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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS)

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.01.2016
28.06.1970 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Antigo Pátio do Colégio
Benedito Calixto
Óleo sobre tela
60,00 cm x 35,00 cm
Acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo

Situado na ala esquerda térrea do Mosteiro da Luz, na avenida Tiradentes, centro de São Paulo, o Museu de Arte Sacra é inaugurado em 1970, com base em convênio firmado entre a Mitra Arquidiocesana de São Paulo e o governo do Estado. O convênio tem como objetivo assegurar uma sede para o antigo Museu da Cúria - com a coleção de imagens sacras, nu...

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Histórico

Situado na ala esquerda térrea do Mosteiro da Luz, na avenida Tiradentes, centro de São Paulo, o Museu de Arte Sacra é inaugurado em 1970, com base em convênio firmado entre a Mitra Arquidiocesana de São Paulo e o governo do Estado. O convênio tem como objetivo assegurar uma sede para o antigo Museu da Cúria - com a coleção de imagens sacras, numismática, prataria religiosa, jóias, altares, livros litúrgicos raros, mobiliário, pinturas etc. -, criado pelo arcebispo dom Duarte Leopoldo e Silva, em 1907. Em 1979, o recém-nomeado diretor do Museu de Arte Sacra, padre Antonio de Oliveira Godinho, é responsável por integrar o edifício histórico e o acervo, eliminando paredes, liberando espaços e redistribuindo peças e obras. O Mosteiro da Luz, por sua vez, tem sua história ligada à fundação do Convento da Luz, em 1774, construído de taipa de pilão com base em projeto de frei Antonio de Sant'Ana Galvão. No ano de 1822, o arquiteto frei Lucas José da Purificação simplifica o projeto original, conferindo à edificação as feições atuais. Fruto do trabalho dos dois franciscanos, o mosteiro destaca-se como um dos mais importantes monumentos coloniais do século XVIII, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan em 1943.

O acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo revela a imaginária brasileira, sobretudo paulista, dos séculos XVI, XVII e XVIII com base na produção que contrasta com a arte religiosa barroca e rococó predominante nas províncias de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro pelo seu despojamento estilístico. A produção paulista, marcada de perto pelos modelos hispano-americanos trazidos das missões jesuíticas do Paraguai e da Argentina, traduz os avanços da catequese e da colonização. Artistas e artesãos seguem as trilhas abertas no interior do Estado pelas expedições bandeirantes, construindo e adornando capelas e igrejas. Obras de madeira e barro cozido são realizadas por homens de formação erudita e também por artistas populares, que fazem leituras próprias dos modelos eruditos. Em torno das confrarias religiosas reúnem-se profissionais de diferentes categorias: oleiros, ladrilheiros, telheiros, pedreiros, carpinteiros, entalhadores, serralheiros, latoeiros. Algumas ordens, especialmente a dos jesuítas e dos beneditinos, formam e mantêm seus próprios artesãos. Entre eles, observa-se a numerosa presença de mestiços, mulatos livres, indispensáveis para a arquitetura e para as artes do período colonial.

Peças destinadas às velhas igrejas da cidade de São Paulo e arredores - Araçariguama, Santana do Parnaíba, Cotia, Guarulhos etc. - compõem a maior parte do acervo do museu, que conta ainda com trabalhos de outras regiões. Pintores, ourives e escultores anônimos e célebres encontram-se aí representados; entre eles destacam-se frei Agostinho da Piedade (ca.1580 - 1661), frei Agostinho de Jesus (ca.1610 - 1661), Aleijadinho (1730 - 1814) e Mestre Valentim (ca.1745 - 1813). De forte inclinação didática, a disposição das obras no acervo acompanha a história da Igreja na região, diretamente ligada à evolução da cidade. Já na entrada, o visitante é apresentado a São Paulo no século XVIII às primeiras igrejas paulistanas e à criação do convento. Ao processo de construção do edifício e às técnicas construtivas dos primeiros séculos são dedicados espaços especiais: a taipa de pilão, comprimida em caixões de tábua; a taipa de mão, atirada de sopapo na trama do pau-a-pique; o adobe, desenvolvimento da construção de barro. No corredor, situam-se peças remanescentes das velhas igrejas.

