Artigo da seção instituições Museu da Escola de Belas Artes Dom João VI (MDJVI)

Museu da Escola de Belas Artes Dom João VI (MDJVI)

Artigo da seção instituições
 
Data de aberturaMuseu da Escola de Belas Artes Dom João VI (MDJVI): 1979 Local de abertura: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Busto de Marc Ferrez , 1854 , Honorato Manuel de Lima

Histórico
O Museu D. João VI, criado em 1979, pertence à Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e abriga arquivo histórico, biblioteca de obras raras e acervo museológico referentes à história do ensino artístico no Brasil. Tem sua origem associada à implementação do ensino artístico de caráter acadêmico no início do século XIX.

A reunião das obras que o compõem deve-se à criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, sancionada por d. João VI em 1816, e ao trabalho das escolas que deram sequência a essa instituição. Joaquim Lebreton (1760-1819), chefe da Missão Artística Francesa, inicia em 1816 o projeto para a Escola Real. Supostamente traz consigo da França 42 pinturas atribuídas à Leonardo da Vinci, Veronese e Poussin, entre outros,1 especialmente para o fim de constituírem modelos de estudo para a instituição. As pinturas são adquiridas pelo reino e dão início ao acervo, junto a outra coleção trazida da Europa pela família real portuguesa em 1808.

A instituição só começa a funcionar de fato em 1826, sob o nome de Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). Somam-se ainda as doações do conde da Barca e a da viúva de Henrique José da Silva (1772-1834) em 1834. O acervo inicial é ampliado ao longo dos anos pela produção interna da academia, que adquire obras resultantes de processos didáticos, exposições anuais, concursos para contratação de professores ou prêmios de viagem, bem como cópias de grandes mestres feitas pelos pensionistas. Em 1843, a pinacoteca é organizada por Félix Émile Taunay (1795-1881) e na gestão de Manuel Araújo Porto Alegre (1806-1879), entre 1854 e 1857, ganha edifício próprio, decorado por Léon Pallière (1823-1887), anexo ao da academia, de Grandjean de Montigny (1776-1850).

Após a Proclamação da República, a Aiba é nomeada Escola Nacional de Belas Artes (Enba) e, a partir de 1908, ocupa o edifício projetado por Morales de los Rios (1858-1928) na Avenida Rio Branco. Em 1937, com a criação do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), a coleção da Enba é dividida. Somente as obras didáticas e as diretamente ligadas à atuação docente da Missão Francesa permanecem na escola.

Em 1947, a coleção formada por Jeronymo Ferreira das Neves em Portugal no século XIX é doada à Enba, contendo pinturas do renascimento italiano, ibérico e flamengo, além de esculturas, gravuras, objetos e livros raros.

Ambas as instituições, MNBA e Enba, ocupam o mesmo edifício até 1975, quando a Enba é incorporada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), então sob o nome de Escola de Belas Artes (EBA). Ela é transferida para o campus da Ilha do Fundão, passando a ocupar o 2º andar do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, hoje conhecido como Prédio da Reitoria, projetado por Jorge Moreira (1904-1992). O acervo permanece nas salas de aula e nos ateliês até 1979, quando o Museu D. João VI é criado pelo então diretor da EBA, Almir Paredes. O acervo passa a ser organizado entre reserva técnica e exposição permanente, cujo percurso cronológico apresenta a história das instituições que o formam.

Entre 1994 e 1998, cerca de 3.653 obras e 6.221 documentos foram catalogados por meio do Projeto 180 anos da EBA 1916-1996, apoiado pelo CNPq. De 2005 a 2008, o Projeto Memória da Arte Brasileira nos Séculos XIX e XX: Revitalização do Museu D. João VI/EBA/UFRJ promove a higienização e a conservação do acervo, a atualização e a disponibilização do banco de dados via internet, a edição de um catálogo e a reorganização da reserva técnica, que é aberta ao público, incorporando a função de uma exposição permanente. Em 2006 é realizada uma reforma museológica que unifica os acervos históricos da EBA, formados pela Biblioteca de Obras Raras, o Arquivo e o Acervo Museológico.2 A biblioteca – que antes compunha uma seção dentro da Biblioteca da EBA – possui cerca de 4.000 volumes, entre os quais o livro de Grandjean de Montigny sobre a arquitetura toscana, escrito em 1815. O arquivo tem dois grupos de documentos: o primeiro contendo a documentação regular da Aiba e Enba, referente a matrículas, julgamentos de concursos e atas da congregação; e o segundo com documentação avulsa, correspondências e certidões. No chamado Acervo Museológico, dividido entre Coleção Didática e Coleção Ferreira das Neves, encontram-se 800 gravuras, 837 desenhos, 65 desenhos arquitetônicos, 480 pinturas, 560 esculturas, 595 diplomas de premiação, 253 porcelanas, 167 fotografias, 47 obras têxteis, 22 móveis, 9 vitrais e 4.928 moedas e medalhas que passam a ser organizados em exposição segundo seus suportes e gêneros.

