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osgemeos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.08.2021
Brasil / São Paulo / São Paulo
Gustavo Pandolfo e Otávio Pandolfo (São Paulo, São Paulo, 1974). Grafiteiros e artistas visuais. Combinam em seu processo criativo elementos da cultura brasileira com influências da cultura hip-hop para criar um universo lúdico expandido, aplicado em pinturas, murais, esculturas cinéticas interativas e instalações.

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Gustavo Pandolfo e Otávio Pandolfo (São Paulo, São Paulo, 1974). Grafiteiros e artistas visuais. Combinam em seu processo criativo elementos da cultura brasileira com influências da cultura hip-hop para criar um universo lúdico expandido, aplicado em pinturas, murais, esculturas cinéticas interativas e instalações.

Os irmãos gêmeos Gustavo e Otávio nascem no bairro do Cambuci, na região central de São Paulo. Desde a infância encontram no desenho a melhor brincadeira compartilhada. O núcleo familiar oferece constantes estímulos culturais: o avô lituano apresenta a música erudita, o irmão mais velho o rock, e os pais os inscrevem em workshops em museus onde são apresentados a grande diversidade de materiais. Nessa época, visitam o ateliê do pintor Alfredo Volpi (1896-1988), seu vizinho de bairro.

A infância criativa na década de 1980, marcada por jogos e brincadeiras na rua, incorpora também referências culturais do emergente universo hip-hop. Nos encontros que acontecem na estação do metrô São Bento, em São Paulo, entre 1985 e 1988, os irmãos se encantam com as expressões do gênero como a dança break; as batalhas musicais com mc's; a colorida moda de rua, e as caligrafias estilizadas e desenhos robustos do graffiti. Ao se apresentarem dançando, Gustavo e Otávio recebem o apelido de Os Gêmeos pelo produtor musical DJ Hum (1967). Em um período com acesso limitado à informações, essas trocas são fundamentais para o crescimento do movimento hip-hop com epicentro em São Paulo.

Frequentam o colegial em escola técnica de desenho e comunicação no bairro paulistano do Brás, em 1987, quando conhecem o grafiteiro Speto (1971), fundamental na formação dos artistas. Trabalham para apoiar financeiramente a família enquanto começam a grafitar nos muros da cidade em busca de um estilo original, fator importante para diferenciarem seus trabalhos na rua. Isso faz com que explorem diversos suportes e técnicas artísticas e estudem história da arte, o que consideram uma imersão autodidata.

Em 1993, Barry McGee (1966), figura central do graffiti na costa leste americana, vem a São Paulo para uma residência artística no Museu Lasar Segall. Tornam-se amigos e com isso os irmãos iniciam uma série de importantes conexões internacionais. Em 1997 são entrevistados pela revista 12oz Prophet, que divulga nos Estados Unidos um inédito e extenso panorama sobre o graffiti brasileiro. Logo depois são convidados pelos artistas alemães Loomit (1968) e Peter Michalski (1968) para participarem de um festival de graffiti em Munique, e esse evento marca o início de uma carreira que soma trabalhos nas ruas e em instituições em mais de 60 países.

A originalidade estilística e técnica dos artistas se sobressai nesse novo contexto. A mistura de materiais – como a aplicação de tinta à base de água, pincéis e tinta  spray automotiva – emerge pelas dificuldades financeiras e falta de materiais específicos no mercado local. A preparação dos trabalhos com uma base de cor como fundo e a modulação da pressão do dedo no bico do spray para a obtenção de traços mais finos, são adaptações que demonstram a disposição criativa para contornar as circunstâncias adversas, característica importante para os desafios propostos pelas diferentes mídias que utilizam.

As emblemáticas figuras amarelas aparecem em grande formato a partir de 2004, com a série Gigantes, que ocupa empenas de edifícios e outros espaços em diversos países. Pintados sobrepostos às texturas existentes, o efeito de ilusão de ótica faz parecer que as figuras saem da parede pelo uso de sombreados e contornos na criação de volumes. Os personagens – que apesar de semelhantes, nunca se repetem – apresentam, com riqueza de detalhes, linhas de contorno finas e padronagens exuberantes em suas roupas. Na obra 360º, realizada para a Bienal de Vancouver em 2014, os Gigantes aparecem grafitados em seis silos de trigo e ostentam, indistintamente, camisas estampadas, calças formais, bolsa transversal – elementos da cultura nordestina brasileira – e agasalhos de poliéster com gorro – típicos da cena hip-hop.

O circuito de arte contemporânea mundial começa a incorporar o graffiti no começo dos anos 2000. Osgemeos expõem na galeria Deitch Projects, em Nova York, em 2005, e o ponto de virada para o reconhecimento no Brasil acontece no ano seguinte na galeria então Fortes Vilaça (Fortes, D'Aloia e Gabriel), em São Paulo. Com filas todos os dias e imenso sucesso de público, a exposição tem um andar dedicado ao universo Tritrez, mundo lúdico onde apresentam instalações interativas com música, objetos cinéticos e pinturas em grande formato. Esse universo próprio dos irmãos-artistas, recorrente em suas mostras, é um convite à imersão total do espectador, tomado pelo jogo de escala e pela energia das cores.

Entre as muitas parcerias para a realização de obras, algumas colaborações se destacam, como em 2007, com a mãe e artista têxtil Margarida Kanciukaitis Pandolfo (1943); em 2011, com o grafiteiro britânico Banksy (1974?), e em 2018, com o músico norte-americano Pharrell Williams (1974).

Ao longo dos anos, osgemeos incluem materiais não convencionais em seus trabalhos, como lantejoulas, luzes e elementos que referenciam o ambiente urbano, como grades de aço. A música é outra marca constante, como na escultura cinética Windmill [Moinho de vento], de 2019. Composta de um piano que tem o teclado substituído por um sintetizador, a cauda é transformada em pista de dança com piso retroiluminado, onde um b-boy amarelo rodopia, de ponta-cabeça, no clássico movimento do break que dá nome à obra.

Ao estabelecer conexões entre a cultura de rua, a tradição brasileira e o sistema de arte de sua época, osgemeos cruzam fronteiras conceituais e geográficas, com produção original e abundante, além de grande prestígio de público e crítica.

Espetáculos 1

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Exposições 23

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Intervenções 1

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