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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Oficina Guaianases de Gravura

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.10.2020
1974 Brasil / Pernambuco / Olinda
1995 Brasil / Pernambuco / Olinda
A Oficina Guaianases de Gravura é uma casa editorial dedicada à gravura artística, especialmente à litogravura. Surge da atividade informal de um grupo de artistas interessados em litografia que se reúne, desde 1974, em torno dos gravuristas João Câmara (1944) e Franklin Delano (1945-2010). Guaianases deve-se ao nome da rua onde se localiza a pr...

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Histórico

A Oficina Guaianases de Gravura é uma casa editorial dedicada à gravura artística, especialmente à litogravura. Surge da atividade informal de um grupo de artistas interessados em litografia que se reúne, desde 1974, em torno dos gravuristas João Câmara (1944) e Franklin Delano (1945-2010). Guaianases deve-se ao nome da rua onde se localiza a primeira sede, o ateliê de João Câmara, no bairro de Campo Grande, Recife. Em 1978, o grupo realiza a primeira exposição na cidade, na Galeria Abelardo Rodrigues, e recebe a adesão de novos integrantes. Em 1979, a Oficina Guaianases de Gravura é fundada oficialmente como sociedade sem fins lucrativos. No mesmo ano, passa a funcionar em Olinda em dois endereços, no Mercado da Ribeira, conforme contrato de comodato com a prefeitura de Olinda, e na rua do Amparo, também em comodato, mas com o governo do estado de Pernambuco, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) [1].

A Oficina possui um programa editorial orientado para a coleções variadas: estampas populares sobre temas típicos locais; produtos gráficos, como postais, mapas turísticos e calendários; e portfólios representativos da indústria litográfica regional. Além da atividade de impressão, promove eventos, como leilões de arte e cursos de desenho, litografia, gravura em metal, conservação de obras etc. Dentre os participantes do grupo, destacam-se Gilvan Samico (1928-2013), Gil Vicente (1958), Tereza Costa Rêgo (1929) e Luciano Pinheiro (1946)

O coletivo adquire repercussão nacional e gravuristas de outros estados viajam até Olinda para frequentar a oficina. Os artistas adotam o hábito de guardar uma cópia de cada gravura produzida, o que origina uma grande coleção.

Em 1994, o grupo se desfaz devido a dificuldades administrativas. No ano seguinte, os ex-membros decidem doar o arquivo, com aproximadamente 2.200 documentos, e o acervo, com matrizes de trabalhos em papel e mais de duas mil litogravuras, à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A gestão do Laboratório Oficina Guaianases de Gravura (Logg) torna-se responsabilidade do Departamento de Teoria da Arte da universidade. Por meio de projeto financiado pela Petrobras Cultural, em 2005, grande parte desse material encontra-se digitalizada e disponível em um banco de dados on-line [2].  A preservação e a difusão do acervo permitem reconstituir a memória coletiva deste período de Pernambuco e estimula a pesquisa sobre história da arte no país.

Em 2008, é realizada a exposição Oficina Guaianases e Laboratório OGG da Ufpe: Tradição e Experimentação, no Consulado Geral do Brasil em Nova York, com litogravuras produzidas entre 1975-1994. Em 2009, a UFPE organiza a mostra Oficina Guaianases de Gravura – Anos 70, cujo recorte, como o nome diz, apresenta as litogravuras produzidas na década de 1970.

A Oficina Guaianases de Gravura dinamiza a gravura em Pernambuco, tornando-se um polo cultural relevante para o estado. Agrega as funções de gráfica, galeria, escola de arte – promove cursos de formação e de aperfeiçoamento artístico – e ponto de encontro e interlocução de artistas. Até seu surgimento em 1974, a gravura em Pernambuco limita-se, quase que exclusivamente, às gravuras em matriz de metal de José de Barros, às xilogravuras de Gilvan Samico, J. Borges (1935) e José Claudio (1932) e litogravuras de João Câmara e Delano. Com a Oficina, a litogravura passa a ocupar lugar de destaque na criação artística. 

Na década de 1970, os principais temas das litogravuras produzidas pela Oficina remetem à ditadura militar [3] e à liberação sexual. Grande parte das obras desse período é figurativa, com predominância de figuras femininas.Tanto no aspecto temático quanto na qualidade dos artistas que a compõem, a produção da Oficina é heterogênea. Abrange desde gravuras com inspiração popular até produções abstratas de arte moderna. Nos anos 1980, a diversificação dos temas faz com que as gravuras aproximem-se mais da pintura. Segundo a jornalista Olívia Mindêlo, esse é um dos movimentos artísticos mais expressivos, duradouros e importantes de Pernambuco [4].

 

Notas

1. Neste período, a Oficina Guaianases mantém convênio de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

2. O banco de dados pode ser consultado no site: www.ufpe.br/guaianases/.

3. A ditadura militar instaura-se em 1º de abril de 1964 e permanece até 15 de março de 1985. Os direitos políticos dos cidadãos são cassados e os dissidentes perseguidos.

4. MINDÊLO, Olívia. Guaianases: acervo a salvo, restaurado e digitalizado. NordesteWeb, 11 jun. 2006. Disponível em: http://www.nordesteweb.com/not10_1206/ne_not_20061004b.htm. Acesso em: 5 dez. 2012.

Exposições 9

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Fontes de pesquisa 7

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