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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Companhia Estável de Repertório

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Empreendimento comandado pelo ator Antonio Fagundes ao longo dos anos 80, à frente de organizado sistema de produção para um teatro de repertório que se alterna no cartaz.

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Histórico

Empreendimento comandado pelo ator Antonio Fagundes ao longo dos anos 80, à frente de organizado sistema de produção para um teatro de repertório que se alterna no cartaz.

Embora ligado à produção de espetáculos praticamente desde o início da carreira, é no período em que ocupa o Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, com o Projeto Cacilda Becker, em 1980, que Antonio Fagundes vislumbra novas possibilidades. Reunindo apreciável suporte de infra-estrutura e concentração de investimentos lança Morte Acidental de um Anarquista, de Dario Fo, em 1982, como primeiro produto da recém criada Companhia Estável de Repertório, CER.

O projeto é ambicioso: manter um elenco fixo em torno de um indiscutível astro, realizar pesquisas de mercado para sondar as propensões do público, investir num repertório artisticamente realizado, preparar e debater com os espectadores a intenção artística como investimento cultural de longo alcance. A próxima montagem, em 1985, reflete este direcionamento: Xandu Quaresma, de Chico de Assis, nova denominação para Farsa do Cangaceiro, Truco e Padre, peça de estréia de Antonio Fagundes no Teatro de Arena em 1967. A direção de Adriano Stuart, à época diretor de Os Trapalhões, fornece o acabamento cênico pretendido. A montagem, diversas vezes retomada, torna-se o maior trunfo comercial da CER.

Ainda em 1985 sobe à cena Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, direção de Flávio Rangel que reúne Antonio Fagundes e Bruna Lombardi à frente de grande elenco. Poder-se-ia dizer que, neste período, a CER assemelha-se ao Théatre National Populaire, TNP francês, à época de seu maior prestígio. A CER promove, em 1986, a estréia de Gerald Thomas em São Paulo, com Carmem com Filtro, inicialmente levada em horários alternativos, com Clarisse Abujamra no papel título.

A encenação de Nostradamus, de Doc Comparato, em 1986, é um típico produto da CER: o texto é encomendado ao autor a partir dos dados levantados em pesquisa de público. A produção, cercada de requintes, dispõe de um dispositivo de laser para um dos efeitos luminosos requeridos na ação. Há, também, uma cena de "levitação" do protagonista. A direção de Antônio Abujamra é competente no acabamento de um produto destinado ao mercado do entretenimento.

Com Fragmentos de um Discurso Amoroso, em 1988, há uma nova experiência junto ao experimentalismo. Sob a direção de Ulysses Cruz, a adaptação cênica do texto de Roland Barthes mostra-se, contudo, intelectualizada demais para o público da CER. A última produção da companhia é O País dos Elefantes, um texto de Louis Charles Sirjacq, dirigido por Alain Millianti, fruto de um projeto em conjunto com a Ação Cultural Francesa. Estreada em 1989 em Avignon, insere-se nas comemorações da Declaração dos Direitos do Homem, criando conexões entre a Inconfidência Mineira, a revolução antilhana e o pensamento libertário francês. O resultado cênico do espetáculo é frio, e é acompanhado pelo desinteresse do público, obrigando-o a sair rapidamente de cartaz.

As dificuldades em manter o ambicioso empreendimento levam Antonio Fagundes a desfazer a CER e retornar às produções avulsas, a partir de 1990.

Num balanço sobre a produção paulistana, o crítico Jefferson Del Rios fixa alguns dos impasses vividos pela CER: "os problemas surgiram aos poucos e por acumulação. Os custos operacionais foram crescendo, os encargos com o elenco fixo igualmente (Cyrano empregava 36 pessoas) e os azares da política econômica (um pacote do governo congelou o preço de Cyrano e seu batalhão de atores em cinqüenta cruzeiros. Denise Stoklos estreou em seguida e pôde fixar o ingresso em oitenta cruzeiros). Acrescente-se a isso tudo o fato de Fagundes estar sempre à frente do elenco, de quarta a domingo, numa desgastante maratona alternada com gravações de telenovelas e filmes. A sua saída foi mudar a noção inicial de companhia. Aboliu a concepção de atores fixos, que recebiam da renda bruta, e partiu para a cooperativa na montagem de Macbeth, superprodução com 37 pessoas, das quais vinte eram atores que ensaiaram sem pagamento e assumindo o risco da bilheteria".1

Notas

1. RIOS, Jefferson Del. A produção teatral no Brasil. Revista USP, São Paulo, n. 14, jun./ago. 1992. p. 62-65.

Espetáculos 10

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Fontes de pesquisa 3

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Antonio Fagundes (1949) (ficha curricular) In: ___________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • CENTRO CULTURAL SÃO PAULO. Divisão de Pesquisas. Cronologia das artes em São Paulo 1975-1995: Artes cênicas - Teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. (Cronologia das artes em São Paulo, 3).
  • RIOS, Jefferson Del. A produção teatral no Brasil. Revista USP, São Paulo, n. 14, jun./ago. 1992. p. 62-65.

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