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A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Itaú Cultural

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.07.2022
23.02.1987 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução Fotográfica Horst Merkel

Memórias Sentimentais de João Miramar, 1924
Oswald de Andrade
Brasiliana Itaú/Acervo Banco Itaú

O Itaú Cultural (IC) é uma organização artístico-cultural que promove uma gama de atividades tanto no ambiente digital, atingindo público em diferentes localidades do Brasil, quanto presencial, em sua sede. Estão entre os pilares da instituição a fruição, a formação e o fomento da produção artística brasileira.

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O Itaú Cultural (IC) é uma organização artístico-cultural que promove uma gama de atividades tanto no ambiente digital, atingindo público em diferentes localidades do Brasil, quanto presencial, em sua sede. Estão entre os pilares da instituição a fruição, a formação e o fomento da produção artística brasileira.

É criado em 23 fevereiro de 1987, por iniciativa de Olavo Egydio Setúbal (1923-2008) e aberto ao público dois anos depois com a inauguração de sua 1ª sede na Avenida Paulista, 2424  (no terreno, onde posteriormente é construído o Instituto Moreira Salles (IMS), inaugurado ao público em 2017) e a disponibilização do Banco de Dados Informatizado sobre Pintura no Brasil - Séculos XIX e XX. O projeto do então presidente executivo da Itaúsa, holding controladora das empresas do grupo Itaú, é criar uma entidade permanente, sem vinculação com a política de marketing das empresas do grupo, com a missão de "valorizar a diversidade das experiências culturais da nossa sociedade heterogênea, complexa e caracterizada por fortes contrastes sociais, setoriais e regionais"1. Dois fatores são importantes para o encaminhamento do projeto, gestado dois anos antes: a existência de uma legislação capaz de viabilizar o funcionamento da instituição com mecanismos de financiamento por meio de renúncia fiscal2 e o compromisso da empresa com a modernização tecnológica e informática.

Olavo Setúbal compreende que era preciso não apenas um conjunto de políticas e ações mas também uma consistente equipe que pudesse realizar a gestão do Instituto. Com isso, trás Ernest Robert de Carvalho Mange (1922-2005) para liderar esta equipe, sendo o primeiro diretor da organização. "Nós achávamos que a vocação deveria ser no sentido institucional. [...] Quer dizer, ele não viveria de uma série de eventos ou de atuações esporádicas”3, sintetiza Mange. 

O diretor define os três pilares do Instituto em criação, conservação e divulgação, o que posteriormente vai dar espaço para fomento, fruição, formação, da cultura brasileira, com ênfase na terceira ação4. Tal tripé se mantém mesmo com a incorporação de outras atividades ao longo do tempo. Além do Banco de Dados, que amplia seu alcance e dá origem à Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira, outras iniciativas são encampadas pela instituição. Entre elas, a gestão do acervo de artes do Banco Itaú e do Itaugaleria, programa de exposições de novos artistas em agências do banco criado em 1973 e desativado em meados dos anos 1990. Também são criados os Centros de Informática e Cultura (CICs) com interesse em ocupar diversos locais pelo Brasil

Um novo prédio desenvolvido especialmente para abrigar um centro de pesquisa e divulgação, a sede própria, capaz de abrigar atividades do Instituto, está contemplada como objetivo do projeto desde o início. O terreno da avenida Paulista, 149, é adquirido em 1989, e a construção do novo prédio é iniciada em 1992, sendo inaugurado em 1995. O projeto é desenvolvido pela equipe de arquitetura da instituição, liderada por Mange, engenheiro e arquiteto de formação. A torre de 60 metros de altura, com estrutura de aço aparente, apoiada apenas em quatro pilares, é algo novo e pretende torná-la um marco arquitetônico5. Entre os anos de 1998 e 2001, o IC é gerido pelo designer Ricardo Ribenboim (1953), responsável pela mudança do nome da instituição, antes chamada de Instituto Cultural Itaú, para Instituto Itaú Cultural. Além disso, durante sua gestão há a ampliação de áreas de expressão na programação, à partir de eixos curatoriais para além das artes visuais, reunindo mostras e atividades de áreas como cinema, dança e teatro. Ribenboim também deixa importante contribuição para a vocação digital do Instituto, ao lançar o site da instituição.

