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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

É tudo cena

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.06.2020
1996 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
A Cia. É Tudo Cena é criada em 1996 pela atriz, produtora e diretora Aduni Benton, que conta com Sidnéia Pereira e Marcos Paulo Silva na direção do grupo. Entre seus integrantes estão Ana Suely Malta, Cristina Raibolt, Leandro Nicolau e Plínio Abençoado. Jorge Raibott é o iluminador do grupo, Josué Espírito Santo é responsável pela sonoplastia.

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A Cia. É Tudo Cena é criada em 1996 pela atriz, produtora e diretora Aduni Benton, que conta com Sidnéia Pereira e Marcos Paulo Silva na direção do grupo. Entre seus integrantes estão Ana Suely Malta, Cristina Raibolt, Leandro Nicolau e Plínio Abençoado. Jorge Raibott é o iluminador do grupo, Josué Espírito Santo é responsável pela sonoplastia.

Nascida na Nigéria em 1973, Aduni Benton completa sua formação no Rio de Janeiro. Em 1987, conclui o curso profissionalizante da Escola de Teatro Martins Pena. Em seguida, faz Artes Cênicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), formando-se em Interpretação no ano de 1998 e em Direção Teatral no ano 2000. Na universidade Cândido Mendes conclui, em 2007, a pós-graduação em História da África e o Negro no Brasil. 

A pesquisa do Teatro Experimental do Negro, criado em 1944 por Abdias Nascimento (1914-2011), influencia a criação da companhia, que pretende pesquisar, resgatar, valorizar e promover a cultura afro-brasileira, retratando sua importância na sociedade contemporânea. O trabalho visa estabelecer meios para que o teatro brasileiro evidencie o negro na sociedade, assumindo lugar de destaque na construção do seu crescimento pessoal, intelectual e profissional. Desde sua criação, o grupo difunde a história e os mitos africanos e o cotidiano da população negra.

Também realiza fóruns de discussão para propostas de políticas públicas para as artes cênicas, com o objetivo de fomentar ações afirmativas e inclusivas, buscando integração e reafirmação de sua identidade. Dá prioridade a artistas e técnicos negros nos espetáculos, o que constitui uma oportunidade de formação para os integrantes do grupo.

O primeiro espetáculo é Milagre na Cela (1996), de Jorge Andrade (1922-1984), com direção de Aduni Benton, como todos os demais trabalhos do grupo. No ano seguinte, é a vez de A Morte de Bessie Smith, do autor norte-americano, Edward Albee (1928-2016). 

O beijo da Mulher Aranha (1976), do escritor argentino Manuel Puig (1932-1990), é a montagem de 1998, no 5º Festival de Teatro da Universidade Veiga de Almeida. Neste mesmo ano, o grupo volta à dramaturgia brasileira com a peça Comédia sem Título, de Martins Pena (1815-1848), no Auditório da Sociedade Brasileira de Autores (SBAT), no Museu do Paço Imperial, no Museu da República, no Museu Nacional de Belas Artes, no Teatro Armando Gonzaga e no SESC São João de Meriti.

Em 2001, com a atriz Léa Garcia (1933) à frente do elenco, estreia A Mitologia dos Deuses Africanos - Orixás no Teatro João Caetano. Orixás é o único texto para teatro do ator e dublador Luís Motta (1935-1999), Babalorixá do Ilê Opô Afonjá1. Essa é a peça do grupo de maior repercussão. Orixás fica em cartaz até 2005 e é assistida por cerca de 12 mil pessoas. 

Em 2003, o grupo encena Uma Rede para Yemonjá, de Antônio Callado (1917-1997), na qual Aduni Benton divide a direção com a atriz Iléa Ferraz (1960).

Em 2005, a Cia. É Tudo Cena é convidada para representar o Brasil no 5º Festival Internacional de Teatro em Farfa, Itália, promovido pelo Teatro Potlach. No mesmo ano, outro convite importante: o 1o Fórum Nacional de Performance Negra, em Salvador. O grupo também participa das edições de 2006 e 2009, e do Projeto Olonadé – A Cena Negra Brasileira em 2011.

Em 2008, o grupo realiza o 2o Simpósio de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e o 1o Encontro com Art com o Sistema Único de Assistência Social (Suas), ambos em Arraial do Cabo, Rio de Janeiro.

Em 2010, é a vez da montagem de 40 + 20 em parceria com a Cia. Rubens Barbot, com apoio do Prêmio Klaus Vianna. Em 2013, ganha o edital do Prêmio Funarte de Arte Negra para montagem de A História de Paulo Benjamim de Oliveira - O Paulo da Portela. Em 2014, ocupa o  Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) das Artes de Maricá com o projeto A Cena Brasileira na Cultura de Maricá.

No dia 13 de março de 2015, estreia A História de Paulo Benjamim de Oliveira – O Paulo da Portela, com Zezé Motta (1944), Wilson Rabelo e Thiago Justino (1960), entre outros, no elenco.

A companhia recebe a Moção de Louvor e Reconhecimento da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, por cumprir a Lei 10.639/2003, que obriga o ensino da História da África e da Cultura Negra nas escolas, em 2006; a Moção de Aplausos em Comemoração ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em 2008; e a Moção de Louvor e Reconhecimento pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, da Câmara de Vereadores do Município do Rio de Janeiro em 2009.

Pela trajetória do grupo, percebe-se o engajamento nas questões sociais e o propósito de circular por espaços periféricos do estado do Rio de Janeiro.

Nota

1.  Ilê, que significa casa, é uma casa de candomblé, um terreiro.

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