Artigo da seção grupos Belmonte e Amaraí

Belmonte e Amaraí

Artigo da seção grupos
Música  
Data de criação da obra Belmonte e Amaraí: 1966 | Data de término 1972

Histórico

Belmonte e Amaraí é uma dupla sertaneja formada por Paschoal Zanetti Todorelli, "Belmonte" (Barra Bonita SP 1937 - Santa Cruz das Palmeiras SP 1972) e Domingos Sabino da Cunha, "Amaraí" (Distrito de Rui Barbosa BA 1940). Eles se conhecem em 1964 em um bar localizado no Largo do Paissandu, na cidade de São Paulo, apelidado de Café dos Artistas, ponto de encontro de violeiros amadores e cantores em início de carreira. Antes de se tornarem parceiros, Belmonte faz dupla com Belmiro, depois com Tibagi. Amaraí é, inicialmente, parceiro de Amoroso e, posteriormente, de Tibagi.

A dupla Belmonte e Amaraí começa se apresentando em casas noturnas, circos e em praças de cidades do interior. Grava o primeiro LP em 1966, Saudades da Minha Terra, pela RCA Victor, a convite do diretor artístico Nenete, da dupla Nenete e Dorinho. Esse álbum bate recordes de venda do gênero, alcançando na época a marca de 1 milhão de cópias vendidas, em especial pelo sucesso da faixa-título uma composição de Belmonte e Goiá, que se torna uma referencia do gênero sertanejo. Essa canção retrata a tristeza do interiorano na cidade grande e sua vontade de voltar para o contato com a natureza em sua terra natal. A dupla grava mais cinco LPs, o segundo também pela RCA Victor e os outros quatro pela Chantecler.

Seu repertório é marcado por composições de modas de viola feitas em parceria com outras duplas, como Goiá e Miltinho, assim como pelas versões que fazem de várias músicas estrangeiras, em especial rancheiras mexicanas de Miguel Aceves Mejía, cantor que se veste com roupas do folclore do México e conhecido no Brasil por Andorinha (1967) e Te Amarei Toda Vida (1967); boleros de Augustin Lara, Solamente Una Vez, gravado como Tão Somente uma Vez (1966), em versão de Waldomiro Bariani Ortêncio; gravação de canções românticas no estilo sertanejo de cantores populares nacionais como Roberto Carlos em Meu Pequeno Cachoeiro (1972); e até internacionais de músicas latinas gravadas por Nat King Cole, como Adeus Mariquita Linda (1972); e a adaptação para o português de La Golondrina, de Narciso Serradell, canção do folclore mexicano (1860).

Outra contribuição de Belmonte e Amaraí para a música sertaneja é o canto marcado por um entrosamento de vozes da dupla, exercendo grande influência, por exemplo, no canto de duplas do início dos anos 1970 como Milionário e José Rico e Chitãozinho e Xororó. Transmitem uma sensação de uníssono, baseada em duas vozes que cantam melodias que se acompanham "nota contra nota", num intervalo que é bastante consonante, ou seja, harmônico e agradável aos ouvidos: daí a impressão de que nem são duas vozes diferentes em um intervalo de terças. A primeira voz entoa a melodia enquanto a segunda faz uma linha melódica que segue o mesmo "gráfico" da melodia, mas com um intervalo de uma terça abaixo (terça descendente).

A dupla é uma das pioneiras da modernização da música intitulada "caipira" para o estilo sertanejo, juntamente com outras formadas nos anos 1950, como Pedro Bento e Zé da Estrada e Miltinho e Tibagi. Belmonte e Amaraí abandonam o repertório mais tradicional de Capitão Furtado, João Pacífico e Tonico e Tinoco - referências para o gênero - e criam outra identidade, introduzindo arranjos e instrumentos até então inéditos nas gravações sertanejas, como pistom, trompete, harpa paraguaia, bongô e piano, realizando trabalhos com acompanhamento de orquestra.

A dupla se desfaz em 1972 com a morte de Belmonte, aos 34 anos, em um acidente de carro. Amaraí continua cantando em carreira solo e com outros parceiros, até que em 1999 passa a se apresentar com seu filho Francis, utilizando novamente o nome de Belmonte e Amaraí.

Outras informações do grupo Belmonte e Amaraí:

  • Relações com outros artigos da enciclopédia:

Fontes de pesquisa (4)

  • BELMONTE E AMARAÍ. Site oficial da dupla. Disponível em <www.belmonteeamarai.com.br>. Acesso em: 25 de julho de 2011.
  • FERRAZ, Sérgio e ARANTES, Júlia. Saudade de Minha Terra. São Paulo: Edição do Autor, 2002.
  • FERRAZ, Sérgio. Biografia de Belmonte. Disponível em <www.gentedanossaterra.com.br/belmonte.html>. Acesso em: 25 de julho de 2011.
  • NEPOMUCENO, Rosa. Música caipira da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • BELMONTE e Amaraí. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo636057/belmonte-e-amarai>. Acesso em: 16 de Set. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7