Artigo da seção grupos Balé Ópera Paulista

Balé Ópera Paulista

Artigo da seção grupos
Dança  
Data de criação da obra Balé Ópera Paulista: 1984 Local de crição: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de término 1990 Local de término: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

A criação do Balé Ópera Paulista dá-se nos anos 1980, por iniciativa da bailarina, coreógrafa e professora Angela Nolf (1956), ao assumir a direção artística com os bailarinos Paulo Branco e Sacha Svetloff. Com formação na Escola Municipal de Bailados, São Paulo, Nolf apefeiçoa-se em Londres no Royal Ballet School, na Imperial Society of Teachers of Dancing e no Benesh Institute. Depois de um período de estudo e trabalho na Europa e em Israel, Nolf retorna ao Brasil e inicia a formação do Balé Ópera Paulista.

O grupo forma-se com bailarinos egressos do estúdio de Halina Biernacka (1914-2005) e apresenta-se como uma companhia de dança clássica. O perfil altera-se no curso de sua história, em três fases distintas, com diferentes elencos e parceiros.

Segundo o crítico de dança Marcos Bragato (1956), o Balé Ópera Paulista pode ser entendido:

Como um modelo de companhia de repertório. Como um conjunto de abrigo de falas diferenciadas de dança clássica [...].  No pequeno agrupamento, catalizou-se a aventura da formação de intérpretes (muitos deles em atividade na oficialidade do circuito profissional) em pleno alvorecer de uma grande bolha produtiva nos anos 801.

A estreia, em 1984, traz trabalhos de Angela Nolf, Paulo Branco, Victor Ausktin e do coreógrafo canadense  William (Bill) Martin-Viscount (1940-2012)  e conta com apoio da empresa alemã Basf do Brasil. No ano seguinte, a primeira mudança conceitual no grupo dá-se com a contratação de novos integrantes e a produção de trabalhos dos coreógrafos Francisco Duarte Azadinho (1952-1989), Philippe Tallard e do argentino Luís Arrieta (1951). Este último cria para o grupo o espetáculo Paisagem com Gaivotas (1984), no qual se percebe o diálogo com as diferentes linguagens do balé.

A coreografia de Arrieta traz para cena o exercício da relação indivíduo/coletivo e coletivo/indivíduo, a partir da metáfora do bando de gaivotas. Como atesta Marcos Bragato: “A costura de movimentos confeccionados pelo coreógrafo resulta em inventivas sequências”2 e “Arrieta soube aproveitar com habilidade o material humano que estava ao seu dispor”3. No elenco, são destaques os bailarinos Sandro Borelli (1959), Miriam Druwe (1965), Brasília Botelho e Laudinei Delgado.

Com apenas um ano de existência, o grupo participa do Forum de la Danse do Festival International de la Danse de Paris (1985), a partir de uma seleção entre mais de 150 grupos do mundo inteiro. Realizam seis apresentações no Centro Cultural George Pompidou. O olhar da comissão parisiense e as temporadas posteriores não são suficientes para a manutenção do apoio da Basf. Como consequência, a formação de quinze bailarinos dissolve-se e, em 1986, Paulo Branco e Sacha Svetloff retiram-se da direção.

No ano seguinte, seguindo um novo modelo de funcionamento, Angela Nolf estabelece parceria com o bailarino e coreógrafo Bebeto Cidra (1959), egresso do Balé da Cidade de São Paulo, e com a coreógrafa Susana Yamauchi (1957). O grupo ganha características de pick-ups, companhias americanas que se organizam de acordo com as necessidades da produção.

O resultado desta parceria é o espetáculo Nostalgia (1987), que trata da relação de um homem (Cidra) com três símbolos femininos, interpretados pelas dançarinas Key Sawao (1964), Cláudia Decara e Deborah Furquim (1965). Sobre a direção de Angela Nolf, a crítica Helena Katz (1950) assinala que: “Como sempre, Angela produz um trabalho bem acabado, em que cada um dos intérpretes encontra possibilidades de mostrar o melhor de si. E, nesse ambiente, Bebeto Cidra faz sua dança brilhar ainda mais”4

Embora sem nenhum tipo de apoio, o grupo consegue manter a qualidade da produção. Como enfatiza Ana Michaela: “O Ballet Ópera Paulista, para se afirmar como um dos grupos mais representativos de São Paulo, só precisa de uma infraestrutura mais sólida. Já possui uma cara própria, um grupo homogêneo com um nível técnico de primeira e um repertório coreográfico competente”5.