Os diversos tipos de acervo, reunidos num mesmo espaço, são entendidos como complementares, ampliando a compreensão do processo de aprendizagem dos estudantes, os métodos de ensino e as referências que dispunham em imagens, obras e leituras. O acervo do museu reflete a prática de ensino da academia, centrada na imitação e reflexão sobre as soluções formais de seus modelos artísticos. Ao longo dos anos, cópias em gesso de esculturas gregas, italianas e francesas são adquiridas para o estudo do desenho.

Outras obras são incorporadas por meio dos envios dos estudantes que desfrutam o prêmio de viagens. A eles são encomendadas cópias de obras que representassem as características regionais das escolas e, ao mesmo tempo, que pudessem suprir as lacunas de formação dos próprios estudantes, em sua maioria pintores históricos. Tal prática de eleição de modelos, mais bem fundamentada por Lebreton e difundida a partir da direção de Félix Taunay, entre 1834 a 1851, segue até o início do século XX. Destacam-se no acervo as cópias realizadas por Victor Meireles (1832-1903) a partir de Tiziano, Veronese, Rubens e Gros, entre outros. Peças didáticas produzidas por professores também alimentam o acervo, como os muitos estudos anatômicos. Dentre os desenhos encontram-se projetos arquitetônicos de Grandjean de Montigny e projetos submetidos ao concurso para a estátua equestre de d. Pedro I, em 1855. Sobre o acervo de gravuras, formado de centenas de estampas e reproduções de obras de diversos períodos, concentra-se uma atividade fundamental para o sistema de ensino. Diante da carência de coleções e da dificuldade de acesso a modelos-vivos, a gravura foi uma das principais fontes de estudo para os artistas oitocentistas, que deviam, muitas vezes, estabelecer com as obras uma relação mediada exclusivamente pelo desenho, volume e composição.

Afirmando seu caráter universitário, o Museu D. João VI atende a pesquisadores e ao público e é objeto de estudo das disciplinas de desenho, história da arte e restauração da EBA/UFRJ.

Notas
1 Outras 12 pinturas chegam em 1817. Sobre os quadros trazidos por Lebreton, ver: MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES. Missão Artística de 1816. Quadros Trazidos por LeBreton. Anuário do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: O Museu, n. 7, 1945.
2 O projeto museológico é de autoria da historiadora Sônia Gomes Pereira e o projeto museográfico da arquiteta Marize Malta, professoras da EBA/UFRJ.

 

Outras informações da instituição Museu da Escola de Belas Artes Dom João VI (MDJVI):

  • Outros nomes
    • Museu da EBA D. João VI
    • Museu Dom João VI
    • Universidade Federal do Rio de Janeiro. Museu da Escola de Belas Artes Dom João VI
  • Atuação
    • Museu de Arte
    • Museu de História

Obras de Museu da Escola de Belas Artes Dom João VI (MDJVI): (8) obras disponíveis:

Fontes de pesquisa (10)

  • BANCO DE DADOS do Museu D. João VI. Disponível em: http://www.museu.eba.ufrj.br. Acesso em: 17 mar. 2015.
  • BARATA, Mário. Manuscrito inédito de Lebreton sobre o estabelecimento de uma dupla escola de artes no Rio de Janeiro em 1816. Revista do Iphan, Rio de Janeiro, n.14. p. 283-307, 1959, .
  • CORTELAZZO, Patrícia Rita. O ensino do desenho na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro e o acervo do Museu D. João VI (1826-1851). (Dissertação) Mestrado. Campinas: Unicamp, 2004.
  • LEITE, Reginaldo da Rocha. A contribuição das escolas artísticas europeias no ensino das artes no Brasil oitocentista. 19&20, Rio de Janeiro, v. IV, n. 1, jan. 2009.

    Disponível em: [http://www.dezenovevinte.net/ensino_artistico/escolas_reginaldo.htm]. Acesso em: 2 jun. 2014.

  • LOURENÇO, Maria Cecília França. Museus acolhem moderno. São Paulo: Edusp, 1999. 293 p., il. p&b. (Acadêmica, 26). 
  • MUSEU D. JOÃO VI. Catálogo do acervo de artes visuais do Museu D. João VI. Rio de Janeiro: Pós-graduação da EBA/UFRJ/CNPq, 1996. 
  • MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES. Missão Artística de 1816. Quadros trazidos por LeBreton. Anuário do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: O Museu, n. 7, 1945.
  • PEREIRA, Sonia Gomes. O novo Museu D. João VI. Rio de Janeiro: EBA/UFRJ, 2008.
  • PEREIRA, Sonia Gomes. O novo Museu D. João VI: a reinterpretação do acervo e a nova curadoria do museu. Revista de História da Arte de Arqueologia. Campinas: Programa de Pós-Graduação do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas/Unicamp, jan.-jun. 2011, n. 15, p. 111-131. Disponível em: [http://www.unicamp.br/chaa/rhaa/english/revista15.htm]. Acesso em: 30 mai. 2014.
  • RIOS, Adolfo Morales de los. O ensino artístico. Subsídio para sua história. Um capítulo: 1816-1889. Boletim do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Anais do Terceiro Congresso de História Nacional (out. 1938). Rio de Janeiro, 1942.

Como citar?

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  • MUSEU da Escola de Belas Artes Dom João VI (MDJVI). In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao245872/museu-da-escola-de-belas-artes-dom-joao-vi-mdjvi>. Acesso em: 09 de Dez. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7