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Teatro Núcleo Independente

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.02.2015
1970 Brasil / São Paulo / São Paulo
1979 Brasil / São Paulo / São Paulo
Grupo de teatro e de outras manifestações artísticas que opta por atuar na periferia de São Paulo, desde o começo dos anos 1970, de modo independente, sem vínculos empresariais ou verbas públicas, e cria novas soluções artísticas com acentuado apoio popular.

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Histórico
Grupo de teatro e de outras manifestações artísticas que opta por atuar na periferia de São Paulo, desde o começo dos anos 1970, de modo independente, sem vínculos empresariais ou verbas públicas, e cria novas soluções artísticas com acentuado apoio popular.

Remanescentes de um curso realizado no Teatro de Arena, juntam-se Celso Frateschi, Denise Del Vecchio, Edson Santana, Dulce e Helio Muniz, para formar o Núcleo 2 do Arena, que inicia pesquisas com Augusto Boal que teatralizam notícias de jornais, que resultam no Teatro Jornal - 1ª Edição, 1970. Uma das metas do trabalho é estimular a formação de equipes que empreguem suas técnicas. Com a prisão e o exílio de Augusto Boal e a entrada de novos integrantes, o Núcleo 2 apresenta no Arena a criação coletiva Doce América, Latino América, dirigida por Antônio Pedro, em 1972. Ali permanece até o fechamento do teatro.

O grupo é convidado a associar-se a outro projeto com as mesmas características ideológicas, o Theatro São Pedro, sob a liderança de Maurício Segall. Lá realizam Tambores na Noite, de Bertolt Brecht sob a direção de Fernando Peixoto, em 1972, e A Queda da Bastilha??, criação e direção coletivas, 1973. Com a prisão de Maurício Segall, arrendatário da sala de espetáculos, a situação volta a complicar-se e o grupo, agora sob o nome de Núcleo Independente, passa a dedicar-se com exclusividade à itinerância pela periferia. Novas crises internas e a saída de integrantes determinam a opção do casal Celso e Denise por uma nova produção - A Epidemia -, para percorrer um circuito nos bairros, em 1975. Entre outros, agregam-se então à equipe Alzira Andrade, Cleston Teixeira e Paulo Maurício. Aplicando as técnicas do teatro-jornal sobre materiais históricos ligados à epidemia de gripe espanhola de 1918, a realização demanda cenários, figurinos e composição de personagens de época. A iniciativa vale o Prêmio Mambembe.

Em 1976, a equipe se instala num barracão na Estrada de São Miguel, na afastada região da Penha, Zona Leste, onde desenvolve ativo trabalho de multiplicação de grupos, cursos e atividades artísticas diversas, circulando pela periferia, em greves, atos públicos e outros locais de reuniões populares. Um desdobramento do espetáculo anterior, Acidente de Trabalho, é igualmente criado e apresentado.

Em 1977, lança Os Imigrantes, com direção de Celso Frateschi, que aborda o movimento anarquista e recebe o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA, para melhor produção do ano. Dois Homens na Mina, texto do colombiano Henrique Buenaventura, reúne uma parte da equipe e é apresentado no Teatro Ruth Escobar no mesmo ano. Porém, pressões diversas e, sobretudo, a oscilante situação econômica, levam ao esfacelamento da iniciativa em 1979.

Epidemia é apreciado pela crítica, tendo Mariangela Alves de Lima observado que: "Neste tipo de espetáculo em que a divisão de trabalho é menos nítida, o Núcleo consegue uma unidade artística rara em produções convencionais. Todos os atores controlam as variáveis do espetáculo, sem diferençar a capacidade individual ou a dimensão do papel. Cantam bem, movimentam-se no mesmo ritmo e mantêm sob controle a progressão de intensidade de cada cena. A impressão de beleza que este trabalho transmite, além da impecável seriedade da mensagem, vem exatamente da economia de adornos. Trabalhando com elementos cênicos essenciais, o Núcleo constrói um espetáculo em que as imagens são nítidas e diretas na intenção. Tudo se desenvolve a partir do empenho do ator na realização de seu jogo".1

Notas

1. LIMA, Mariangela Alves de. Operariado fornece o tema para a peça. O Estado de S. Paulo, 21 out. 1977.

Espetáculos 14

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Fontes de pesquisa 4

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  • GARCIA, Silvana. O teatro da militância. São Paulo: Perspectiva, 1990.
  • LIMA, Mariângela Alves de. Quem Faz o Teatro. In: ARRABAL, José; LIMA, Mariângela Alves de; PACHECO, Tânia. Anos 70 - Teatro. Rio de Janeiro: Europa, 1979.
  • MOSTAÇO, Edelcio. Teatro e política: Arena, Oficina e Opinião. São Paulo: Proposta, 1982.
  • VARGAS, Maria Thereza; CARDOSO, Reni Chaves. Centro e periferia: grupos atuando à margem do sistema convencional de produção. São Paulo, 1978. Pesquisa. Acervo: IDART / CCSP.

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