Ainda sob a gestão de Ribenboim, em 1999, como fruto do Laboratório de Mídias Interativas do Instituto Itaú Cultural (Itaulab), acontece a primeira edição da exposição Emoção Art.ficial (com última edição em 2012), reunindo obras de arte e tecnologia de importantes artistas brasileiros, que compõem parte significativa do acervo do instituto e trazendo para o país, relevantes nomes internacionais da área propondo trocas e apresentando-os ao público brasileiro. 

Em 2001, depois de liderar uma grande reestruturação no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), a empresária Milú Villela (1943) e Olavo Setúbal compreendem que é hora de Milú assumir o Itaú Cultural. Durante sua atuação à frente da presidência da Instituição até 2019, tem como pilar de sua gestão a ampliação da atuação do IC no campo das Artes Visuais, através do aumento do conjunto de exposições realizadas, além da democratização do acesso à arte e cultura. Neste momento, Milú divide a presidência com seu vice Ronaldo Bianchi (1954), até 2006.

Em 22 anos de existência, o edifício passa por reformas e adaptações. A mais significativa delas é comandada pelo arquiteto Roberto Loeb (1941), a convite de Milú Villela. Concluída em 2002, a reforma adapta o prédio à vocação de espaço expositivo, evidencia a nova identidade da marca – Itaú Cultural – e, para integrar-se com o público, transfere o acesso de entrada para a avenida Paulista.

Depois, o quarto e o quinto andares, ocupados por escritórios, são transformados em sede permanente da exposição Brasiliana – Espaço Olavo Setubal. A mostra, com curadoria de Pedro Corrêa do Lago (1958), exibe uma seleção de obras-chave e documentos da história da arte brasileira, criando uma narrativa da história do Brasil desde o descobrimento. As obras são adquiridas por Olavo Setúbal (a tela Povoado numa Planície Arborizada, de Frans Post [1612-1680], é a primeira aquisição do empresário, em 1969) ou pertencentes à coleção de numismática de Herculano de Almeida Pires. As duas coleções fazem parte do acervo geral do conglomerado, considerado o maior acervo corporativo da América Latina, com cerca de 15 mil itens. A exposição Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos, realizada entre maio e agosto de 2017 para celebrar o aniversário da instituição, propõe uma leitura desta coleção.

Outras iniciativas, marcadas pelo espraiamento das atividades para além do espaço físico do Itaú Cultural e pela incorporação de diferentes formas de expressão artística e cultural, marcam os 30 anos da entidade. O projeto Rumos, iniciado em 1997, procura ampliar o eixo de produção e distribuição da cultura no país. No começo, é segmentado em diferentes núcleos como artes visuais, música e teatro. Na edição 2013-2014, o projeto adota visão multidisciplinar – à semelhança do que ocorre com as enciclopédias, unificadas em 2009 – e rompe com o modelo tradicional  dos editais ao também ser uma forma de democratizar o acesso à instituições que legitimam a produção artística, principalmente de novos artistas.

Demais iniciativas de destaque são o Projeto Ocupação, iniciado em 2009, que revisita a obra de artistas-chave da história nacional; a Revista Observatório, criada em 2006; a Biblioteca – coleção de referência, com mais de dez mil livros e treze mil catálogos à disposição do público; e, entre 2011 e 2020, a gestão e manutenção do Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer.

Além da revista e de ações ligadas ao mapeamento e análise da produção e gestão cultural no Brasil, o Observatório também abriga entre os anos de 2008 e 2020, seu primeiro grande curso, a especialização em Gestão Cultural, realizado em parceria com a espanhola Universidade de Girona. As parcerias com grandes instituições de ensino ganham mais uma representante com a criação da Cátedra Olavo Setúbal, junto ao Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP), lançada em 2016. Suas atividades tem como foco discutir o universo das artes tendo a gestão cultural como norteador de maneira interdisciplinar.

Segundo Eduardo Saron (1970), diretor da instituição desde 2002, o Itaú Cultural é um grande difusor, em que se deixa de lado a noção hierarquizada das atividades. “Trabalhamos com a perspectiva de elos, numa relação de equilíbrio. Somos um espaço de articulação do pensamento contemporâneo"6.

