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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Casa 7

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.03.2017
Um ateliê montado na casa número 7 de uma pequena vila na cidade de São Paulo reúne um grupo de jovens artistas, unidos por laços de amizade e por propósitos estéticos comuns. Carlito Carvalhosa (1961), Fábio Miguez (1962), Paulo Monteiro (1961) e Rodrigo Andrade (1962) passam pelos cursos de gravura de metal com Sérgio Fingermann (1953). Nuno R...

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Histórico

Um ateliê montado na casa número 7 de uma pequena vila na cidade de São Paulo reúne um grupo de jovens artistas, unidos por laços de amizade e por propósitos estéticos comuns. Carlito Carvalhosa (1961), Fábio Miguez (1962), Paulo Monteiro (1961) e Rodrigo Andrade (1962) passam pelos cursos de gravura de metal com Sérgio Fingermann (1953). Nuno Ramos (1960), quinto membro do grupo, com formação ligada à filosofia e à literatura, edita em 1980 a revista Almanaque-80 (poesia, ensaios e artes visuais) e, no ano seguinte, a revista de poesia Kataloki. Juntos, no "ateliê Casa 7", os artistas realizam seis exposições, entre 1982 e 1985: no Paço das Artes, no Centro Cultural São Paulo (CCSP) com Sérgio Fingermann, na Galeria Subdistrito, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) e na 18ª Bienal Internacional de São Paulo, de 1985, última mostra do grupo. O trabalho com tinta industrial sobre grandes folhas de papel, em geral papel kraft, torna-se uma marca dos artistas da Casa 7. A escolha do material deve-se sobretudo a razões de ordem econômica. Com baixos custos, é possível explorar o gesto expressionista. A tinta industrial de diversos tons aplicada sobre as amplas superfícies de papel - que em geral não a absorve - produz efeitos inusitados: cores brilhantes e variadas, pinceladas avantajadas e linhas de tintas que teimam em escorrer. Parece não haver preocupação maior com o acabamento dos trabalhos tampouco com a sua durabilidade.

As poéticas da expressão, especialmente o neo-expressionismo, são traços visíveis nessas obras, apontam os críticos que acompanham o trabalho do grupo desde o início. "Em meados da década de 80", afirma Lorenzo Mammì, "a Casa 7 representou o ingresso no Brasil das poéticas neo-expressionistas, que já há alguns anos dominavam na Europa". Um neo-expressionismo temperado pelo humor é o que caracteriza essa nova pintura, indica Aracy Amaral (1930). A despeito de seus traços distintivos, o grupo parece compartilhar com a produção dos demais ateliês coletivos que se sucedem na década de 1980 o compromisso forte com a retomada da pintura. As grandes dimensões dos trabalhos, livres dos chassis, e a ênfase no gesto pictórico levam alguns estudiosos a falar em um novo informalismo experimentado por toda essa geração. Rótulos à parte, os artistas da Casa 7, eles mesmos, indicam suas inspirações. Philip Guston (1913-1980), sobretudo as pinturas da década de 1970 (apresentadas na 16ª Bienal Internacional de São Paulo, 1981), que testam um novo estilo figurativo entre a sátira e os motivos grotescos, aparece como referência frequente. Nelas também chamam a atenção certo acabamento bruto, o imaginário pop dos quadrinhos, os temas sociais e o uso de cores a princípio incompatíveis. O neo-expressionismo alemão de Markus Lüpertz (1941), Georg Baselitz (1938) e Anselm Kiefer (1945), bem como a versão norte-americana de Julian Schnabel (1952), além do expressionismo abstrato, especialmente William De Kooning (1904-1997), aparecem como outras inspirações importantes para as pesquisas dos artistas, como eles próprios fazem questão de mostrar.

