Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Teatro Oficina do Perdiz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.03.2017
1975 Brasil / Distrito Federal / Brasília
Oficina mecânica fundada pelo paulista José Perdiz em 1969, localizada na quadra 708/709 norte, em Brasília. Em 1975, o mecânico cede o espaço para ensaios do grupo de teatro de seu enteado, aluno de teatro da Faculdade Dulcina de Moraes (FADM). A partir de então, recebe diversos artistas locais que a usam para ensaios. Em 1989, a oficina é tran...

Texto

Abrir módulo

Histórico

Oficina mecânica fundada pelo paulista José Perdiz em 1969, localizada na quadra 708/709 norte, em Brasília. Em 1975, o mecânico cede o espaço para ensaios do grupo de teatro de seu enteado, aluno de teatro da Faculdade Dulcina de Moraes (FADM). A partir de então, recebe diversos artistas locais que a usam para ensaios. Em 1989, a oficina é transformada em espaço cultural quando o diretor de teatro Mangueira Diniz (1954-2009) resolve utilizá-la para a peça Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906-1989). Para a montagem, Perdiz constrói uma estrutura cênica improvisada, com arquibancadas e camarins. Durante o dia, a oficina funciona normalmente e, à noite, o local recebe apresentações de peças de teatro e shows de música.

Em 1991, Mangueira Diniz encena o espetáculo Bella Ciau, de Luís Alberto Abreu, adaptação dele e de Francisco Rocha. Segundo o jornalista e crítico teatral Sérgio Maggio:

Bella Ciao, aliás, é um capítulo de ouro na história da arte em Brasília. O espetáculo ficou em cartaz por um ano, edificou a Oficina do Perdiz como espaço teatral e foi eleito o melhor da temporada pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas (Apac). Consagrou ainda a carreira do ator Gê Martu e revelou nomes como o de Lucinaide Pinheiro e Clarice Cardell.1

A partir daí, "a oficina mecânica de José Perdiz foi batizada como um templo teatral. Mais: um espaço que subverteu a ordem matemática dos criadores de Brasília, onde diversão e arte tinham setor certo para ocorrer".2 Entre 1991 e 1992, o teatro chega a atrair um público de mais de 7,5 mil pagantes.

Em 2002, o Teatro Oficina do Perdiz é ameaçado de fechar por ser construído em um espaço ilegal. Um ato reúne artistas locais que se mobilizam para impedir que isso aconteça. Em 2006, o Teatro do Concreto entra em temporada com espetáculo O Diário do Maldito como um ato de resistência ao fechamento do teatro. No mesmo ano, o cineasta Marcelo Díaz produz o curta-metragem Oficina Perdiz. O filme ganha o Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Em 2010, o cineasta Piu Gomes estreia o filma Zé(s), documentário que conta a trajetória de duas oficinas: a de Zé Celso Martinez Corrêa, em São Paulo, e a de Zé Perdiz. O filme ganha o prêmio de melhor documentário no Festival de Brasília no mesmo ano.

Desde sua criação, o Teatro Oficina do Perdiz se caracteriza como um espaço alternativo de arte. Segundo Paula Bronzeado, o local exerce grande influência na movimentação cênica e artística da cidade. "Lá foram apresentadas mais de 40 peças, além de musicais, danças, música e exposição de belas artes. E isso tudo com ingressos a preços populares e muita vontade de fazer a arte acontecer."3

O Teatro Oficina do Perdiz é visto pela comunidade do Distrito Federal como um grande polo de incentivo à cultura. A vontade de José Perdiz em manter um espaço no qual artistas podem criar e se apresentar sem custos o caracteriza como "um patrimônio imaterial da cultura do Distrito Federal".4

Notas

1. MAGGIO, Sergio. Oficina-teatro Perdiz padece sem espetáculo e esperança de ver erguida a nova estrutura. Correio Braziliense, 27 jul. 2009.

2. Idem

3. BRONZEADO, Paula Lebre. Um mecânico entre a razão e a sensibilidade. Na Prática: Jornal Laboratório do Iesb, 16 jun. 2008.

4. MAGGIO, Sergio. Oficina-teatro Perdiz padece sem espetáculo e esperança de ver erguida a nova estrutura. Correio Braziliense, 27 jul. 2009.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: