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Artes visuais

Madame Satã

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.05.2017
21.10.1983 Brasil / São Paulo / São Paulo
06.1992 Brasil / São Paulo / São Paulo
O Madame Satã é, no período de 1983 a 1986, local central de produção e divulgação da cultura underground da cidade de São Paulo. Localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 873, no bairro da Bela Vista, é fundado por Miriam Dutra (1953) e Márcia Dutra (1959), funcionárias públicas e atrizes amadoras; e Wilson José (1954-1992) e Williams Jorge (1956)...

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Histórico

O Madame Satã é, no período de 1983 a 1986, local central de produção e divulgação da cultura underground da cidade de São Paulo. Localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 873, no bairro da Bela Vista, é fundado por Miriam Dutra (1953) e Márcia Dutra (1959), funcionárias públicas e atrizes amadoras; e Wilson José (1954-1992) e Williams Jorge (1956), ex-seminaristas e atores amadores. Wilson José forma-se em teatro no CPT (Centro de Pesquisa Teatral no Sesc Consolação) e Miriam e Márcia Dutra no curso da Escola de Teatro Macunaíma.

Os quatro se conhecem em 1982 e abrem, em 21 de outubro de 1983, o Restaurante Cultural Madame Satã. A entrada de um novo sócio, José Claudio Mendes (1940-2012), promoter e agitador cultural, em 1 de março de 1984, introduz o conceito de casa noturna com pista de dança e pequeno palco para apresentações, tendo o espaço superior voltado para performances de artistas plásticos, atores e dançarinos. O lugar torna-se referência para artistas de teatro, dança, música e várias correntes de comportamento derivadas de estilos musicais de rock que existiam no período: new wave, dark, punk rock e pós-punk.

Entre 1984 e 1986, recebe 79 bandas, tais como: RPM, Fellini, Inocentes, Ira, Ultraje a Rigor, Capital Inicial, Legião Urbana, Plebe Rude, Engenheiros do Havaí, Biquini Cavadão e Jardim das Delícias. Esta última, liderada pela transexual Cláudia Wonder (1955-2010), soma rock e performance no show Vômito do Mito. No final do show, Wonder apresentava-se nua com uma máscara animalesca e se banhava numa banheira cheia de groselha imitando sangue.

A casa também lançou os DJs Marquinhos MS (1963-1994), Magal (1965), Renato Lopes (1962), Kid Vinil (1955) e Mau Mau (1968). Por lá também passaram vários grupos de teatro e dança, entre os quais Marzipan, Luni, Harpias e Ogros, Ornitorrinco e XPTO.

Em 1985, realiza-se um projeto mais amplo, o Conexão Urbana, abrangendo várias linguagens: artes plásticas - com seleção de feita por César Augusto Sartorelli (1961) -, música e teatro, entre outras. Ele ocorre entre 8 a 13 de julho, em São Paulo, no Madame Satã, e entre 15 e 20 de julho no Rio de Janeiro. Com coordenação de Ana Luisa Taunay Graça Couto (1965), as apresentações do Rio de Janeiro acontecem na Funarte, no Centro Cultural Cândido Mendes e no Circo Delírio. O projeto tem como princípio a ideia de que a arte produzida nos centros das duas maiores cidades do país traduziria uma urbanidade comum a ambas. Participaram em São Paulo, entre outros, os artistas plásticos: Dora Longo Bahia (1961), Nina Moraes (1960), Oscar Oiwa (1965) e Ricardo Woo (1964).

O Madame Satã é um fenômeno dos primeiros anos após o fim da ditadura militar no Brasil, período em que ocorre uma atmosfera de liberdade de manifestação aliada a resquícios da contracultura e do movimento hippie das décadas de 1960 e 1970 e às influências dos movimento punk inglês e new wave americano. Por isso, torna-se um local de troca de informações e marco do início de carreira de boa parte dos artistas e profissionais do meio cultural da cidade de São Paulo.

Em 1986, perde três sócios: Miriam Dutra, Márcia Dutra e Zé Claudio Mendes. As atividades continuam até 1991 sob direção de Williams Jorge e  Wilson José, quando, após o falecimento do último, fecha em junho de 1992. No mesmo local surge, no ano seguinte, sob outra direção, a casa noturna Morcegévia. Retoma-se o nome Madame Satã em 1999. A casa fecha e reabre com o nome Madame em 2013.

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