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Pequeno Teatro de Comédia

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.02.2015
1958 Brasil / São Paulo / São Paulo
1962 Brasil / São Paulo / São Paulo
Companhia surgida no fim dos anos 1950, marcada pela ausência de estrelas e pela vontade de fazer um teatro de qualidade, tendo Antunes Filho como diretor artístico e abrigando as primeiras direções de Ademar Guerra.

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Histórico
Companhia surgida no fim dos anos 1950, marcada pela ausência de estrelas e pela vontade de fazer um teatro de qualidade, tendo Antunes Filho como diretor artístico e abrigando as primeiras direções de Ademar Guerra.

O Pequeno Teatro de Comédia surge como alternativa aos modos de produção instaurados pelo Teatro Brasileiro de Comédia - TBC e pelo Teatro de Arena. É fundado por Felipe Carone, Armando Bógus, Nélson Duarte, Maria Dilnah, Nagib Elchmer, Luiz Eugênio Barcelos e Antunes Filho, o diretor artístico. A maior parte dos integrantes já havia conquistado sucesso com o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, sob a direção de Hermilo Borba Filho; e diversos deles já despontavam em atividades na televisão. Anima o empreendimento o propósito de alcançar qualidade estética e de refinar os meios expressivos dos intérpretes, sem necessariamente adotar as soluções propostas pelo Teatro de Arena para o abrasileiramento da atuação.

Em 1958, estréia O Diário de Anne Frank, com Dália Palma como protagonista. A montagem, coroada de êxito, estabiliza a iniciativa. No mesmo ano, é a vez de Alô...36-5499, de Abílio Pereira de Almeida, tentativa de conciliar um texto nacional com possibilidade de retorno financeiro ao aprofundamento da pesquisa estética. Em 1959, segue-se Pic-Nic, de William Inge, ambientando numa cidadezinha do meio-oeste norte-americano os conflitos de uma classe média assolada por problemas existenciais. Nos três casos, experimentando diversas fronteiras estéticas do realismo, Antunes obtém coeso e reconhecido resultado, quer quanto aos desempenhos quer quanto às encenações, afirmando-se como talentoso diretor.

A virada da companhia surge com Plantão 21, texto de Sidney Kingsley, ainda em 1959. A trama se passa numa delegacia de polícia, motivo para um entra-e-sai constante de 30 atores que desempenham personagens que enfrentam situações de conflito e problemas sociais. A excelente condução cênica de Antunes Filho, perpassada de violência e crua exposição dos conflitos, permite-lhe a exploração quase cinematográfica no desempenho dos atores, impressionando vivamente a platéia. Destacam-se no elenco Jardel Filho e Laura Cardoso, que faz, então, sua estréia.

O crítico Sebastião Milaré observa sobre a encenação de Plantão 21: "Foi um momento em que o delírio de Antunes superou o aprendizado que, com autodisciplina, desenvolvia. Levou às últimas conseqüências sua capacidade em lidar com os mecanismos cênicos e desafiou limitações vigentes no teatro. A produção era das mais generosas, mas estava a serviço da criação, não se sobrepunha a ela. No elenco, três dezenas de atores viviam os dramas de uma delegacia de polícia e todos, mesmo aqueles com as mais modestas intervenções, estavam integrados à tensão ambiente".1

Quando Antunes Filho, em 1960, faz um estágio no Piccolo Teatro de Milão, Ademar Guerra, que desde a primeira montagem é assistente de direção, realiza suas primeiras direções profissionais: Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, apresentado no Teatro Cultura Artística; e Doce Pássaro da Juventude, de Tennesse Williams, com Glauce Rocha à frente do elenco.

Após voltar da Europa, Antunes conduz o Pequeno Teatro de Comédia a uma polêmica montagem: As Feiticeiras de Salém. O texto de Arthur Miller, de um realismo psicológico bem desenhado, é por ele encenado em chave épica, desnorteando público e crítica. Entusiasmado pelas idéias de Bertolt Brecht e de teatro popular, nos moldes do Théâtre National Populaire - TNP, francês, Antunes almeja, insuflado pelo clima político então dominante, discutir a realidade nacional e nela interferir pela via artística. Mas, entre a intenção e a realização surgem os vácuos, e a montagem malogra. A cenógrafa Maria Bonomi estréia na companhia com essa montagem.

O fracasso da peça de Miller é rebatido, em 1961, com Sem Entrada, Sem Mais Nada, texto de Roberto Freire discutido no Seminário de Dramaturgia do Arena e que encontra no palco do Teatro Maria Della Costa - TMDC, um amplo espaço para uma encenação que a crítica considera perfeita. Eva Wilma, já uma estrela na televisão, brilha no elenco. Mesmo tendo concebido sua encenação em perspectiva expressionista, a montagem de Antunes utiliza-se de um realismo enfatizado pela teatralidade retratando de modo verossímil o popular e cotidiano bairro do Bexiga, local em que se desenrola a ação.

Apesar do sucesso, diversos motivos internos levam à dissolução do Pequeno Teatro de Comédia em 1962. Seus principais integrantes irão prosseguir em outros grupos. Ademar Guerra, Antunes Filho e Armando Bógus se reencontrarão, já no fim da década, numa outra iniciativa denominada Teatro da Esquina.

 

Notas

1. MILARÉ, Sebastião. Antunes Filho e a dimensão utópica. São Paulo: Perspectiva, 1994. p. 91.

Espetáculos 12

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Fontes de pesquisa 3

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  • GUIMARÃES, Carmelinda. Antunes Filho: um renovador do teatro brasileiro. Campinas: Unicamp, 1998. 183 p.
  • MENDES, Oswaldo. Ademar Guerra: o teatro de um homem só. São Paulo: Senac, 1997.
  • MILARÉ, Sebastião. Antunes Filho e a dimensão utópica. São Paulo: Perspectiva, 1994.

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