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Enciclopédia Itaú Cultural

Atlântida

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.08.2022
1941 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1983 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil  (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1941 – Idem, 1983). Notabiliza-se pelos filmes denominados chanchadas, de grande apelo popular, realizados sobretudo nas décadas de 1940 e 1950. O gênero se caracteriza pelas tramas leves, românticas ou cômicas, pelo formato musical e pela inspiração carnavalesca. Seus...

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Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil  (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1941 – Idem, 1983). Notabiliza-se pelos filmes denominados chanchadas, de grande apelo popular, realizados sobretudo nas décadas de 1940 e 1950. O gênero se caracteriza pelas tramas leves, românticas ou cômicas, pelo formato musical e pela inspiração carnavalesca. Seus filmes  consolidam a carreira de uma constelação de intérpretes, a exemplo de Oscarito (1906-1970), Grande Otelo (1915-1993) e Eliana Macedo (1926-1990).

A empresa se estabelece na esteira da euforia com a produção nacional dos anos 1930, quando se destacam produtoras como a Cinédia de Adhemar Gonzaga (1901-1978). Com o intuito de levar às telas a identidade brasileira, é fundada em 18 de setembro de 1941 pelos irmãos José Carlos Burle (1910-1983) e Paulo Burle (1899-1966) em parceria com Moacyr Fenelon (1903-1953), Arnaldo de Faria e Alinor Azevedo (1914-1974). Em manifesto, o grupo aponta como objetivos o desenvolvimento da indústria cinematográfica para alavancar o progresso do país.

Diferente da paulista Companhia Cinematográfica Vera Cruz e seus galpões, a empresa carioca nasce tímida. O primeiro e pequeno estúdio funciona na sede do Jornal do Brasil, por causa da ligação familiar, profissional e societária dos irmãos Burle com o proprietário da publicação, o conde Ernesto Pereira Carneiro (1877-1954). As produções iniciais (entre as 66 realizadas pela Atlântida) são cinejornais. Dois anos depois da fundação, surgem os longas e médias-metragens de ficção em 35mm, com aspirações artísticas, crítica social e mão de obra da casa.

Tal formato de ação entre amigos se configura com a liderança de Paulo Burle na presidência e de seu irmão na direção de filmes, bem como de Moacyr Fenelon, responsável pelas equipes técnicas, e de Alinor Azevedo, encarregado dos argumentos e roteiros. Em 1943, José Carlos Burle dirige o drama Moleque Tião, centrado em rapaz negro seduzido pelo teatro e protegido por um músico. Além de Grande Otelo como protagonista, o filme traz no elenco o compositor Custódio Mesquita (1910-1945) e na equipe técnica Edgar Brasil (1903-1954), fotógrafo renomado que também assume a direção do estúdio. No mesmo ano, Fenelon dirige É proibido sonhar, drama social sobre uma jovem aprendiz de canto envolvida em trama de amigos vítimas de um golpe. Outro nome popular, o comediante e músico Mesquitinha (1902-1956) se destaca nos créditos.    

Pouco demora para que os envolvidos na linha artística da empresa, então instalada em barracões improvisados, adotem a comédia musical popular, modelo praticado por eles em experiências anteriores na Cinédia. Desse modo, ao lado de dramaturgia mais elaborada, convivem produções como Tristezas não pagam dívidas (1944), dirigida por José Carlos Burle, e Não Adianta Chorar (1945), primeira direção na casa de Watson Macedo (c. 1918-1981). Até então montador e assistente de direção, Macedo imprime a marca do bem-sucedido gênero carnavalesco da Atlântida com títulos como Este mundo é um pandeiro e Aviso aos navegantes (1950).

A adoção definitiva do modelo vem em 1947, com a chegada do exibidor Luiz Severiano Ribeiro Júnior (1886-1974) como controlador da empresa e a saída de Moacyr Fenelon. O fato de Severiano ser proprietário de salas de cinema, algumas delas inauguradas com títulos da produtora, contribui para o sucesso dos filmes. Entre as novidades, estão a contratação do ator Anselmo Duarte (1920-2009) e o início de coproduções internacionais, estratégia do novo acionista tanto para diversificar a produção da casa como para estreitar laços com a indústria cinematográfica de outros países. Nesse sentido, são produzidos, por exemplo, Terra violenta (1948), dirigido pelo norte-americano Edmond Francis Bernoudy (1901-1978), e Areias ardentes (1952), estreia na direção do croata Josip Bogoslaw Tanko (1906-1993). Este último tem no elenco principal as estrelas Fada Santoro (1926) e Cyll Farney (1925-2003). No mesmo ano, um incêndio destrói boa parte das instalações e do acervo da empresa.

Ainda em 1952, chega à empresa, pelas mãos de Cyll Farney, o jovem Carlos Manga (1928-2015). Depois de trabalhos técnicos, ele dirige, em 1953, A dupla do barulho, comédia consagradora de Oscarito e Grande Otelo. O diretor assina outros vinte longas e renova a dramaturgia e a qualidade técnica das chanchadas, com iluminação moderna, mais cenas gravadas em locações externas, composição mais realista das personagens e tramas de maior complexidade. O cineasta simboliza a versatilidade de produções da época ao dirigir paródias, como O homem do Sputnik, e adaptações teatrais, como O cupim, ambas de 1959.

O apelo cômico atrelado à presença constante de Oscarito nas telas resulta em bilheterias recordes. Colégio de brotos (1956), dirigido por Manga, registra 250 mil espectadores na primeira semana de exibição, superando títulos estrangeiros. Ao longo dos anos, entretanto, a chanchada dá sinais de esgotamento. Além da repetição da fórmula, pesa a mudança de costumes, a chegada da televisão e o processo de modernização em consonância com o desenvolvimento econômico do país. Em 1962, a empresa lança Os apavorados, com direção de Ismar Porto (1931). A comédia aposta em nova dupla ao unir Oscarito a Hamilton Augusto, o Vagareza (1928-1997). No mesmo ano, porém, a empresa fecha sua produtora e participa apenas de coproduções até 1983, quando encerra as atividades.

A mais longeva das tentativas de estruturar uma produção cinematográfica contínua e de caráter nacionalista faz da Atlântida Cinematrográfica exemplo exitoso de encontro entre a comédia, produto popular, e eseu público.

Fontes de pesquisa 5

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  • BARRO, Máximo (Org.). José Carlos Burle: drama na chanchada. São Paulo: Imprensa Oficial, 2007.
  • MELO, Luis Alberto Rocha. Historiografia audiovisual: a história do cinema escrita pelos filmes. Revista ARS da Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, nov. 2016. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ars/article/view/122967/122171. Acesso em: 24 out. 2021.
  • RAMOS, Fernando Pessoa; SCHVARZMAN, Sheila (org.). Nova história do cinema brasileiro. vol. 1 (edição ampliada). São Paulo: Edições Sesc, 2018.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs.). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2012. 3. ed. ampliada e atualizada.
  • VIEIRA, João Luiz. Industrialização e cinema de estúdio no Brasil: a “fábrica” Atlântida. Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB), [s.l.], [s.d.]. Disponível em: http://www.cpcb.org.br/artigos/industrializacao-e-cinema-de-estudio-no-brasil-a-fabrica-atlantida/. Acesso em: 25 out. 2021.

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