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Academia Ranson

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.01.2015
1908 França / Ile de France / Paris
Durante o século XIX, as academias livres são fundadas em Paris como alternativa ao modelo de estudo da Escola Nacional de Belas Artes. Além de oferecerem maior liberdade em relação ao processo artístico, as academias estão abertas a todos os interessados em estudar desenho com modelos vivos, inclusive mulheres e estrangeiros que, em geral, não ...

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Histórico
Durante o século XIX, as academias livres são fundadas em Paris como alternativa ao modelo de estudo da Escola Nacional de Belas Artes. Além de oferecerem maior liberdade em relação ao processo artístico, as academias estão abertas a todos os interessados em estudar desenho com modelos vivos, inclusive mulheres e estrangeiros que, em geral, não são aceitos pelo ensino oficial.

Em 1868, inaugura-se a famosa Academia Julian. Entre os alunos, estão Maurice Denis (1870-1943), Paul-Elie Ranson (1864-1909), Ker-Xavier Roussel (1867-1944), Paul Sérusier (1864-1927) - ligado ao grupo de Pont-Aven - e Édouard Vuillard (1868-1940). Esses pintores viriam a ser conhecidos como o grupo Nabis, cuja maior referência é a obra de Paul Gauguin e aos quais, posteriormente, associam-se o escultor Aristide Maillol (1861-1944) e o artista suíço Félix Vallotton (1865-1925).

Embora não haja um programa determinado entre os nabis, é possível identificar na obra de Sérusier, Bonnard, Vuillard e Denis o desenho simplificado e as manchas de cores vivas e planas, com intuito decorativo, de certa forma já presentes na obra de Gauguin. Encontram-se ainda padrões decorativos ligados às gravuras japonesas. O grupo produz também arte aplicada, trabalhando sobre suportes variados e criando ilustrações de livros, pôsteres, papéis de parede, tapetes, vitrais, além de cenários e figurinos para peças teatrais. Os temas dos trabalhos são cenas religiosas, do interior, da vida urbana parisiense e retratos.

Os Nabis reúnem-se no ateliê de Ranson que, em 1908, funda a Academia Ranson. A Academia torna-se um centro de discussão e divulgação das ideias partilhadas por eles. Denis e Sérusier também dão aulas. Com a morte do fundador no ano seguinte, sua mulher, France Ranson, passa a dirigir a Academia.

Em 1914, a Primeira Guerra Mundial causa a dispersão dos professores. Após esse período, há uma renovação do corpo docente e muitos dos ex-alunos passam a dar cursos, como Roger Bissière (1886-1964) e Louis Latapie (1891-1972), entre outros. Mesmo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Academia Ranson permanece uma escola importante.

A partir de 1931, a direção passa à Harriet von Tschudi Cérésole, escultora suíça que havia estudado na Ranson nos anos 1920. Cérésole organiza exposições e apoia jovens artistas.

Comentadores apontam a importância de Bissière, que leciona na Academia de 1925 a 1938, para jovens pintores ligados à abstração, como Jean le Moal (1909-2007) e Alfred Manessier (1911-1993). Entre seus alunos estão ainda a pintora portuguesa Vieira da Silva (1908-1992) e seu marido, o artista húngaro Arpad Szenes (1897-1985) que, fugindo do nazismo no início dos anos 1940, transferem-se para o Rio de Janeiro, onde Szenes dá aulas por alguns anos. Bissière é responsável pela oficina de afresco e Charles Malfray (1887-1940), indicado por Maillol, ocupa-se da oficina de escultura.

A partir de 1951, a Academia recebe novos professores, como Roger Chastel (1897-1981), Marcel Fiorini (1922-2008), Lucien Lautrec (1909-1991), Gustave Singier (1909-1984), e Henri Goetz (1909-1989). E, em 1955, fecha suas portas definitivamente.

Artistas brasileiros também estudaram na Ranson, em diferentes épocas: Di Cavalcanti (1897-1976) frequenta a Academia durante a década de 1920; a pintora Noêmia (1912-1992), primeira esposa de Di, acompanha cursos nos anos 1930; o escultor Bruno Giorgi (1905-1993) tem aulas com Maillol; Flexor (1907-1971) participa do curso de Bissière, estudando afresco e pintura mural. O pintor Pedro Luiz Correia de Araújo (1874-1955) frequenta a Academia, chegando a assumir sua direção em 1917, quando Maurice Denis ausenta-se da escola ao ser convocado para o serviço militar.

Fontes de pesquisa 10

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  • ARNASON, H. H. A History of modern art. London: Thames and Hudson, 1985.
  • Academie Julian. Glossary. Tate Collection. Disponível no site: http://www.tate.org.uk/collections/glossary/definition.jsp?entryId=13. Acesso em 3 jan. 2011.
  • BRETTELL, Richard R. Modern art 1851-1929. Oxford: Oxford University Press, 1999.
  • DEMPSEY, Amy. Estilos, escolas e movimentos. São Paulo: Cosac Naify, 2003. Tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • Montparnasse années 30 - Bissière, Le Moal, Manessier, Etienne-Martin, Stahly & les autres? Éclosions à l'Académie Ranson. Rambouillet: Palais du roi de Rome; Gand: Editions Snoeck, 2010.
  • OSBORNE, Harold (org.). The Oxford companion to twentieth century art. Oxford, England: Oxford University Press, 1981.
  • THOMSON, Belinda. Nabis. Grove Art Online. MoMA - the collection. Disponível no site: http://www.moma.org/collection/details.php?theme_id=10128. Acesso em 3 jan. 2011.
  • TRADIÇÃO e ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1984.

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