Artigo da seção grupos Os Artistas Unidos

Os Artistas Unidos

Artigo da seção grupos
Teatro  

Data/Local
1946/1959 - Rio de Janeiro RJ

Histórico
Os Artistas Unidos, companhia empresariada durante 13 anos por Carlos Brant, tem como atriz e diretora artística Henriette Morineau, e um repertório que mistura peças do teatro de boulevard, peças brasileiras e obras importantes da dramaturgia universal, como Jean Anouilh, Jean Cocteau e Tennessee Williams.

A companhia nasce depois de um curso que o bancário Carlos Brant e o médico Hélio Rodrigues fazem com Henriette Morineau, atriz francesa radicada no Rio de Janeiro. Os três fundam Os Artistas Unidos, que estréia em 1946 com uma peça já interpretada por Morineau em francês, Frenesi, de Charles de Peyret-Chappuis. A atriz recebe a Medalha de Ouro de melhor atriz pela interpretação da protagonista. Cabe a Carlos Brant a área financeira da companhia e a Hélio Rodrigues a publicidade.

Embora com repertório voltado para o divertimento do público, Os Artistas Unidos procuram também obras de importância na dramaturgia universal: montam O Pecado Original, de Jean Cocteau, dirigido por Morineau, em 1946; lançam no Brasil Uma Rua Chamada Pecado, de Tennessee Williams, com direção de Ziembinski, em 1947; Jezebel e Ardele ou La Margueritte, de Jean Anouilh, também direção de Morineau, em 1952.

Quase todos os espetáculos da primeira fase da companhia têm direção de Henriette Morineau, que forma os atores jovens, por meio das técnicas aprendidas no Conservatório de Paris, como aluna de Albert Lambert. Dois espetáculos, em 1948, têm direção de Ziembinski. Medéia, de Eurípides, e Uma Rua Chamada Pecado, de Tennessee Williams, permitindo à diretora artística da companhia realizar duas de suas maiores interpretações.

Na cenografia e no figurino da companhia constam trabalhos de Tomás Santa Rosa, Gianni Ratto e Kalma Murtinho. Do elenco participam Maria Sampaio, Iracema de Alencar, Luiza Barreto Leite, Beatriz Segall, Paulo Francis, Fernando Torres, Maria Clara Machado, Paulo Goulart, Miriam Pérsia e Fernanda Montenegro, que atua em Mulheres Feias, de Achille Saitta, 1953.

Em 1948, Os Artistas Unidos lançam a autora Lúcia Benedetti. Até a montagem de sua peça O Casaco Encantado, o teatro infantil, no país, significa um grupo de crianças, normalmente organizado pela escola, que representa para adultos. Não existe a criança como público-alvo nem teatro profissional voltado para a infância. Mais tarde, em 1951, a companhia encena também Josefina e o Ladrão, da mesma autora. Em ambos os espetáculos, Morineau trabalha como atriz, sendo dirigida por Graça Mello.

Ao final dos três primeiros anos de atividades, a companhia parte em viagem, percorrendo o norte e nordeste do país e as principais capitais, num total de 13 Estados. Segundo o empresário Carlos Brant voltam, com 416 contos de prejuízo: "Público maravilhoso, o do Norte do Brasil. Que entusiasmo! [...] Vou lhe contar um segredo: quando tiver uma companhia de teatro e quiser perder dinheiro, fie-se nos navios que fazem o transporte. O que você ganhar das casas de espetáculos perderá fora delas, enquanto espera, às vezes uma semana, pelo navio que se atrasou. [...] Arrependimento? Nenhum. Conhecer platéias como as de Pernambuco, Alagoas, Campos RJ, Belo Horizonte, Santa Catarina e tantas outras, compensa todas as decepções e enganos".1

Em 1953, o Teatro Copacabana, onde atuam Os Artistas Unidos, pega fogo. O acervo de cenários e figurinos é destruído. Três meses depois, morre Hélio Rodrigues, um dos fundadores da companhia, e Carlos Brant passa a se responsabilizar, sozinho pelo funcionamento estrutural da empresa, iniciando-se uma nova fase. Em 1954, voltam a São Paulo, onde já haviam apresentado seu repertório em 1947 e 1949. Henriette Morineau abre mão da direção dos espetáculos, e Os Artistas Unidos passam a trabalhar com diretores convidados, os italianos Adolfo Celi e Flaminio Bollini, além do espanhol Cayetano Luca de Tena, trazido ao Brasil especialmente para uma seqüência de trabalhos com a companhia, e os brasileiros Graça Mello e José Maria Monteiro. Em 1955, desentendimentos entre Morineau e Brant levam a atriz a deixar o elenco de Diálogo das Carmelitas, de Georges Bernanos, com direção de Flaminio Bollini. Contudo, Morineau participa do espetáculo seguinte . A morte de Carlos Brant, em 1959, encerra as atividades da companhia.

Notas
1. BRANT, Carlos. Entrevista. ARTISTAS Unidos (Dossiê Grupos e Companhias). Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc, 2002.

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Fontes de pesquisa (3)

  • MORINEAU, Henriette. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • OS ARTISTAS Unidos. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Grupos e Companhias.
  • SILVA, Tania Brandão da. Ora Direis Ouvi Estrelas: Cias. Artistas Unidos e Nydia Licia-Sergio Cardoso. - projeto de pesquisa em andamento, apoiado pela Faperj.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • OS Artistas Unidos. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo399357/os-artistas-unidos>. Acesso em: 16 de Set. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7