Artigo da seção grupos Studio Stanislavski

Studio Stanislavski

Artigo da seção grupos
Teatro  

Histórico

O Studio Stanislavski dirigido por Celina Sodré, investiga a narrativa não aristotélica e o ator como performer, a partir do método das ações físicas de Stanislavski. A direção assina o roteiro de espetáculos geralmente inspirados em obras literárias.

De 1991 a 1996, o trabalho dirigido por Celina Sodré usa a denominação de Companhia de Teatro. Os primeiros espetáculos desse grupo - Ophelia By Hamlet, 1991; Narcyso de Bergerac, 1993; Alma de Kokoschka, 1994 - já se dedicam a explorar a ação do ator, como interpretação pessoal e subjetiva, diante de um público reduzido. Em 1995, em uma leitura psicanalítica da figura de Barba Azul, Ricardo Blat interpreta um psiquiatra que se apaixona por uma paciente, a cargo de Beth Goulart, e os atores Miguel Lunardi e Joana Levi atuam como duplos desses personagens. Em 1996, Celina Sodré se baseia no conto Yorick, de Salman Rushdie, para elaborar o roteiro de São Hamlet, em torno do protagonista shakespeariano, dirigindo novamente Miguel Lunardi e Joana Levi em um processo de criação baseado no método das ações físicas de Stanislavski.

O Studio Stanislavski surge em 1997, dando continuidade à mesma linha de pesquisa e com alguns dos mesmos atores da Companhia de Teatro. Nesse ano, Celina Sodré passa alguns meses em Volterra, Itália, onde dirige Killing Maria, com a atriz Luisa Pasello. Na volta, rebatizada de Studio Stanislaviski de Pesquisa e Formação Teatral, a investigação de Celina Sodré parte novamente de duas obras literárias para construir, com base na criação dos atores, o espetáculo Amor Consciente. Joana Levi e Beth Goulart, entre outros atores, atuam na ficção do encontro de Cristo com uma sacerdotisa grega dedicada a Ísis e à procura de seu Osíris - um deus esquartejado. Na divulgação do espetáculo, a diretora informa que "os atores vão criando partituras de ações físicas que, depois de estruturadas, recebem os textos, encaixando-se como camadas num roteiro que permite expansão em várias direções". A crítica Barbara Heliodora analisa em O Globo: (...) tudo na peça Amor Consciente é muito lento, todos os gestos advertem o público de que são parte de rituais (...). Os atores Beth Goulart, Walney Costa, Ana Elisa Paz, César Tavares, Dinah Cesare, Joana Levi, Joelson Gusson e Marco Cimino executam com grande empenho suas escrituras individuais de movimento, via de regra isoladamente e, infelizmente, incapazes de chegar a dar qualquer sentido ao todo, mesmo que em vários momentos inteligíveis em si. O esforço é considerável, mas o resultado da montagem é profundamente desapontador e tedioso".1

Em Cosmodamião - um Só Coração, 1998, vinte espectadores são acomodados em poltronas instaladas sobre o palco e a mãe de Cosme e Damião, interpretada por Celina Sodré, conta a história do nascimento (e do destino) de seus filhos gêmeos, enquanto prepara uma massa de pão. Quinze minutos depois, o público é levado para o jardim, onde se encontram os dois protagonistas, interpretados pelas atrizes Joana Levi e Dinah Cesare. A crítica Barbara Heliodora escreve: "(...) as atrizes Joana Levi e Dinah Cesare apresentam uma série de textos de pensadores vários, enquanto 'brincam' com a suposta alegria infantil dos eleitos, apenas mencionando em uma canção a atividade dos dois enquanto médicos; e finalmente, depois que eles saem, Celina Sodré, à maneira dos contadores de histórias, narra as atividades dos gêmeos e seu martírio. Tudo isso é apresentado com bastante cuidado e com uma disposição cênica bonita, de José Dias.(...)".2

Em 2001: Happy New Lear, 1999, Celina Sodré parte de Rei Lear, de Shakespeare, para compor uma outra história, cuja ação se passa numa noite de réveillon e em que a pintora Frida Kahlo é identificada com a filha mais nova do rei.

