Artigo da seção instituições Museu Imperial

Museu Imperial

Artigo da seção instituições
Artes visuais  
Data de aberturaMuseu Imperial: 29-03-1940 Local de abertura: (Brasil / Rio de Janeiro / Petrópolis)
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Paisagem Histórica de um Desembarque no Largo do Paço , ca. 1829 , Félix-Émile Taunay
Reprodução fotográfica Walter Morgenthaler

Histórico
O Museu Imperial é criado pelo Decreto-Lei nº 2096, de 29 de março de 1940, e aberto à visitação em 1943. Seu acervo museológico, documental e arquivístico é considerado o mais representativo do período monárquico do Brasil. Atualmente está sob a responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan.

Em 1830, o imperador dom Pedro I compra a Fazenda do Córrego Seco, em Petrópolis, Rio de Janeiro, com planos de nela construir seu palácio de verão, mas é apenas em 1843 que seu filho dom Pedro II (1825-1891) aprova a construção do palácio. As obras têm início em 1845 e são concluídas em 1862. O edifício em estilo neoclássico é utilizado como palácio de verão da família imperial brasileira.

Seu acervo é formado por coleções transferidas de outros órgãos culturais, como o Museu Histórico Nacional (MHN), a Biblioteca Nacional e o Palácio do Itamaraty, além de compras, legados e doações. São mais de 11 mil peças nacionais e estrangeiras dos séculos XVIII e XIX, entre alfaias, armaria, cristais, esculturas, pinturas, aquarelas, desenho, estampas e gravuras, indumentária, insígnias, instrumentos musicais, mobiliário, ourivesaria, porcelanas, prataria e viaturas. O roteiro de visitação inicia-se pelo vestíbulo. Para preservar os pisos de mármore e de madeira do palácio, os visitantes calçam pantufas de feltro antes de entrar, detalhe característico do museu. As salas expositivas mesclam móveis, objetos e pinturas que de fato integram a decoração original do palácio, com outros advindos de diferentes locais, compondo ambientes recriados, embora em parte sejam mantidos os nomes dos cômodos originais.

No andar térreo situam-se a sala de jantar, as salas de costura e de piano da imperatriz dona Teresa Cristina e a sala de música, esta com teto decorado, representando instrumentos musicais. Na sala dos diplomatas, em que o imperador dom Pedro II recebe representantes do corpo diplomático, painéis de tapeçaria gobelins com motivos da flora brasileira e retratos adornam as paredes. A sala do senado traz o mobiliário da antiga sala de honra do senado do império.

No 1º andar, além dos quartos de suas majestades e da princesa Leopoldina, encontra-se o gabinete de trabalho do imperador. Mas o principal cômodo do circuito é a sala de Estado, para onde foram transferidos o trono e o restante do mobiliário da antiga sala do trono do paço de São Cristóvão.

São também expostos no museu os símbolos da monarquia, como a coroa imperial de dom Pedro I, a coroa e os trajes majestáticos de dom Pedro II, o cetro dos dois imperadores, diversas medalhas das Ordens da Rosa e do Cruzeiro e jóias pertencentes à família imperial ou a outras figuras próximas à monarquia.

Na coleção de pinturas estão artistas estrangeiros que tiveram passagem pelo Brasil e pintores brasileiros formados pela Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). Entre as obras de grandes dimensões que representam momentos específicos da monarquia brasileira destacam-se: a tela Embarque na Praia Grande de Tropas Destinadas ao Bloqueio de Montevidéu (1826), de Debret (1768-1848), a recriação da Proclamação da Independência, 1844, e o óleo O Ato da Coroação do Imperador D. Pedro II (1842), ambas de François René Moreaux (1807-1860), e a tela O Casamento por Procuração da Imperatriz D. Teresa Cristina, encomendado ao artista italiano Cicarelli (1811-1879).

Entre as mais célebres pinturas históricas de importantes pintores da Aiba estão a cena de Pedro II na Abertura da Assembléia Geral, 1872, de Pedro Américo (1843-1905), que mostra o imperador com os trajes majestáticos, e o Juramento da Princesa Isabel (1875), de Victor Meirelles (1832-1903), que se refere ao momento em que a regência do império passa a ser exercida pela princesa, em 1871. Em ambas são retratados vários membros do corpo diplomático imperial.

Integram o acervo diversos retratos da família imperial, como o retrato eqüestre de dom João VI e o retrato de dona Carlota Joaquina, ambos realizados pelo pintor português Domingos António de Sequeira, o retrato de dom Pedro I de farda com condecorações, de 1826, de autoria de Simplício de Sá (1785-1839), e os retratos de dom Pedro II em diversos momentos da vida: menino, feito por Arnaud Julien Pallière (1784-1862) por volta de 1830; aos 12 anos, de autoria de Félix Taunay (1795-1881), pintado em 1837, e mais velho, realizado por Edouard Vienot.

A pintura de paisagem também está presente no acervo, que tem obras de artistas formados pela Aiba, como Garcia y Vasquez (ca.1859-1912), ou artistas que estabeleceram ateliês no Rio de Janeiro, como o francês Vinet (1817-1876) e o alemão Hagedorn (1814-1889).

O museu de maior visitação do Brasil mantém um vasto e importante arquivo histórico sobre o período monárquico, a história de Petrópolis e a formação do Estado do Rio de Janeiro, que abrange do século XIX ao início do XX. Entre os cerca de 100 mil itens, destacam-se os documentos pertencentes à família real e imperial, doados pelo príncipe dom Pedro de Orléans e Bragança em 1948.

Integram o arquivo cerca de 13 mil fotografias, aproximadamente 2 mil gravuras e 500 mapas e plantas. A coleção que retrata a família imperial guarda fotografias assinadas por importantes fotógrafos do século XIX, como Otto Hees (1870-1941), Insley Pacheco (ca.1830-1912), George Leuzinger (1813-1892) e Marc Ferrez (1843-1923). Entre as gravuras estão obras de Debret e Rugendas (1802-1858), e outros. Completa o extenso patrimônio do museu uma biblioteca, com cerca de 40 mil volumes.

O museu apresenta um programa de exposições temporárias, que ocorrem na Plataforma Contemporânea. Um atrativo especial do museu atualmente é o Espetáculo de Som e Luz, que, por meio de recursos de iluminação e sonorização, reconta episódios do reinado de dom Pedro II. O teatro de fantoches e o sarau imperial são outras atividades educativo-culturais desenvolvidas, com horários para visitas guiadas aos setores técnicos, incluindo o arquivo, a biblioteca, o setor de museologia, a reserva técnica e o laboratório de conservação e restauração. Os visitantes residentes em Petrópolis podem visitar o museu gratuitamente no último domingo do mês. Desde 1940, é publicado o Anuário do Museu Imperial.

Outras informações da instituição Museu Imperial:

  • Outros nomes
    • Acervo do Museu Imperial/IPHAN/MinC
    • Acervo Museu Imperial / IBRAM / MinC
  • Atuação
    • Museu de História
    • Museu de Arte
  • Relações com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Museu Imperial: (31) obras disponíveis:

Todas as obras de Museu Imperial:

Exposições (11)

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (3)

  • GUIA do Museu Imperial Petrópolis. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura, 1959.
  • LOURENÇO, Maria Cecília França (org.). Guia de museus brasileiros. São Paulo: Edusp: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000. 498 p., il. color., 23 x 26 cm. (Uspiana Brasil 500 anos).
  • O MUSEU Imperial. Prefácio Maria de Lourdes Parreiras Horta; edição Maria de Lourdes Parreiras Horta; comentário Claudia Maria Souza Costa; fotografia Romulo Fialdini. São Paulo: Banco Safra, 1992. 337 p., il. p&b. color. (Banco Safra).

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MUSEU Imperial. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao16268/museu-imperial>. Acesso em: 16 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7