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Enciclopédia Itaú Cultural

Jograis de São Paulo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.03.2018
1955 Brasil / São Paulo / São Paulo
Grupo criado em São Paulo, em 1955, pelo ator, poeta e diretor de teatro Ruy Affonso Machado (1920-2003), em homenagem ao escritor português Fernando Pessoa (1888-1935).

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Histórico

Grupo criado em São Paulo, em 1955, pelo ator, poeta e diretor de teatro Ruy Affonso Machado (1920-2003), em homenagem ao escritor português Fernando Pessoa (1888-1935).

Valendo-se da alternância de vozes, Affonso e mais três atores recitam poesias de diversos autores, clássicos e contemporâneos, em apresentações que unem teatro, música e literatura. O núcleo formador do Jograis de São Paulo inclui, além do próprio Ruy Affonso, os atores Ítalo Rossi (1931-2011), Felipe Wagner (1930-2013) e Rubens de Falco (1931-2008).

A estreia acontece em 1955, no Teatro de Arena, em São Paulo, com o espetáculo Recital Fernando Pessoa. A recepção positiva do público estimula o grupo a repetir a apresentação por mais três noites no teatro.

Na estreia carioca, em 1956, o quarteto lota o auditório do Ministério da Educação e Cultura ao recitar poemas de Castro Alves (1847-1871), João Manuel Pereira da Silva (1817-1898), Camões (1524-1580) e de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

A imprensa da época exalta a originalidade do grupo ao resgatar os jograis da Idade Média, que levam poesia ao povo. Um dos elogios vem de Carlos Drummond de Andrade, ao afirmar ao  jornal Correio da Manhã que "o próprio poeta se via interpretado com inteligência e até, às vezes, reinventado".

Também integram os jograis os atores como Armando Bógus (1930-1993), Carlos Vergueiro (1920-1998), Carlos Zara (1930-2002), Fúlvio Stefanini (1939), Homero Cosac (1932), Maurício Barroso (1925-2002), Nilson Condé (1939), Raul Cortez (1931-2006) e Wolney de Assis (1937-2015). Em 1956, cantora Inezita Barroso (1925-2015), popularmente conhecida como porta-voz da cultura caipira e do folclore brasileiro, junta-se ao quarteto para uma temporada com o espetáculo Ritmos e Cores (1956), misto de música, poesia e projeções.

O sucesso do Jograis no Brasil chama a atenção do governo português, que convida o grupo para uma turnê pelo país, em 1957, com mais de 40 apresentações. Em 1960, o quarteto é acompanhado ao violão pelo músico Roberto Ribeiro (1940-1996) nos Recitais de Poesia Luso-Brasileira, apresentados no Ateneu Comercial do Porto. Até 1963, o conjunto reúne passagens por Angola e Moçambique e, com apresentações em espanhol, no México.

Para Ruy Affonso, as quatro vozes masculinas do elenco conseguem emprestar força expressiva à poesia, que a declamação barroca havia comprometido. O ator, diretor do grupo e também poeta diz que o preconceito com a declamação é justificado e que, ele mesmo, nunca havia conseguido assistir a um recital na íntegra.

Entre 1957 a 1980, o grupo lança sete álbuns - um é dedicado exclusivamente a Fernando Pessoa e outro, à bossa nova. O último álbum compila obras de poetas contemporâneos como Mario Quintana (1906-1994), Mário de Andrade (1893-1945), Cecília Meireles (1901-1964) e Haroldo de Campos (1929-2003).

O grupo realiza cerca de 600 apresentações durante mais de 40 anos de carreira.

Fontes de pesquisa 7

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  • AUGUSTO, João. Os Jograis de S. Paulo. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 24 mai. 1956.
  • AUGUSTO, João. Ritmos e Cores. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 27 dez. 1956.
  • CONDÉ, José. Encontro com os Jograis. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 24 mai. 1956.
  • CORREIO da Manhã. Noite de Poesia com os "jograis". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 15 mai. 1956.
  • CORREIO da Manhã. Os jograis em seis tempos. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 22 jul. 1956.
  • JORNAL do Brasil. Jograis de São Paulo: sua apresentação hoje ao público carioca. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 mai. 1956.
  • TRIBUNA da Imprensa. Estreia amanhã: Os Jograis de S. Paulo. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 17 mai. 1956.

Como citar

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