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Enciclopédia Itaú Cultural

Escola de Teatro e Dança - FAFI (Vitória, ES)

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.12.2020
O edifício projetado em 1926 pelo arquiteto tcheco-esloveno Josef Pitlik abriga, nos anos de 1960, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O prédio histórico, conhecido como Gomes Cardim, passa a ser chamado de Fafi, acrônimo de Faculdade de Filosofia. Em 1971, a faculdade é transferida para ...

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O edifício projetado em 1926 pelo arquiteto tcheco-esloveno Josef Pitlik abriga, nos anos de 1960, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O prédio histórico, conhecido como Gomes Cardim, passa a ser chamado de Fafi, acrônimo de Faculdade de Filosofia. Em 1971, a faculdade é transferida para o campus de Goiabeiras, bairro da região continental de Vitória, e o imóvel transforma-se na sede do Serviço de Identificação da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo. Em 1976, o espaço é desocupado novamente e permanece fechado por anos. Em 1982, o prédio é tombado e comprado pela prefeitura sob gestão de Hermes Laranja (1948), depois de longa disputa entre município e governo estadual pela posse do edifício.

No final da década de 1980, um grupo de artistas de teatro tem dificuldade de encontrar locais para ensaios e apresentações. Com apoio da secretária municipal de Cultura e Esportes, a dramaturga Vera Viana, os atores recorrem ao prefeito Vitor Buaiz (1943), que cede ao grupo o espaço desocupado. 

Em 18 de março de 1991, é inaugurado o 1º Curso Livre de Teatro da Fafi, tentativa de reunir forças artísticas e políticas para reabrir o prédio como espaço cultural. Embora em condições precárias, o curso conta com 30 alunos e aulas regulares de segunda a sexta, das 19 às 23 horas. Entre os professores, figuras importantes da cena artística local, como os diretores Renato Saudino (1954) e  Wlad Castiglioni, os atores Eliezer de Almeida e Markus Konká (1954), os escritores Erlon José Paschoal (1953) e Oscar Gama Filho (1958), a cantora lírica Natércia Lopes e a cenógrafa Colette Dantas, coordenados pela atriz e diretora de teatro Márcia Gáudio. Paulo de Paula (1932), ator, diretor, mestre e doutor em teatro, é um dos professores da Fafi desde sua inauguração. Participante do movimento teatral dos anos 1960, o diretor testemunha os famosos Festivais de Poesia que agitam a Fafi e que reúnem no local figuras importantes da cultura capixaba, como o ator, escritor e cartunista Milson Henriques (1938-2016).

Inicialmente previsto para terminar até o final de julho, o curso estende-se até 6 de setembro. O espetáculo de encerramento é realizado no Teatro Maria Carmélia de Souza, e são apresentadas cenas de diversas peças. Entre elas, O Santo Inquérito, de Dias Gomes (1922-1999); Medeia, do grego Eurípedes (ca. 484 a.C.-406 a.C.); Defunto, do francês René de Obaldia (1918); Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006); Esta Propriedade Está Condenada, do dramaturgo estadunidense Tennessee Williams (1911-1983) e Ida ao Teatro, do alemão Karl Valentin (1882-1948).

Em 1992, o prefeito Vitor Buaiz oficializa o restauro do prédio para abrigar a Escola de Artes Fafi, preservando o nome original do edifício. Na década de 1990, o espaço funciona como centro cultural e realiza diversos eventos: lançamento de livros, exposições de arte, workshops, palestras, apresentações de peças, bailes de artistas, declamações de poesias e programações musicais.

Em 1998, sob administração do prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (1956), as diretrizes da Fafi são reavaliadas para atender à demanda da classe teatral. Argumenta-se que há espaços para formação em outras áreas – como o curso de artes plásticas, oferecido pela Ufes, e de música, ministrado na Escola de Música do Estado. Não existe, entretanto, nenhuma instituição de qualidade voltada para a formação específica em teatro e dança. Em 2000, o prefeito sanciona lei que oficializa a criação da Escola de Teatro e Dança Fafi, sob supervisão da Secretaria Municipal de Cultura do Município de Vitória. O espaço do prédio passa a ser compartilhado com a Biblioteca Pública Municipal Adelpho Poli Monjardim.

A escola conta com uma estrutura física de cinco salas de aulas, um centro de documentação (com acervo nas áreas de arte, cultura, teatro e dança), um laboratório de artes cênicas, uma sala para serviços administrativos e uma secretaria escolar. Desde 1998, a instituição oferece Curso de Qualificação Profissional em Teatro e Dança, embora ainda aguarde credenciamento no Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica do Ministério de Educação (Sistec/MEC).

Atualmente, a classe artística capixaba rediscute o retorno à proposta inicial e multifacetada da Fafi, no formato de um equipamento cultural que comporte diversas atividades culturais e manifestações artísticas que expressam a diversidade existente hoje na cidade.

Fontes de pesquisa 3

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  • FILHO, Oscar Gama. Teatro Capixaba: 395 anos – de Anchieta à década de 70. Vitória: Fundação Cultural do Espírito Santo, 1981.
  • PREFEITURA de Vitória. Site oficial da Secretaria de Cultura. Vitória, Espírito Santo. Disponível em: http://www.vitoria.es.gov.br/semc. Acesso em: 27 nov. 2019.
  • SOUZA, Julia Duarte de. Políticas Públicas Culturais – Cidade de Vitória – ES (1991-2008). Dissertação (Mestrado em História) – Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2009.

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