Em 2018, ampliando sua atuação no campo da formação, lança o curso Especialização em Gestão Cultural Contemporânea, em parceria com o Instituto de ensino paulista Singularidades. Ainda tendo a formação no horizonte, lança, em 2020, a Escola IC, plataforma de cursos online voltados para a produção e história das artes brasileiras, especialmente através do projeto Constelação das Artes, no qual temas ligados à construção das identidades nacionais em diferentes manifestações artísticas e culturais são abordados. Ainda no universo on-line, no ano seguinte, é criada a plataforma ICPlay, dedicada ao audiovisual nacional. O streaming reúne obras de diferentes diretores brasileiros de maneira permanente ou através de mostras temáticas.

Depois de uma intensa atuação no apoio a Milú Villela na constituição da governança do IC, implementando um modelo até então presente apenas em empresas, especialmente a criação de áreas como compras e compliance, Alfredo Setúbal assume em 2019 a presidência da Instituição. No mesmo ano, o IC passa a fazer parte da Fundação Itaú para a Educação e Cultura (FIEC), atuando ao lado de outras organizações como a Fundação Itaú Social, Itaú Educação e Trabalho e Todos pela Saúde.

Seja em sua sede na cidade de São Paulo ou através de parcerias com outras instituições nacionais  e diversas ações no ambiente digital, o IC pretende promover de forma gratuita e acessível atividades artístico-culturais, de formação e de fomento, que contribuam para o universo das artes e da gestão no país.

Notas

1. Discurso de inauguração proferido em outubro de 1989 por Olavo Setúbal na inauguração do Instituto Cultural Itaú. Transcrito no Relatório de Atividades de 2013 do Itaú Cultural. Disponível em http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/wp-content/uploads/2012/02/legado_10.pdf. Acesso em: 7 maio 2017.

2. A Lei Sarney, como é conhecida a Lei 7.505/86, é decretada em 1986 pelo presidente José Sarney e permite o abatimento de doações (100%), patrocínios (80%) e investimentos (50%) em cultura do Imposto de Renda. Extinta em 1990 por Fernando Collor de Mello, é substituída no ano seguinte pela Lei Rouanet (ainda em vigor). Dados obtidos em:  http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2011/12/20/lei-sarney-foi-pioneira-no-incentivo-a-cultura. Acesso em: 7 maio 2017.

3. MANGE, Ernest Robert de Carvalho. In: INSTITUTO CULTURAL ITAÚ. Um sonho que se realiza. 1.ed. São Paulo: Instituto Itaú Cultural, nov. 1995.

4. INSTITUTO CULTURAL ITAÚ. Relatório de Atividades 1988. São Paulo, jan. 1989. Disponível em: http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/wp-content/uploads/2012/02/1988-Relatório-de-Atividades.pdf. Acesso em: 15 abr. 2017.

5. Revistas especializadas documentaram a construção da nova sede, enfatizando a importância do uso de aço no prédio, que foi construído em uma área de 11.075 metros quadrados, dos quais 4.535 foram estruturados com o material. Segundo o arquiteto Vlamir Tadeu Saturni, membro da equipe responsável, esse uso foi definido por “uma questão formal e vem ao encontro das vantagens do material, que alia rapidez na fabricação e precisão na execução”. A revista Construção de novembro de 1993 descreve a nova sede do Itaú Cultural como “um dos mais arrojados projetos arquitetônicos do País”.

6. SARON, Eduardo. Eduardo Saron. [Entrevista cedida a] Maria Hirszman. São Paulo, 17 abr. 2017.

Obras 147

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Reprodução fotográfica Humberto Pimentel/Itaú Cultural

A Mesma e a Outra

Pintura e serigrafia, terceira queima sobre azulejos cerâmicos
Registro fotográfico Edouard Fraipont

Balanço

Ferro e bronze

Debates 152

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Encontros 27

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Espetáculos 101

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Espetáculos de dança 30

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Eventos multiculturais 69

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Exposições 182

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Exposições virtuais 1

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Festivais 2

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Mostras audiovisuais 88

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Oficinas 65

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Palestras 60

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Performances 23

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Seminários 24

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Shows musicais 194

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Workshops 34

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Fontes de pesquisa 8

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