A experiência curta, mas bem-sucedida do ateliê Casa 7 marca o período de aprendizado de cinco jovens artistas que, daí em diante, desenvolvem pesquisas em direções distintas. Esse momento inicial de trabalho compartilhado parece definir os rumos futuros de cada um deles. Nos termos de Lorenzo Mammì: "As obras da Casa 7 atestam pelo menos uma vitalidade saudável, uma vontade de questionamento que não se contentava com uma bricolagem de superfície, embora ainda não possuíssem os meios para ir muito em profundidade. Não por acaso, todos os integrantes do grupo se tornaram bons artistas; apesar de terem seguido caminhos bastante divergentes, [os artistas] produzem obras que continuam dialogando entre si, à distância, como se mantivessem um núcleo comum. Sinal que aquela experiência marcou não tanto pelos achados ou resultados técnicos quanto pela postura de fundo, pela forma de ver a profissão de artista". Fábio Miguez e Carlito Carvalhosa, a partir de 1987, testam a encáustica, matéria que permite explorar gradações da textura e de luminosidade. Desse momento em diante, Carvalhosa utiliza a cera em seus quadros, caminhando a partir de então mais diretamente para a escultura. Miguez, fiel à pintura, nela introduz a tridimensionalidade desde os anos 1990. Na tradição nacional, vale destacar o diálogo de seus trabalhos recentes com as telas de Jorge Guinle (1947-1987).

Entre os artistas que surgem e se afirmam na década de 1980, Rodrigo Andrade parece ser o mais ligado à estética neo-expressionista. No fim da década de 1990, sua pintura orienta-se para uma crescente economia plástica. Da pintura, Paulo Monteiro caminha na direção do desenho e da escultura, primeiro em ferro (1987), depois em chumbo fundido (1998), sem nunca abandonar as telas. A obra de Nuno Ramos, por sua vez, desdobra-se em direções variadas: pintura, escultura e literatura. O crítico de arte Alberto Tassinari localiza o ano de 1991 como o momento final da trajetória de Nuno como pintor. A partir daí, a escultura e as palavras - presentes nas obras plásticas e nos livros - assumem a cena principal.

Exposições 2

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Fontes de pesquisa 9

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  • ANDRADE, R. Rodrigo Andrade. Texto Lorenzo Mammi. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1995, 23 pp. il. color.
  • BRITO, Ronaldo. Fábio Miguez: pinturas recentes. In: ______. Experiência crítica: textos selecionados. Organização Sueli de Lima. São Paulo: Cosac & Naify, 2005.
  • CAPISTRANO, Elaine Werneck de. Grupo Casa Sete - influências estéticas. Trabalho de conclusão de curso, Pós-Graduação Interunidades em História e Estética da Arte. Módulo "História da Arte Contemporânea". Profa. Daisy Peccinini. São Paulo, 2004, 12 pp. mimeo.
  • CARVALHOSA, Carlito. Carlito Carvalhosa. Versão em inglês Regina de Barros Carvalho, Jonathan Morris, John Manuel Monteiro. São Paulo: Cosac & Naify, 2000.
  • CASA 7: pintura. São Paulo: MAC/USP, 1985.
  • MORAES, Frederico. Anos 80: a pintura resiste. In: BR 80: Pintura Brasil Década 80. Texto Frederico Morais, Márcio Sampaio, Adalice Araújo, Aracy Amaral, Almerinda da Silva Lopes, Aline Figueiredo, Claudio Telles, Roberto Galvão, Evelyn Berg Ioschpe, Maria Cristina Castilho Costa. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1991. 112 p., il. color.
  • RAMOS, Nuno. Nuno Ramos: 1. Bolsa Emile Eddé de Artes Plásticas. Texto Alberto Tassinari. São Paulo: MAC/USP, 1988, il. color.
  • TASSINARI, Alberto. Paulo Monteiro. Desenhos. São Paulo: Coleção Goeldi, 1991.
  • TASSINARI, Alberto; MAMMÌ, Lorenzo; NAVES, Rodrigo. Nuno Ramos. São Paulo: Ática, 1997.

Como citar

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