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Artes visuais

Académie Julian

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.08.2016
1868 França / Ile de France / Paris
O ateliê do pintor Rodolphe Julian abre as suas portas em 1868, apresentando-se como uma alternativa para a formação dos candidatos à carreira artística que não logram ingressar na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, seja em função dos duríssimos concursos de admissão da escola, seja por se tratarem de mulheres e/ou de estrangei...

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Histórico
O ateliê do pintor Rodolphe Julian abre as suas portas em 1868, apresentando-se como uma alternativa para a formação dos candidatos à carreira artística que não logram ingressar na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, seja em função dos duríssimos concursos de admissão da escola, seja por se tratarem de mulheres e/ou de estrangeiros. O sucesso desse modelo privado de ensino artístico pode ser atestado pelo amplo número de matrículas; nos últimos anos do século XIX, o ateliê, também conhecido como Académie Julian, recebe cerca de seiscentos artistas. O desenvolvimento dos cursos leva à ampliação dos espaços destinados ao ensino: a escola possui diversos endereços em Paris, sendo os principais o do Faubourg Saint-Denis, nº 48 (reservado aos homens) e o da Passade des Panoramas, n. 27, numa galeria do bairro de Montmartre (para as mulheres). O prestígio que a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts conhece após as reformas implementadas por Napoleão III, em 1863, alimenta diretamente o crescimento da Académie Julian e de várias outras existentes na capital francesa, como a Académie de la Grande Chaumière, criada um pouco mais tarde. As sucessivas provas de ingresso, a necessidade de conhecimento corrente da língua francesa e a restrição às mulheres até 1867, leva a que parte dos candidatos à escola recorra ao ensino artístico privado nos ateliês. O fato de permanecer aberta o ano todo - e não fechar no verão, como a Escola de Belas-Artes - é mais um dos atrativos da academia.

Os cursos na Académie Julian têm preços que variam em função do período das aulas; eles podem ser realizados no período da manhã (de 8:00 às 12:00), no da tarde (de 13:00 às 17:00) ou em horário integral. Há ainda sessões noturnas sem professores. Trata-se de aulas de desenho, pintura e escultura a partir de modelos, supervisionadas por professores que corrigem os trabalhos dos alunos, normalmente aos sábados de manhã. Para os iniciantes há ainda aulas de cavaletes (para os pintores) e de modelagem (para os escultores). Boa parte dos professores pertence aos quadros da École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, como Boulanger, Lefèbvre, Robert-Fleury, William-Adolphe Bouguereau (1825-1905), Gervais, Brantôt, Doucet, Laparra, Ferrier etc.  A academia possui também um sistema de premiações, com uma medalha de 100 francos conferida todo mês por mérito (somente aos homens). Outras medalhas e distinções são também freqüentemente atribuídas.

A Académie Julian atrai grande número de estrangeiros que têm em Paris um foco de atração para o estudo das artes, a partir da segunda metade do século XIX. Por ela passaram brasileiros de diferentes gerações, por exemplo Tarsila do Amaral (1886-1976) - orientada por Émile Renard (1850-1930) -, Lasar Segall (1891-1957), Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), Ismael Nery (1900-1934) e Eduardo Sued (1925- ). Desde 1959, a Académie Julian integra a Ecole supérieure de design, d'art graphique et d'architecture intérieure, localizada no número 31 da rua Dragon, Paris.

Fontes de pesquisa 3

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  • LE VOYAGE DE PARIS. Les américains dans les Écoles d'art, 1868 - 1918. Paris: Les Dossiers du Musée de Blerancourt, Paris, Éditions de la Réunion des Musées Nationaux, 1990, 85pp. Il. P&b. color.
  • MONNIER, Gérard. L'art et ses institutions en France. De la revolution à nos jours. Paris: Gallimard, 1995, 462 pp [Folio Histoire].
  • SEGRÈ, Monique. L'art comme institution. L'École des Beaux-Arts 19 ème siècle/ 20 ème siècle. Cachan: Les Éditions de l'Ecole Normale Supérieure de Cachan, 1993, 231 pp.

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