A parceria com Bebeto Cidra estend-see por mais um ano com a coreografia Quadrivagação (1988). Dela, Marcos Bragato ressalta o “[...] lance de forte inventividade. Os movimentos estão circunscritos a um espaço cênico previamente definido e numa reta. As sequências seguem como em filme, de celuloide a celuloide”6.

Em sua última fase de existência, o grupo conta com a colaboração da dançarina e coreógrafa estadunidense, residente no Brasil, Holly Cavrell (1955), com quem realiza três trabalhos. Em um deles, Sala de Espera (1990), a coreógrafa recria o mundo interior de cinco personagens reunidos em uma antessala.

Esse terceiro momento do Ópera Paulista traz também a colaboração de uma coreógrafa em ascensão, Ana Maria Mondini (1953), com Valsa Volúpia (1988), coreografia sobre uma reeleitura da valsa Vie d’artiste, do compostitor austríaco Johann Strausss (1825-1899). 

A partir daí, o Balé Ópera Paulista torna-se inativo pela impossibilidade de sua manutenção. Embora a trajetória pareça curta, os seis anos de existência do grupo são intensamente criativos, “[...] por contar com a direção de Angela Nolf, que tem demonstrado saber dar ao grupo uma coesão entre seus bailarinos, que são contratados especificamente para cada produção a ser realizada, e o próprio estilo de dança que o grupo se propõe a realizar”7.

Notas

1. Ballet Ópera Paulista. Imagens da Dança. Centro Cultural São Paulo. Disponível em: http://www.centrocultural.sp.gov.br/danca/balletopera.asp?pag=1. Acesso em: 7 set. 2013.

2. BRAGATO, Marcos. “Ópera Paulista: grupo jovem e homogêneo”. Dançar, ano III, n. 12, 1985, p. 29.

3. Ibidem, p. 30.

4. KATZ, Helena. Petiscos saborosos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 13 jun. 1987. Caderno 2, p. 6.

5. MICHAELA, Ana. “Gala 88’ reúne coreógrafos para destacar os profissionais brasileiros. Folha de S.Paulo, 21 out. 1988. Ilustrada, p. E-2.

6. BRAGATO, Marcos. O Ópera Paulista cada vez melhor. Dançar, São Paulo, ano VI, n. 25,  p. 42, 1988.

7. REVISTA DANÇAR. Retrospectiva/Balé Ópera Paulista. Dançar, São Paulo, ano VII, n. 30, p. 7, 1990.

Fontes de pesquisa (10)

  • BRAGATO, Marcos. Ballet Ópera Paulista. Imagens da Dança. Centro Cultural São Paulo. Disponível em: http://www.centrocultural.sp.gov.br/danca/balletopera.asp?pag=1. Acesso em: 15 set. 2013
  • BRAGATO, Marcos. O Ópera Paulista cada vez melhor. Dançar, ano VI, n. 25, p. 42, 1988.
  • KATZ, Helena. Balé Ópera Paulista dança até amanhã. Folha de S.Paulo, São Paulo, 10 maio 1985.
  • KATZ, Helena. Petiscos Saborosos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 13 jun. 1987. Caderno 2, p. 6.
  • MICHAELA, Ana. ‘Gala 88’ reúne coreógrafos para destacar os profissionais brasileiros. Folha de S.Paulo, São Paulo, 21 out. 1988. Ilustrada, p. E-2.
  • O ESTADO de São Paulo. Ballet Ópera Paulista tenta ‘resgatar o clássico’. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 Set. 1984. Geral, p. 21.
  • O ESTADO de São Paulo. Dança que levou o Ópera Paulista a Paris, só hoje. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30 nov. 1985. Geral, p. 19.
  • O ESTADO de São Paulo. Grupo Paulista no Forum de la Dance?. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 Set. 1985. Geral, p. 19.
  • PONZIO, Ana Francisca. O Ópera Paulista dança contrastes. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 28 nov. 1990, Caderno 2, p. 3.
  • RETROSCPECTIVA – Balé Ópera Paulista. Dançar, São Paulo, ano VII, n. 30, p. 7, 1990. 

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • BALÉ Ópera Paulista. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo636278/bale-opera-paulista>. Acesso em: 24 de Out. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7