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Teatro

Companhia Teatral do Movimento

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.02.2017
1991 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
A Companhia Teatral do Movimento, fundada por Ana Kfouri, em 1991, dedica-se à pesquisa de linguagem, à produção de espetáculos e à realização de oficinas de criação teatral.

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Histórico

A Companhia Teatral do Movimento, fundada por Ana Kfouri, em 1991, dedica-se à pesquisa de linguagem, à produção de espetáculos e à realização de oficinas de criação teatral.

A companhia estréia com o espetáculo A Lua Que Me Instrua, coletânea sobre o universo feminino, com textos de Clarice Lispector, Elisa Lucinda, Adélia Prado, Martha Medeiros, Nietzsche, Cioran, entre outros, com roteiro e direção de Ana Kfouri, em 1992. Dois anos depois, a companhia monta Dizem de Mim o Diabo, com fragmentos de peças de Nelson Rodrigues, e Aldeia, em que as situações propostas pelo conto Via Crucis, de Clarice Lispector, são apresentadas com uma linguagem corporal que mecaniza os movimentos e transforma as personagens em bonecos.

Em 1997, a companhia inicia uma série de espetáculos inspirados em alguns dos pecados capitais. O primeiro, Volúpia, faz uma seleção de textos sem nenhuma intenção moralista ou libertária, mas procura captar a visão dos autores sobre o tema. A expressão corporal procura encontrar equivalente para a palavra, pela via do humor, da poesia ou da simples ilustração. Os fragmentos selecionados são de Hilda Hilst, Adélia Prado, Anaïs Nin, James Joyce, Bataille, Henry Miller, Lauwrence, Sade, entre outros.

Segue-se Gula, 1999, outra coletânea de fragmentos retirados de Hilda Hilst, Clarice Lispector, Adélia Prado, Luis Fernando Verissimo, Haroldo de Campos, Rubem Fonseca, Günter Grass, Rabelais, entre outros. Nas diversas cenas, a palavra é o eixo para uma coreografia de formas dramáticas. A visão da gula como a desmedida, com o objetivo de saciar o desejo, está expressa na cena inicial, na qual os atores executam uma música de percussão extraída de pratos e talheres sumultaneamente a uma coreografia facial em que usam o limite muscular para exprimir a voracidade.

O crítico Macksen Luiz, do Jornal do Brasil, observa: "O roteiro percorre a temática com uma tal diversidade de textos que acaba por conferir amplitude à voracidade de comer sob a perspectiva dramática. (...) A encenação de Ana Kfouri, intimamente ligada à forma como foram roteirizados os textos, é uma permanente procura de emprestar a uma coreografia função teatral. (...) A própria comida é secundária nesse corpo a corpo (...) que amplia o conceito da gula para além do seu contorno alimentar. O espetáculo tem uma voracidade, a mesma de que trata Gula, e ritmo nervoso e agitado, capaz de solicitar constantemente os sentidos do espectador".1

Fluxo, 2000, associa a verborragia de um texto ininterrupto com uma coreografia de gestos. Macksen Luiz comenta: "O excesso de palavras é coreografado com gestos que atenuam o ritmo voraz desse despejo de letras que toma conta dos diálogos (na verdade, sucessivos monólogos interiores), criando ritual cênico de movimento da palavra".2

Ainda em 2000, a companhia dá continuidade aos pecados capitais com Preguiça, de Rodrigo de Roure, em que o público deita em esteiras espalhadas pelo chão da sala, e o espetáculo se dá sobre andaimes e redes.

Em 2001, as atrizes Isabel Cavalcanti e Nadia Pasini atuam em O Gordo e o Magro Vão Para o Céu, de Paul Auster. Segundo o crítico Macksen Luiz, a companhia consegue, nessa montagem, exploração técnica do movimento e a humanização dos personagens.

Em 2005, estréia, no Festival riocenacontemporânea, Esfíncter, projeto premiado pelo Concurso Tintas Frescas de Teatro Contemporâneo Francês, promovido pelo Consulado Francês, com os atores Ana Paula Bouzas, Marília Martins, Cristiane Larin e Renato Carrera.

Notas

1. LUIZ, Macksen. A comida é secundária, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 dez. 1999.

2. LUIZ, Macksen. Fluxo de Palavras Intimistas. Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 26 mar. 2002.

Espetáculos 15

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Fontes de pesquisa 4

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Ana Kfouri. (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • CIA. Teatral do Movimento. Currículo enviado pela diretora do grupo. 2007.
  • LUIZ, Macksen. A comida é secundária, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 dez. 1999.
  • LUIZ, Macksen. Comédia metafísica faz rir do cotidiano, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 out. 2001.

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