Na sala dos mestres beneditinos - frei Agostinho de Jesus e da Piedade -, estão diversas obras representativas dos dois ceramistas, entre elas o Santo Amaro, do século XVII, de frei Agostinho da Piedade, e a Nossa Senhora dos Prazeres e a Nossa Senhora da Purificação, ambas de frei Agostinho de Jesus. Esta última, de barro cozido e policromado - a virgem é representada em feições adolescentes -, é considerada uma das obras-primas do autor. Espaços destinados à ourivesaria religiosa (jóias, cálices, adereços etc.), aos textos históricos sobre a criação da diocese de São Paulo e ao mobiliário da sacristia convivem com as salas dedicadas aos santeiros populares, às "paulistinhas" - pequenas imagens populares de barro, típicas de São Paulo - e às imagens do Divino, versão local dos modelos eruditos.

O acervo do museu, ampliado no decorrer dos anos, conta ainda com pinturas do baiano Capinam (1791 - 1874) e de Benedito Calixto (1853 - 1927). Do Aleijadinho, especificamente, célebre pelas obras de pedra-sabão, é possível conhecer trabalhos de madeira como a Nossa Senhora das Dores e Sant'Ana Mestra, ambas do século XVIII. Também de madeira, estão presentes obras do Mestre Valentim, como o Anjo, de fins do XVIII.

Obras 11

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Largo da Sé

Óleo sobre tela

Exposições 8

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Fontes de pesquisa 6

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  • HOLLANDA, Sérgio Buarque de (org.); CAMPOS, Pedro Moacyr (org.). História geral da civilização brasileira - v.2: a época colonial. Introdução Sérgio Buarque de Hollanda; colaboração Aziz Nacib Ab'Sáber, Fernando Mendes de Almeida, Alice P. Cannabrava, Laerte Ramos de Carvalho, Pedro Octávio Carneiro da Cunha, Lycurgo de Castro Santos Filho, Maurício Goulart, Américo Jacobina Lacombe, Francisco Curt Lange, Nícia Vilela Luz, Lourival Gomes Machado, Rubens Borba de Moraes, Teresa Schorer Petrone, Olivério Mário de Oliveira Pinto, Arthur Cezar Ferreira Reis, Antonio Candido de Mello e Sousa, Dorival Teixeira Vieira. 6.ed. São Paulo: Difel, 1985. 518 p., il. p.b.
  • MUSEU de Arte Sacra Mosteiro da Luz. São Paulo: Artes: SANBRA, 1987.
  • MUSEU de Arte Sacra de São Paulo. Disponível em: [http://www.artesacra.sarasa.com.br]. Acesso em: 16 jan. 2006.
  • O MUSEU de Arte Sacra de São Paulo. Texto João Marino, José Geraldo Nogueira Moutinho, Carlos Alberto Cerqueira Lemos. São Paulo: Banco Safra, 1983. 269 p., il. p&b. (Banco Safra).
  • PINTO, Jussara P. (coord.); HUNT, Luli (coord.). Museu de Arte Sacra: imaginária séc. XVI e XVII. Curadoria Mari Marino; texto Luciana Nunes; tradução Lisle Francis McNair, Jonathan Wheatley. São Paulo: Empório de Produção & Comunicação, 2002. 72 p., il. color.
  • PINTO, Jussara P. (coord.); HUNT, Luli (coord.). Museu de Arte Sacra: imaginária séc. XVIII. Curadoria Mari Marino; texto Luciana Nunes; Lisle Francis McNair, Jonathan Wheatley. São Paulo: Empório de Produção & Comunicação, 2002. 84 p., il. color.

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