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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Cinemateca Brasileira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.04.2022
1956 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Sargento Getúlio [cartaz], 1979
Walter Garcia
Desenho
92,00 cm x 62,00 cm

Fundada em 1956, a Cinemateca Brasileira torna-se a principal referência do país em preservação, restauro e conservação de material fílmico. Possui o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. A partir dos anos 2000, detém o “depósito legal” de todos os filmes produzidos com apoio de verba pública. 

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Fundada em 1956, a Cinemateca Brasileira torna-se a principal referência do país em preservação, restauro e conservação de material fílmico. Possui o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. A partir dos anos 2000, detém o “depósito legal” de todos os filmes produzidos com apoio de verba pública. 

A origem da Cinemateca Brasileira remonta ao Clube de Cinema de São Paulo, fundado em 1940, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. O Clube é criado por um grupo formado por intelectuais como Paulo Emilio Salles Gomes (1916-1977), Antonio Candido (1918-2017) e Gilda de Mello e Souza (1919-2005). O grupo exibe filmes clássicos em formato 9,5 mm (Pathé Baby) e promove debates sobre cinema. Um ano depois de sua criação, ele é fechado pelo Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (Deip)1. Nesse ano, o grupo lança a revista Clima, publicação que marca o debate intelectual e cultural da época.

Em 1946, Francisco Luiz de Almeida Salles (1912-1996), Rubem Biáfora (1922-1996), Múcio P. Ferreira, J. Araújo Nabuco e Lourival Gomes Machado (1917-1967) reabrem o Clube de Cinema de São Paulo. Almeida Salles é o primeiro presidente, e Paulo Emilio atua como correspondente em Paris. No ano seguinte, com o nome de Filmoteca de São Paulo, a instituição é aceita pela Federação Internacional de Arquivos de Filmes (Fiaf). Em 1949, a Filmoteca é incorporada ao Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

Em 1956, depois do regresso de Paulo Emilio ao Brasil, a Filmoteca desliga-se do MAM e transforma-se em Cinemateca Brasileira, uma sociedade civil sem fins lucrativos, cujas instalações são mantidas na Rua Sete de Abril. Depois do incêndio ocorrido em janeiro de 1957, que destrói um terço do acervo, a entidade transfere-se para a sede da Bienal de Arte de São Paulo e, em seguida, para o Parque Ibirapuera. Parte do acervo é recomposto com doações. Nessa época, inaugura-se a atividade de empréstimo de cópias para serem exibidas em diferentes instituições e cidades brasileiras.

Os altos custos da preservação e a incerteza nas fontes de receita fazem com que a instituição enfrente crises financeiras. Em diversos textos, Paulo Emílio lamenta a ausência de apoio do poder público. Em julho de 1962, cria-se a Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC), com o objetivo de auxiliar financeiramente a instituição.

Em 1969, a entidade foi vítima de outro incêndio, agravando a crise e provocando o desligamento da Fiaf. Em 1975, forma-se um Conselho Consultivo que reconhece o caráter de utilidade pública da Cinemateca e a instituição passa a receber recursos públicos municipais. Adquire equipamentos de laboratórios comerciais desativados e dedica-se à contratipagem, legendagem e copiagem de filmes. Em 1979, reintegra-se a Fiaf e passa a catalogar seu acervo de acordo com as normas da entidade. Um centro de operações de documentação e pesquisa passa a funcionar em um terreno cedido pela prefeitura de São Paulo, no Parque da Conceição. Outro incêndio ocorre em 1982. Em 1984, a Cinemateca é incorporada ao poder público federal e transforma-se em Divisão Cinemateca Brasileira da Fundação Nacional Pró-Memória do Ministério da Educação e Cultura. Durante o governo Collor, a Fundação Pró-Memória é extinta, e a Cinemateca é absorvida pelo Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No final da década de 1980, a prefeitura cede à instituição o espaço do antigo matadouro da cidade, na Vila Clementino, onde funciona sua sede desde 1997. Em 2003, a Cinemateca passa a ser gerida pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

