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Enciclopédia Itaú Cultural

Pena Branca e Xavantinho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.02.2021
1961
1999
Pena Branca (José Ramiro Sobrinho, Igarapava, São Paulo, 1939 – São Paulo, São Paulo, 2010) e Xavantinho (Ranulfo Ramiro da Silva, Uberlândia, Minas Gerais 1942 – São Paulo, São Paulo, 1999). Dupla caipira, cantores, compositores, instrumentistas. Criados na zona rural de Uberlândia, os dois irmãos trabalham desde criança na lavoura. Tomam conta...

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Pena Branca (José Ramiro Sobrinho, Igarapava, São Paulo, 1939 – São Paulo, São Paulo, 2010) e Xavantinho (Ranulfo Ramiro da Silva, Uberlândia, Minas Gerais 1942 – São Paulo, São Paulo, 1999). Dupla caipira, cantores, compositores, instrumentistas. Criados na zona rural de Uberlândia, os dois irmãos trabalham desde criança na lavoura. Tomam contato com a música por meio dos pais e de festas religiosas. São influenciados por duplas como Vieira [Rubens Vieira Marques (1926)] e Vieirinha [Rubião Vieira (1928-1991)] e Tonico [João Salvador Perez (1917-1994)] e Tinoco [José Perez (1920)], difundidas pelas rádios locais. José aprende a tocar viola de cravelha (de 12 cordas) e Ranulfo, violão. Apresentam-se nas folias de reis, quermesses, bailes e mutirões. Em 1961, participam do programa do Coronel Hipopota, na Rádio Educadora de Uberlândia, que os apresenta ao público como Peroba e Jatobá. Depois, a dupla adota o nome artístico Barcelo e Barcelinho e, em seguida, Xavante e Xavantinho, inspirada nas aulas de história do primário. Em 1964, viajam pelo interior de Goiás com o sanfoneiro Pinaji, integrando, por um breve período, o Trio Pena Branca.

Em 1968, Xavantinho, então funcionário de uma transportadora, decide instalar-se em São Paulo. Meses depois, o irmão também se muda para a cidade. Dividem o tempo entre trabalho e encontros de violeiros. Classificam-se em quarto lugar em um festival promovido pela Rádio Cometa, o que rende a eles a gravação de um compacto, a canção “Saudade” (Xavantinho, 1971). Ao constatarem a existência de outro cantor de pseudônimo Xavante, mudam o nome da dupla para Pena Branca e Xavantinho. Em 1975, ingressam na orquestra Coração de Viola, em Guarulhos, onde Inezita Barroso (1925-2015) ouve-os cantar e incentiva-os a seguir a carreira. No mesmo ano, são contratados para se apresentar nos fins de semana na basílica de Aparecida do Norte.

Em 1980, são classificados para as finais do festival Shell com o pagode caipira “Que Terreiro É Esse”, de Xavantinho. A música, a princípio, é rechaçada pela gravadora pelas referências à umbanda. Meses depois, registram-na no LP, Velha Morada (1980), título da primeira faixa, de Xavantinho e Mestre Resende. Mas é a versão em moda de viola de Cio da Terra (1970), de Chico Buarque (1944) e Milton Nascimento (1942), que abre as portas para os irmãos na mídia. Participam do programa musical Som Brasil em 1981, transmitido pela TV Globo. Rolando Boldrin (1936), apresentador do programa, produz e divulga o segundo LP deles, Uma Dupla Brasileira (1982). O disco conta com a participação de Almir Sater (1956) e traz alguns clássicos da música caipira, como a “Moda da Pinga” (“Marvada Pinga”, 1940), de Laureano.

A carreira da dupla é alavancada em um momento decisivo para a chamada música sertaneja. Segundo os novos padrões da indústria fonográfica, impõe-se a necessidade de inserir arranjos e instrumentos alheios ao gênero e de mudar a temática das letras, enfatizando as românticas. Os artistas que não aderem a este padrão recorrem à produção independente, com um público restrito, mas cativo. Pena Branca e Xavantinho incluem-se nessa vertente. O terceiro disco, Cio da Terra, só é lançado cinco anos mais tarde. Ele alcança a maior vendagem até então, 300 mil cópias, e torna a dupla conhecida nacionalmente, alcançando o público adepto da MPB. Traz seis composições de Xavantinho, sendo três em parceria, com João Carvalho e Tavinho Moura (1947), e três de sua autoria exclusiva, além das canções “Cuitelinho” [folclore, adaptado por Paulo Vanzolini (1924-2013)], “Cantiga (Caicó)” [folclore, adaptado por Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Teca Calazans (1940) e por Milton Nascimento] e “Vaca Estrela e Boi Fubá” [Patativa do Assaré (1909-2002)].

Em 1990, gravam o LP Cantadô de Mundo Afora, contemplado pelo Prêmio Sharp em três categorias: melhor disco, melhor dupla e melhor música, com “Casa de Barro” (Xavantinho e Cláudio Balestro). O disco traz ainda as composições “Amor de Violeiro”, de Rolando Boldrin; “Noites do Sertão” de Tavinho Moura e Milton Nascimento, “Sessenta Léguas Num Dia” de Renato Teixeira (1945) em parceria com Seu Chico; “Felicidade”, de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), e a moda de viola “Mazarropi”, de Jean e Paulo Garfunkel. Em 1992, conquistam outro Prêmio Sharp e o prêmio da Associação Paulista de Crítico de Artes de melhor disco, com Pena Branca e Xavantinho e Renato Teixeira Ao Vivo em Tatuí. No ano seguinte, fazem uma temporada de shows nos Estados Unidos, divulgando o disco Violas e Canções. Em 1994, a gravadora Warner lança coletânea da dupla, com participação de Milton Nascimento e Fagner (1949).

Em 1995, lançam o CD Ribeirão Encheu, produzido por Tavinho Moura e Geraldo Vianna (1962). Xavantinho compõe “Trem das Gerais”, “Oração de Camponês” e “Velho Catireiro”, esta em parceria com Pena Branca. Em 1996, lançam o CD Pingo D’Agua, com novos e antigos clássicos do repertório caipira: “Chalana” [Mário Zan (1920-2006) e Arlindo Pinto (1906-1968)], “Tristeza do Jeca” [Angelino de Oliveira (1888-1964)], “Pingo D'Água” [Raul Torres e João Pacífico (1909-1998)], “Flor do Cafezal” [Luiz Carlos Paraná(1932-1970)] e “Romaria” (Renato Teixeira). O último trabalho da dupla, Coração Matuto (1998) traz “Planeta Água” [Guilherme Arantes (1953)], “Lambada de Serpente” [Djavan (1949)] , “Morro Velho” (Milton Nascimento) e “Carreiro Velho” e “Estrada”, últimas composições de Xavantinho.

Ao longo dos anos, a dupla mantém a coerência na forma e no conteúdo de sua obra. Dialoga com artistas da MPB, escolhendo para seu repertório canções que tocam sua sensibilidade. São constantes letras que mencionam a saudade do rincão de origem, o cotidiano na roça, a fé e a tristeza pela degradação da natureza. A unidade é construída a partir do estilo vocal tenso e nasal, no qual Pena Branca terça sobre o grave melodioso de Xavantinho. Com a morte de Xavantinho, em 1999, Pena Branca tem o apoio de músicos como Tarcísio Manuvéi e sua Orquestra de Violeiros do Cerrado, Renato Teixeira e Inezita Barroso para construir carreira solo. Inicia atividade mais intensa como compositor e regrava as músicas do irmão. Em 2002, lança pelo selo Kuarup Pena Branca Canta Xavantinho. Participa de CDs de outros músicos, como Renato Teixeira e do projeto Cantorias e Cantadores. Seu último trabalho solo é Cantar Caipira (2008).

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