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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

A Outra Cia de Teatro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.07.2017
2004
Desde sua fundação, em 2004, A Outra Companhia de Teatro demonstra forte influência das manifestações populares, com investigação de linguagem cênica, e um interesse singular na pesquisa histórica do teatro na Bahia. Sua produção executiva sistemática fornece sustentação para as montagens, as participações em festivais, turnês, cursos, formação ...

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Histórico

Desde sua fundação, em 2004, A Outra Companhia de Teatro demonstra forte influência das manifestações populares, com investigação de linguagem cênica, e um interesse singular na pesquisa histórica do teatro na Bahia. Sua produção executiva sistemática fornece sustentação para as montagens, as participações em festivais, turnês, cursos, formação de plateia, intercâmbio cultural e encontros de teatro. 

O princípio de sua história pode ser contada a partir do projeto Tomaladacá, no qual grupos da periferia de Salvador entram em contato com os grupos residentes do Teatro Vila Velha. Vinício de Oliveira Oliveira, que acompanha de perto o projeto, conhece o grupo Trilharte, dirigido por Inácio D'eus, e a partir de então conciliam o interesse de investigação do uso da literatura de cordel para o teatro. Dividem a direção do espetáculo Remendo Remendó (2002), nome que traz uma referência às colagens de textos da cultura popular, costurando um espetáculo baseado nas histórias de João Grilo da literatura de cordel, com textos de Graciliano Ramos, e textos de Vinício de Oliveira Oliveira. Nesse momento já se encontram no elenco Eddy Veríssimo e Roquildes Junior que, em 2003, estreiam A Pena e A Lei do dramaturgo e romancista Ariano Suassuna (1927), e direção de Vinício de Oliveira Oliveira.

Arlequim (2004) é o espetáculo que marca o início d'A Outra Cia de Teatro, oficializando-se como grupo residente do Teatro Vila Velha, e conta com a entrada de Luiz Antônio Júnior e Luiz Buranga. Com base no texto do dramaturgo italiano Carlo Goldoni (1707-1793), o processo de construção de cena parte do imaginário popular de cada ator. Com a direção desse espetáculo Vinício de Oliveira Oliveira recebe o Prêmio Braskem na categoria revelação.

Com Debaixo D'água em Cima D'areia (2005), o grupo intensifica sua investigação em relação à ocupação do espaço, construindo as cenas com o suporte de um cenário composto por andaimes e uma iluminação que delimita a área de atuação. Contêiner (2006), marca a companhia como a consolidação do desejo de profissionalização. A estrutura do teatro Vila Velha a ser melhor utilizada pelo grupo, que investe na produção de modo mais sistemático e organizado, constituindo-se, também, como um grupo de produção.

Esse esforço rende ao grupo o incentivo da Funarte para pesquisas de espetáculos, que viabiliza nove meses de ensaios e pesquisas sobre o tema África contemporânea, migração, escravidão no Brasil e colonização da África. Nesse processo, o grupo inclui uma ampla sequência de debates abertos ao público, com a participação de especialistas em temas africanos, com exibição de filmes e realização de palestras. Antes da estreia a companhia ainda realiza um ciclo de ensaios abertos, de cenas do espetáculo que está em processo de ensaio, seguidos de debates.

A cenógrafa Lorena Torres Peixoto coloca em cena um contêiner suspenso, totalmente fechado, com atores dentro dele que são vistos pela plateia através de projeção. As imagens são captadas através de câmeras infravermelhas instaladas dentro do contêiner. Contêiner compõe a mostra oficial do Festival de Curitiba, em 2008.

Antes disso, em 2007, o grupo monta A Sacanagem da Outra, com uma proposta despretensiosa para aliviar o desgaste causado pelo processo bastante pesado da montagem de Contêiner. Depois da longa pesquisa de nove meses de Contêiner, A Sacanagem da Outra é construída em apenas 40 dias, contando despretensiosamente a história de um homem que chega em casa sem o pênis, depois de uma festa de Santo Antônio.

A companhia inicia em 2008 uma sequência de seminários que a coloca em contato constante com diversos artistas de Salvador. A partir dos seminários sobre a História do Teatro Baiano nas Décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990, discute e reconta as décadas do teatro da Bahia com base na memória de seus artistas, com o apoio do Prêmio Myriam Muniz. Após esse evento o grupo encena O Pique dos Índios ou A Espingarda de Caramuru (2008), da dramaturga Haydil Linhares (1935 - 2010).

A partir de 2008 a companhia deixa de ser grupo de um único diretor, experimentando simultaneamente a contribuição de três diretores diferentes na montagem do espetáculo Três Histórias para Contar, que encena três textos curtos: A Vala Comum, do angolano José Mena Abrantes, é dirigida por Luiz Antônio Júnior, O Conto da Ilha Desconhecida, do português José Saramago, recebe a direção de Rita Carelli, e uma seleção de poesias do poeta Iderval Miranda, é dirigida por João Meirelles.

Em 2009, Vinício de Oliveira Oliveira deixa a companhia, e Luiz Antônio Júnior passa a assinar as encenações do grupo - em 2010, Mar Me Quer e, em 2011, dirige a remontagem de Remendo Remendó. Com esses espetáculos a companhia participa do Festival Recife de Teatro Nacional (2010), do Festiluso, em Teresina, em 2011, e do Palco Giratório, em Recife, no mesmo ano, ora com ambos espetáculos, ora somente com a peça Mar Me Quer.

Em 2011, a companhia é contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz na categoria Circulação, e realiza o seminário História do Teatro Nordestino, desta vez contemplando a história do teatro do nordeste em quatro etapas: Salvador, Natal, Recife e Fortaleza. Em cada uma delas, os profissionais do teatro, artistas e pesquisadores de três estados diferentes debatem as peculiaridades de seus estados.

Fontes de pesquisa 13

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