A Cinemateca Brasileira conta com duas salas: a Cinemateca/ Petrobras e a Cinemateca/ BNDES. Ambas são habilitadas a projetar películas de 16 mm e 35 mm em diferentes formatos, além de suportes digitais. O acervo da Cinemateca é composto por cerca de 44 mil títulos e mais de 200 mil rolos, conservados nas instalações da Vila Leopoldino, em São Paulo, além de películas na base de nitrato, mantidas em quatro depósitos especiais na sede, na Vila Clementino. O acervo conta também com importantes coleções de cinejornais da década de 1930, em nitrato de celulose (como Cine Jornal Brasileiro, Carriço e Bandeirantes da Tela), além de filmes em 16 mm com reportagens de telejornais bem como telenovelas herdados da extinta TV Tupi. Há quatro câmaras climatizadas para arquivo de matrizes e quatro câmaras não climatizadas para arquivo de filmes em nitrato de celulose, além de um arquivo de filmes em deterioração e um arquivo de cópias de difusão em suporte de segurança (poliéster ou triacetato de celulose). Entre suas coleções estão os filme das produtoras Vera Cruz e Atlântida, além de filmes do período silencioso. O Centro de Documentação reúne importantes arquivos pessoais – como os cinco mil volumes da biblioteca de Paulo Emilio, doada pela escritora Lygia Fagundes Telles (1923-2022), com documentos, correspondência e textos escritos por ele –, além de outros fundos de doações pessoais, periódicos, cartazes de filmes, documentos e fotografias.

Os recursos captados por meio da Lei Rouanet e de convênios com a prefeitura de São Paulo e o governo federal viabilizam a excelência da Cinemateca no restauro e na conservação de filmes brasileiros. Entre 2013 e 2014, a análise do estado de conservação dos materiais do acervo é interrompida e retomada em janeiro de 2015. Essas análises permitem determinar a urgência na duplicação de materiais e garantir que não haja acúmulo de gases naturais em rolos de filmes no suporte de nitrato de celulose. Em fevereiro de 2016, um novo incêndio acomete parte do acervo da Cinemateca: um rolo armazenado em um dos quatro depósitos entra em processo de autocombustão, e o fogo alastra-se rapidamente. No total, 1.003 rolos de filmes são queimados, contendo cinejornais, curtas-metragens, teste de atores e registros publicitários, realizados entre as décadas de 1930 e 1950.

Fruto da iniciativa de críticos e pesquisadores do cinema brasileiro, a Cinemateca é uma das principais responsáveis por preservar e difundir a memória da produção fílmica e crítica brasileira, abrindo espaço também para outros conteúdos audiovisuais televisivos e para a exibição de mostras e espaços de debate.

Obras 141

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Exposições 2

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Fontes de pesquisa 9

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  • ALMEIDA SALLES, Francisco Luiz de; SALES GOMES, Paulo Emilio. Em tempo, ainda. In: THOMPSON, Cecília (Org.). Cinemateca Brasileira e seus problemas: informações e documentação. Cadernos da Cinemateca, São Paulo, n. 3, p. 1-2, 1964.
  • CINEMATECA Brasileira. Site oficial da instituição. Disponível em: < http://www.cinemateca.gov.br/ >. Acesso em: 29 nov. 2016.
  • FUTEMMA, Olga Toshiko. Rastro de perícia, método e intuição: descrição do arquivo Paulo Emilio Salles Gomes. São Paulo, 2006. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) – Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
  • MELO E SOUZA, José Inácio de.O caso Cinemateca, formação de um acervo, formação de um arquivo. Revista Vozes de Cultura, n. 2, p. 187-197, 1999. p. 187-197
  • MINISTÉRIO da Cultura. Cinemateca Brasileira. Rolos de nitrato perdidos no incêndio. Secretaria do Audiovisual, São Paulo, fev. 2016. Disponível em: < http://www.cultura.gov.br/documents/10883/1335004/relatorio_nitrato_versao+final.pdf/1d0ff430-0a1e-40ea-9ab0-3b12c1a49b58 >. Acesso em: 12 set. 2016.
  • SOUZA, Ana Paula. Cinemateca Brasileira ganha novo depósito para parte do acervo. Folha de S.Paulo, São Paulo, 27 de junho de 2011. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/935167-cinemateca-brasileira-ganha-novo-deposito-para-parte-do-acervo.shtml >. Acesso em: 12 set. 2016.
  • SOUZA, Carlos Roberto de. A Cinemateca Brasileira e a preservação de filmes no Brasil. São Paulo, 2009. Dissertação (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009,.
  • SOUZA, José Inácio de Melo. Paulo Emilio no paraíso. Rio de Janeiro: Record, 2002.
  • THOMPSON, Cecília (Org.). Cinemateca Brasileira e seus problemas: informações e documentação. Cadernos da Cinemateca, São Paulo, n. 3, 1964.

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