905 - 1993) e Jacques Lipchitz (1891 - 1973), além de jardins de Burle Marx (1909 - 1994). A construção do edifício, iniciada em 1937, conhece um primeiro acabamento exterior em 1942 - quando é fotografado para a exposição e para o livro Brazil Builds: Architecture New and Old -, mas só é inaugurada oficialmente em 1945, por Getúlio Vargas (1882 - 1954).

Obras 18

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Água

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Luiz Hossaka

Algodão

Afresco
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

As Gêmeas

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Borracha

Afresco
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Cacau

Afresco

Espetáculos 1

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Exposições 24

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Palestras 1

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Fontes de pesquisa 5

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  • BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. Tradução Ana M. Goldberger. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1999.
  • HARRIS, Elizabeth D. Le Corbusier: riscos brasileiros. São Paulo: Nobel, 1987. 218 p., il.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • WISNIK, Guilherme. Lúcio Costa. São Paulo: Cosac & Naify, 2002, 127 pp. il. p& b, color [Espaços da arte brasileira].
  • XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

Como citar

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