Em 2000, dirige a performance Tanesruft, o País do Medo, com a atriz Gabriela Lírio, para o 1º Encontro de Performance e Política das Américas, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Em Ilha Desconhecida, baseado no Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago, 2000, a concepção se inspira na linguagem cinematográfica, o prólogo e o epílogo são filmados em película e transformados em curtas com duração de 13 minutos. No ano seguinte, o Studio recebe o Prêmio Pró Cena, do Governo de Estado do Rio de Janeiro, e apresenta, em São Paulo, quatro solos: Evangelho Segundo Nossa Senhora de Copacabana, baseado no livro A Fúria do Corpo, de João Gilberto Noll, com Daniel Schenker; Eremita, adaptação do conto A Criada, de Clarice Lispector, com Elisa Jary;  IspírituIncarnadu, inspirado em Guimarães Rosa, com Denise Stutz; e William Wilson, livre adaptação do conto homônimo de Edgar Allan Poe, com Miguel Lunardi e Denise Stutz. Em 2002, Celina Sodré adapta Os Irmãos Karamazov, de Dostoïevski, no espetáculo Cinema Karamazov.

Em 2003, estréia Ferocidade, livremente inspirado em Macbeth, de Shakespeare. No ano seguinte, estréiam Moscou, Três Irmãs no Século XXI, baseado em As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, e O Homem do Avesso, baseado na novela Memórias do Subsolo, de Dostoïevski. Em 2006, o Studio apresenta Primeira Iniciação, baseado em Gurdijeff, Olho de Boneca, de Fábio Porchat, e O Sacrifício de Andrei, baseado no roteiro do filme O Sacrifício, de Andrei Tarkovski.

O crítico Lionel Fischer, da Tribuna da Imprensa, analisa certos aspectos do espetáculo: "(...) A montagem exibe inegável poder de sedução, entre outras razões porque contracena o tempo todo com o filme, que é projetado sobre o corpo dos atores e também sobre o espaço. As falas, inclusive, são ditas praticamente ao mesmo tempo pelos atores do filme e pelos intérpretes do espetáculo, causando uma permanente sensação de inquietude e estranhamento. Fiel à sua linha de experimentação, iniciada em 1991 e que prioriza uma investigação permanente sobre o trabalho do ator, Celina Sodré oferece ao público uma montagem sem dúvida de acesso um tanto difícil, mas que exibe, como de hábito, soluções criativas e expressivas e extremo cuidado em todos os aspectos de produção".3

Notas

1. HELIODORA, Barbara. Pretensa originalidade se perde em caminhos que passam longe do público, O Globo, Rio de Janeiro, 9 jun. 1997.

2. HELIODORA, Barbara. Espetáculo bem cuidado mas com personagens sem vida, O Globo, Rio de Janeiro, 23 fev. 1999.

3. FISCHER, Lionel. Complexo e instigante tributo. Rio de janeiro, Tribuna da Imprensa, 22 mar. 2007.

Outras informações do grupo Studio Stanislavski:

  • Outros nomes
    • Centro de Pesquisa e Formação Teatral Studio Stanislavski
    • Studio Stanislavski Companhia de Teatro (Rio de Janeiro, RJ)

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Fontes de pesquisa (5)

  • FISCHER, Lionel. Complexo e instigante tributo. Rio de janeiro, Tribuna da Imprensa, 22 de março de 2007.
  • GRILLO, Cristina. Ingleses se aliam na peça 'Amor Consciente', Folha de S.Paulo, São Paulo, 23 mai. 1997.
  • HELIODORA, Barbara. Um espetáculo longe de Macbeth e de qualquer verdade teatral, O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 2003.
  • OLIVEIRA, Roberta. Diretora dramatiza a saga de Cosme e Damião num espetáculo itinerante, O Globo, Rio de Janeiro, 8 jun. 1998.
  • SODRÉ, Celina. Currículo enviado pela diretora. 2007.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • STUDIO Stanislavski. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo455856/studio-stanislavski>. Acesso em: 17 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7