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Dança

Grupo Corpo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.08.2019
1975 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Fundado em 1975, na cidade de Belo Horizonte, o Grupo Corpo é uma companhia brasileira de dança contemporânea reconhecida pelo trabalho cuidadoso de pesquisa para a construção de suas coreografias, mediadas pela relação entre movimento e música.

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Fundado em 1975, na cidade de Belo Horizonte, o Grupo Corpo é uma companhia brasileira de dança contemporânea reconhecida pelo trabalho cuidadoso de pesquisa para a construção de suas coreografias, mediadas pela relação entre movimento e música.

Tem à frente de sua fundação e organização, a família Pederneiras: Rodrigo (1955), o coreógrafo da companhia; Paulo, o diretor artístico; Pedro, o diretor técnico; e Miriam, uma das assistentes de coreografia. O fato de se caracterizar como uma companhia familiar simboliza o projeto de arte e vida do Grupo Corpo. Outros profissionais também atuam no grupo desde sua fundação, como a figurinista Freusa Zechmeister (1941) e o cenógrafo Fernando Magalhães Velloso (1951). A duradoura participação familiar na produção da companhia distingue esse projeto artístico no cenário brasileiro da dança contemporânea, sobretudo pela continuidade do trabalho técnico e profissional.

O grupo estreia em 1976 com Maria Maria, com música original assinada por Milton Nascimento (1942) e coreografia do argentino Oscar Araiz (1940). O espetáculo realiza turnê por catorze países, conquista sucesso internacional e permanece seis anos em cartaz. Em 1978, a companhia ganha sede própria na capital mineira e inicia-se o ciclo de coreografias assinadas por Rodrigo Pederneiras.

O percurso do Grupo Corpo caracteriza-se pela pesquisa do coreógrafo, que sedimenta a tradição da companhia e conquista reconhecimento público. A característica fundamental do trabalho coreográfico do Corpo é a relação entre movimento e música, além disso, destaca-se pela  profissionalização dos bailarinos e da equipe técnica.

Com uma produção regular por ano, o Grupo Corpo consolida sua identidade com olhar esteticamente particular: o jeito brasileiro na dança. Na década de 1990, é comum a crítica especializada indicar que o Grupo Corpo define-se por algo de “brasileiro”1. No entanto, as coreografias de Pederneiras não se dedicam à movimentação única do swing do quadril, mas a inúmeras possibilidades dessa gramática, além da inclusão da música brasileira em suas apresentações. A marca dessa certa brasilidade deve ser entendida como modo de investigação da circularidade de movimento, das relações desse movimento com a música e, finalmente, da composição estética que conforma a integridade da obra (figurino, cenário, refinamento e precisão de movimento). 

Na pesquisa musical, algumas escolhas relacionam repertório, compositores e a busca por uma identidade brasileira na criação, como a parceria com compositores como Marco Antônio Guimarães (1948) e José Miguel Wisnik (1948), com temas eruditos –, e ainda compositores da música popular brasileira como Caetano Veloso (1942), Tom Zé (1936) e o grupo de jazz Metá Metá.

Desde a década 1970, a companhia ensina à dança contemporânea brasileira como o movimento compõe uma dramaturgia sem necessariamente recorrer à narrativa convencional. O público aprende com Pederneiras a ler o movimento e a identificar suas histórias em seus acentos e suas nuanças (a música, o cenário, o figurino), com alto grau de qualidade.

Há saltos estéticos nessa trajetória. Nos primeiros anos do grupo, com a música erudita, a movimentação ganha melodia, frases e sequências coordenadas na composição musical e um desenho coreográfico descendente do balé clássico, mas não idêntico a ele, porque busca sua autenticidade. Em 1992, com 21, o Grupo Corpo ganha maturidade ao investir em estruturas rítmicas com repetições e desenhos mais complexos, quando curvas no movimento e no espaço se complexificam. Também crescem as referências dramatúrgicas, com Nazareth (1993), que mistura os aspectos musicais e também literários – Machado de Assis (1839-1908) serve de inspiração para cenário e figurino. Com a presença de músicos brasileiros, a composição ganha complexidade e também clareza, uma assinatura autêntica. A década de 1990 intensifica a trajetória internacional do grupo, com estreias na Maison de la Danse, na cidade francesa de Lyon, dos espetáculos Bach (1996), Paralelo (1997) e Benguelê (1998)

No ano de 2015, a companhia completa quarenta anos com duas novas obras: Dança Sinfônica e Suíte Branca. Dança Sinfônica. A primeira conta com coreografia de Rodrigo Pederneiras e trilha sonora composta em orquestra por Marco Antônio Guimarães. A coreografia Suíte Branca foi criada pela coreógrafa Cassi Abranches (1974) e com trilha de Samuel Rosa (1966), da banda brasileira de rock Skank.

Em 2017, o grupo estreia Gira, coreografada por Rodrigo Pederneiras a partir da proposta musical do grupo Metá Metá. Rodrigo busca em religiões afro-brasileiras, como a umbanda e o candomblé, inspiração para movimentos que não mimetizem os ritos das celebrações, mas os ressignifiquem. Com o mínimo de elementos cênicos e um figurino que valoriza os movimentos, sem diferenciação de gêneros, é o movimento dos corpos relacionados com o espaço e o som que protagoniza o espetáculo.

O Grupo Corpo tem uma dramaturgia que parte de minúcias do movimento e nos apresenta, a cada criação, inúmeras combinações. A coreografia e o trabalho cênico permitem aos corpos movimentos que valorizam a brasilidade de ritmos e ritos por meio de encontros entre cultura e tradição da dança contemporânea.

Notas

1 VENTURA, Zuenir. Grupo Corpo. In: BOGÉA, Inês (Org.). Oito ou nove ensaios sobre o Grupo Corpo. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

Espetáculos 2

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Espetáculos de dança 34

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Fontes de pesquisa 8

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